Copa 2014: Chile

Fora a Argentina de Messi, Agüero e companhia, o Chile é a seleção sul-americana que joga o futebol mais atraente no momento. O trabalho vem de anos. Depois de se classificar para a Copa de 2010 sob o comando de Marcelo Bielsa, a seleção roja manteve a filosofia ofensiva e de posse de bola com um dos tantos sucessores do Loco: Jorge Sampaoli, também argentino, e de grande sucesso na Universidad de Chile, campeã da Copa Sul-Americana com sobras em 2011. Portanto, o trabalho que é feito na seleção chilena precisa ser considerado como de 7 anos, e não de "apenas" 4, que é o período de Sampaoli e Borghi (4 anos) somado ao de Bielsa (3).

E a continuidade tem rendido frutos. A evolução da seleção chilena é notável nos últimos anos. Com Sampaoli no comando, a equipe bateu Uruguai e Itália, empatou com Brasil, Colômbia e Espanha e, de cabeça de chave, só perdeu apertado para o Brasil (2 a 1), Alemanha e Argentina, estas por 1 a 0. Nas eliminatórias, classificou-se com folga e teve o segundo melhor ataque da zona sul-americana, provando que seu estilo ofensivo é também competitivo.

O grande azar dos chilenos é o grupo para o qual foram sorteados, que conta simplesmente com os dois finalistas da Copa de 2010. Mas a recíproca é verdadeira. Na maioria das chaves, Espanha e Holanda tenderiam a passear sobre os seus dois adversários restantes. O Chile, neste caso, é um azar deles também: trata-se de um adversário que não surpreenderá a ninguém caso tire pontos de espanhóis e holandeses, e, até pelo fato de a Copa ser na América do Sul, pode sim passar de fase e tirar um dos favoritos. É bom não duvidar.

O CAMINHO
A estreia é contra a Austrália, e se o objetivo do time de Sampaoli é mesmo o de se classificar, a vitória é absolutamente obrigatória. A seguir, vem a campeã mundial Espanha, adversária que o Chile conhece muito bem, e tem feito jogo duro: enfrentou na Copa de 2010 (derrota por 2 a 1) e em dois amistosos desde lá (derrota por 3 a 2 e empate em 2 a 2). Obtendo um empate diante dos espanhóis, os chilenos poderão jogar com vantagem na última rodada, contra a Holanda. Mas vantagem do empate não significa jogar pelo empate. Se há algo que este time não faz é jogar resguardado demais, seja contra quem for.

DESTAQUE
Alexis Sánchez é o jogador mais rodado em termos europeus devido à sua passagem pelo Barcelona, mas é Eduardo Vargas, 24 anos, que pode fazer a diferença em favor do Chile. Além de já ter atuado no Brasil pelo Grêmio, o ponta tem um histórico de grandes atuações contra rivais fortes, como a própria Espanha, seleção na qual marcou dois gols em amistoso no ano passado. Além disso, Sampaoli é o técnico com o qual mais rendeu, pela Universidad de Chile em 2011. Sabe tirar o máximo de seu craque.

PONTOS FORTES
O entrosamento da equipe, que vem de anos, e o estilo ofensivo iniciado por Bielsa e aperfeiçoado por Sampaoli. Em 2010, o Chile era ofensivo demais, e se atirava para cima de quem quer que fosse. Assim, levou um baile do Brasil nas oitavas de final, na África do Sul. Sampaoli trouxe mais equilíbrio a esta ideia, tornando a equipe mais consistente atrás sem perder o poderio ofensivo. Com jogadores superiores em relação aos do último Mundial, como Vargas, os chilenos podem surpreender.

PONTOS FRACOS
A geração é a melhor do país em décadas, mas ainda assim faltam opções qualificadas em caso de lesão de alguns dos protagonistas. Outro problema pode ser o estigma da equipe de amarelar diante do Brasil, um possível adversário nas oitavas de final, caso supere a etapa de grupos.

A HISTÓRIA
No Brasil, o Chile disputará sua nona Copa do Mundo. Sua melhor participação foi na Copa que sediou, em 1962, quando foi 3º colocado. Não passou da primeira fase em outros cinco torneios, mas nos últimos dois de que participou (1998 e 2010) chegou às oitavas. Em 2014, pode pegar o Brasil pela quarta vez, a terceira seguida em oitavas de final. A seleção canarinho é o maior algoz chileno em Mundiais, tendo eliminado a Roja em todas as oportunidades em que se enfrentaram - inclusive em 1962, nas semifinais. Desde 1966 o Chile não disputava dois Mundiais seguidos como agora.

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