O pior Rio-São Paulo dos últimos dez anos

Um grande na Série B, três caindo para a segunda divisão em 2014, um grande no meio da tabela e outro, o melhor deles, a quatro pontos do G-4. Na Libertadores 2014, por enquanto ninguém. Título? Na Libertadores ninguém passou das oitavas, o Brasileiro está 10 pontos longe e na Copa do Brasil só um pode conseguir chegar lá, e ainda assim tem o caminho mais complicado de todos. O resto foi eliminado.

O momento do futebol paulista é de fato horroroso. Claro, ainda falta metade do Campeonato Brasileiro acontecer. Porém, acabado este primeiro turno, não teríamos em 2014 nenhum representante do futebol paulista na Libertadores (o que não ocorre desde 1998) e apenas três clubes na Série A (Corinthians, Santos e Palmeiras), o menor índice de todos os tempos, menos do que os quatro cariocas e três catarinenses - o Criciúma está se mantendo, Chapecoense e Joinville estão subindo.

Em 2014, atualmente, teríamos mais cariocas que paulistas na primeira divisão, mas isso não significa que o momento do Rio de Janeiro não seja, a exemplo de São Paulo, o pior dos últimos anos. Flamengo, Fluminense e Vasco fazem um Brasileirão ruim, todos correndo algum risco de rebaixamento. O Botafogo se sustenta por conta de um ótimo trabalho do seu técnico, mas ainda assim não se sabe se terminará no G-4. Competência administrativa? Não, não é o caso. É um clube com salários atrasados, que teve de vender sua maior promessa para pagar dívidas. O Vasco, então, nem água tinha no começo do ano em São Januário. O Flamengo se esforça para tentar minimizar as altíssimas dívidas e a Unimed começa a pôr o pé no freio no Fluminense. Todos em vacas magras.

Nos clubes paulistas, a situação não é muito diferente. O Palmeiras há anos não forma um time realmente competitivo. No São Paulo, o caos administrativo veio à tona esse ano - promoções com ingressos a R$ 2, mesmo que lotando estádio eventualmente, são sinônimo de desespero, não de aproximação com o torcedor. Santos e Corinthians aparecem um pouco melhor fora de campo, mas buscam se encontrar dentro dele, vivendo ambos um fim de ciclo - o Peixe especialmente, após a saída de Neymar.

É de uma certa forma um alento que o pior ano de equipes paulistas e cariocas no cenário nacional e continental esteja ocorrendo justamente na segunda temporada em que os clubes estão negociando por conta própria suas cotas de TV. Por terem mais exposição, clubes de Rio e São Paulo ganham mais das emissoras, e têm assim a chance de formarem equipes mais competitivas, mas isso não tem se verificado na prática, ao menos não em 2013. Desde 2008 não temos mais de um time paulista no G-4, mas todos os quatro grandes ganharam algum grande título no período.

Mas atenção: é só um consolo, não um processo, uma mudança de paradigmas ou qualquer coisa mais definitiva. O modo de negociar estas verbas é atrasado, arcaico, e precisa ser urgentemente repensado, deve ser mais alemão que espanhol, digamos. Porém, de certa forma, estes resultados recentes neutralizam a ideia catastrófica de que o futebol brasileiro se tornaria uma grande disputa entre Corinthians e Flamengo, como alguns apregoavam após a mudança no sistema de distribuição das cotas de TV: competência administrativa ainda faz a diferença, tanto quanto o dinheiro, às vezes até mais. Mesmo que desde 2001 não tenhamos um campeão brasileiro fora da Região Sudeste.

Há cinco anos não há dois paulistas no G-4/G-5
2003: Cruzeiro, Santos, São Paulo, São Caetano e Coritiba (3 paulistas, 2 de fora)
2004: Santos, Atlético Paranaense, São Paulo e Palmeiras (3 paulistas, 1 de fora)
2005: Corinthians, Internacional, Goiás e Palmeiras (2 paulistas, 2 de fora)
2006: São Paulo, Internacional, Grêmio, Santos e Paraná (2 paulistas, 3 de fora)
2007: São Paulo, Santos, Flamengo, Fluminense e Cruzeiro (2 paulistas, 2 cariocas, 1 de fora)
2008: São Paulo, Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras (2 paulistas, 2 de fora)
2009: Flamengo, Internacional, São Paulo e Cruzeiro (1 paulista, 1 carioca, 2 de fora)
2010: Fluminense, Cruzeiro, Corinthians e Grêmio (1 paulista, 1 carioca, 2 de fora)
2011: Corinthians, Vasco, Fluminense, Flamengo e Internacional (1 paulista, 3 cariocas e 1 de fora)
2012: Fluminense, Atlético Mineiro, Grêmio e São Paulo (1 paulista, 1 carioca e 2 de fora)
2013 (1º turno): Cruzeiro, Botafogo, Grêmio e Atlético Paranaense (1 carioca, 3 de fora)

Demorou
Paulo Autuori, há anos sem apresentar sequer vontade de trabalhar (quanto mais trabalhar bem), nunca foi o melhor técnico para tirar o São Paulo da crise. Com Muricy, as chances do Tricolor cair diminuem bastante. Ele tem tudo para ajeitar a equipe e torná-la confiável o suficiente para não descer à Série B. Curioso será ver o maior técnico da história dos pontos corridos pegando um desafio diferente, com uma equipe grande lá embaixo da tabela.

Tabela esculhambada
Se o Santos excursionou à Europa, o Inter não tem nada com isso. O Colorado sai prejudicado pelos projetos alheios, e é obrigado a cumprir o absurdo de jogar duas partidas em 48 horas, algo nada inédito no futebol brasileiro, é verdade, o que é gravíssimo. Tudo porque nosso calendário está abarrotado, não permitindo que os grandes clubes possam sair do país de vez em quando.

Dunga repetirá sua ideia de time hoje à noite no Vale dos Sinos, e é partir daí que a equipe tem crescido: um time mais participativo, com Ygor protegendo a zaga, Otávio dando mais opções a D'Alessandro e Scocco se aproximando tanto dos meias quanto de Damião. Falando nisso, Forlán lesionou-se no último jogo do Uruguai, e pode ficar um tempo fora. Será que retomará a titularidade ao natural? Por mais estivesse fazendo gols, a contribuição do ex-Newell's parece maior ao time. São casos bem diferentes, mas vale lembrar que a lesão de Elano ajudou Renato e acertar o Grêmio.

Mais classificados
Vários países em diversos continentes podem carimbar hoje suas vagas para a Copa do Mundo. Dois jogos chamam especial atenção: por aqui, Uruguai x Colômbia, partida que pode definir a classificação colombiana e encaminhar a uruguaia; na América do Norte, o desesperado México visita os Estados Unidos tentando evitar o fiasco de não chegar entre os quatro melhores do hexagonal decisivo da Concacaf. O inconfundível cheiro de Copa é cada vez mais forte. E ele é bom demais.

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