A única noite tranquila

Nem parecia a última rodada do "grupo da morte" da Libertadores. O clima entre Grêmio e Nacional era quase o de um jogo amistoso. Torcidas trocando cumprimentos, pegando ônibus juntas, uruguaios com equipe mista e gaúchos visivelmente acomodados, jogando para o gasto diante de um adversário fragilizado e desfalcado. A única noite tranquila desta caminhada árdua que o Tricolor está tendo na Libertadores.

O gol logo aos 12 minutos ajudou o jogo a ficar sonolento. O Grêmio já entrou em campo sem a necessidade de vencer para conquistar a liderança da chave. Com o 1 a 0, tratou imediatamente de administrar a vantagem que, na verdade, era de dois gols, já que só sofrendo uma virada e contando com uma vitória do Newell's (algo que nunca esteve próximo de acontecer) a equipe perderia a liderança. A falta de qualidade do time misto do Bolso, porém, era visível. O time uruguaio tentou partir para cima, mas esbarrava em suas limitações. No máximo, os bons chutes de fora da área de Alonso, que deram trabalho a Marcelo Grohe, eram relativamente ameaçadores.

Sem a necessidade de manter um volante à frente da zaga, Enderson Moreira retirou Edinho e investiu em Jean Deretti. Mais do que tornar o time mais ofensivo, a ideia era voltar ao 4-3-3 dos tempos de Luan e dar mais companhia ao apagado e lento Alán Ruiz, sumido do primeiro tempo no 4-4-2. Mesmo com Deretti entrando mal, o Grêmio ficou mais agressivo e poderia ter ampliado nos primeiros 15 minutos da etapa final, quando forçou o ritmo. Porém, não fez o gol. E aí diminuiu o ritmo de novo.

Dos três substitutos possíveis para Luan, Maxi Rodríguez, aberto pela esquerda como nunca vimos antes neste ano em Porto Alegre, foi o que melhor rendeu. Não sei se está ganhando um lugar no time, mas ontem visivelmente o 4-3-3 rendeu melhor. Não acredito na saída de Edinho para o Gre-Nal, mas Alán Ruiz, pelo que rendeu, não tem escalação garantida. Até porque, por sua característica de pouca velocidade, não atua bem no esquema com pontas abertas que recompõem quando o time está sem a bola, uma formação que exige velocidade e dinâmica.

O San Lorenzo é mais uma pedreira em uma Libertadores cheia de desafios de alto nível para o time de Enderson Moreira. Campeão argentino, conta com um time aguerrido, pegador e com jogadores de técnica no ataque. O Grêmio vive momento superior, carrega um leve favoritismo, mas qualquer resultado, em Buenos Aires ou Porto Alegre, é normal. Pegar Cerro Porteño ou Cruzeiro nas quartas é igualmente um panorama repleto de dificuldades. Nada a que este time não esteja acostumado, depois de passar por um grupo tão complicado. O resultado de ontem em Rosário prova isso com clareza. Grêmio e Atlético Nacional saem muito fortalecidos dessa fumaceira toda.

Em tempo:
- Como o Campeonato Argentino tem rodada marcada para o próximo meio de semana, primeiro jogo entre San Lorenzo e Grêmio dificilmente será na semana que vem. Boa notícia para quem precisa recuperar Zé Roberto.

FICHA
Copa Libertadores da América 2014 - Grupo 6 - 6ª rodada
GRÊMIO (1): Marcelo Grohe; Pará, Werley, Rhodolfo e Wendell; Edinho (Jean Deretti), Riveros, Ramiro e Alán Ruiz (Lucas Coelho); Dudu (Maxi Rodríguez) e Barcos. Técnico: Enderson Moreira
NACIONAL (0): Munúa; Píriz, De Los Santos, Scotti (Coates) e Díaz; Arismendi (Calzada), Prieto, Dorrego e Espino; García (Mascía) e Alonso. Técnico: Gerardo Pelusso
Local: Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS); Data: quinta-feira, 10/04/2014, 22h; Árbitro: Oscar Maldonado (BOL); Público: 28.302; Renda: R$ 1.131.941,00; Gol: Barcos (pênalti) 12 do 1º; Cartão amarelo: Maxi Rodríguez, Ramiro, De los Santos, Prieto e Alonso; Melhor em campo: Munúa; Nota do jogo: 4

NÚMEROS
Chances de gol: Grêmio 10 x 7 Nacional
Finalizações: Grêmio 8 x 16 Nacional
Escanteios: Grêmio 4 x 6 Nacional
Impedimentos: Grêmio 4 x 0 Nacional
Faltas cometidas: Grêmio 15 x 13 Nacional
Desarmes: Grêmio 9 x 23 Nacional
Passes errados: Grêmio 54 x 31 Nacional
Posse de bola: Grêmio 52% x 48% Nacional
Análise: a atuação em ritmo lento do Grêmio se evidencia pelo baixíssimo número de desarmes da equipe. O time de Enderson Moreira errou um número de passes muito acima de sua média, mas foi até efetivo em termos ofensivos, com um fato raro: teve mais chances de gol que finalizações. Isso porque no primeiro minuto o cruzamento de Barcos não foi completado por Riveros, e no segundo tempo Jean Deretti não conseguiu concluir, embaixo da trave, um cruzamento rasteiro de Pará.

FUTEBOL DE BOTÃO

Comentários

Sancho disse…
A Libertadores é assustadoramente linda.