Alguém ia ter que sobrar...

...e quem sobrou foi o Newell's. O ótimo time argentino, possivelmente um dos cinco melhores desta Libertadores em termos técnicos, o único que arrancou pontos do Grêmio no grupo da morte. Mas também foi o único que perdeu duas vezes para o Atlético Nacional, e perder dois confrontos diretos assim, num grupo tão forte e parelho, é pecado mortal. Uma eliminação surpreendente pelas circunstâncias da última rodada, mais do que pela projeção inicial da chave. Afinal, sabia-se de antemão que um dos três melhores times da chave, todos fortes, não resistiria, por força do regulamento da competição. Possivelmente o time de Rosário teria se classificado em qualquer outro grupo. Mas não conseguiu neste.

Nesta semana, elencamos vários times que foram eliminados não tanto por causa do último jogo, mas por conta de fracassos anteriores. O Botafogo perdeu sua vaga, mesmo, quando levou 1 a 0 em casa da Unión Española em casa; o Flamengo, ao empatar em 2 a 2 com o Bolívar no mesmo Maracanã; a Universidad de Chile, ao perder duas vezes para o Cruzeiro. Mas o Newell's não: a equipe de Rosário foi eliminada, mesmo, ontem. Porque o empate cedido ao Grêmio em casa nos descontos resultou em dois preciosos pontos perdidos, sim, mas ainda assim a equipe chegou com vantagem para decidir a vaga em casa na última rodada. Tinha tudo para passar.

Mas deu tudo errado. Foi um jogo estranho, com duas expulsões logo aos cinco minutos. E o Atlético Nacional saiu perdendo nessa, já que o meia Cardona, principal jogador da equipe, levou o cartão vermelho - será desfalque para as oitavas, contra o Atlético-MG, em Medellín. Depois, o gol bizarro em que Guzmán chutou a bola em cima de Tréllez. Um duro golpe para o Newell's, que tomou outra, com desvios na trajetória da bola, de Cárdenas. Casco descontou, mas logo Maxi Rodríguez se lesionou, perda grave. E veio o segundo tempo e o gol de Berrío, em péssima saída do gol de Guzmán, um dos melhores goleiros da Libertadores, mas de atuação absolutamente desastrosa.

O Atlético Nacional mostrou força. Os próprios jornais colombianos já davam como improvável a classificação. Comentários de que o time não tinha nível para encarar a Libertadores se tornaram comuns após a derrota para o Grêmio no Atanásio Girardot. Mas não é verdade: o time colombiano não apresentou futebol ruim em nenhuma de suas seis partidas nesse grupo complicadíssimo - mesmo nas derrotas para o time gaúcho teve bons momentos. Se ficasse de fora, seria algo normal dentro da dificuldade que a chave apresentava. Mas passou, e com muito mérito. O Galo que segure a onda.

As oitavas
Vélez Sarsfield x Nacional-PAR: ouvi os minutos finais da classificação do Nacional por uma rádio paraguaia. A emoção de todos era tocante com aquele momento histórico em que o time bateu o Santa Fé. Para encarar o Vélez, porém, será preciso ir muito além. Favoritismo argentino, até pelo fato de o time guarani chegar com uma sensação de dever cumprido.

Unión Española x Arsenal de Sarandí: confronto bastante equilibrado e sem favoritismo. Seja quem for o classificado, oferecerá forte resistência ao Vélez caso o time de Liniers chegue às quartas de final.

Atlético-MG x Atlético Nacional: atual campeão, o Galo enfrentará grandes dificuldades nas oitavas. O favoritismo mineiro é tênue, quase nulo. Se existe, também é pelo fato de Cardona, melhor jogador colombiano, não atuará no jogo de ida, em Medellín.

Defensor x The Strongest: duas das boas surpresas da fase de grupos. O Defensor tem time tecnicamente melhor, embora jovem, mas a altitude de La Paz pode pesar. Quem passar entra como franco-atirador nas quartas contra Atlético-MG ou Atlético Nacional.

Grêmio x San Lorenzo: a sina do Grêmio é a do caminho difícil nesta Libertadores. A equipe gaúcha é levemente superior ao campeão argentino, mas o confronto promete imensas dificuldades. Para piorar, o confronto das quartas, contra Cruzeiro ou Cerro Porteño, tem tudo para ser outra batalha.

Cerro Porteño x Cruzeiro: o Cruzeiro é tecnicamente superior, mas sua irregularidade não permite que o destaquemos como o grande favorito deste confronto. Ainda assim, parece ter melhores possibilidades de seguir adiante.

Santos Laguna x Lanús: pela campanha da fase inicial, o Santos Laguna seria o favorito. Mas o Lanús é um time experiente, com traquejo continental (ganhou a Sul-Americana 2013). Outro duelo potencialmente muito equilibrado.

Bolívar x León: confronto ocorrido no Grupo 7 da fase inicial, com vitória do Bolívar no México (1 a 0) e empate em 1 a 1 na Bolívia. O time mexicano é tecnicamente melhor, mas a campanha na primeira fase dos bolivianos foi superior.

Comentários

Nem consegui assistir direito o jogo do Gremio ontem. O de Rosário estava muito eletrizante. Valeu a pena.

No mais, bons confrontos. Bastante curioso pra ver os dois jogos dos Atléticos. Vai ser bem movimentado e ofensivo. E, se essa zaga dos mineiros continuar abertinha, os colombianos vão se aproveitar até não poder mais.
Vicente Fonseca disse…
Se tem uma frustração minha nessa Libertadores for ter perdido esse jogo de Rosário. Ossos do ofício.