Metade já foi. E quem para o Cruzeiro?
O Campeonato Brasileiro chegou à sua metade neste domingo com mais uma vitória do líder Cruzeiro. Com 40 pontos, o time mineiro, não apenas pela pontuação, desponta como principal favorito ao título brasileiro da temporada pela regularidade. Olhando para o elenco, não se vê ninguém fora de série, mas há equilíbrio e um grande trabalho do técnico Marcelo Oliveira. Isso pode ser facilmente constatado quando um bom jogador, como Everton Ribeiro, parece ser um craque. Ontem, novamente ele desequilibrou. A diferença de gols poderia ter sido bem maior, o Flamengo teve sorte de perder só por 1 a 0.
A falta de concorrentes próximos também facilita a vida cruzeirense. Quem está mais perto é o Botafogo, que tem um elenco sem tantas opções, o que dificulta a ideia de que terá fôlego para pontuar bastante até o final. No entanto, é o melhor trabalho da carreira do sempre contestado Oswaldo de Oliveira, tão brihante neste Brasileiro quanto o Oliveira cruzeirense: sem Vitinho, soluções inesperadas começam a surgir. Hyuri fez um golaço na vitória sobre o Coritiba quinta passada, e ontem Elias decidiu a partida contra o Criciúma de voleio, calando o Heriberto Hülse, um clara demonstração de força do Fogão. Coisa de time acertado e muito bem feito.
Quem tem mais bala na agulha, em tese, para tirar o título da Raposa, são Grêmio, Corinthians e Internacional. O Tricolor é quem está mais perto, mas já a 6 pontos de distância. O futebol não convence, mas o grupo é forte e tem ganhado mesmo com atuações pouco chamativas, o que é sempre um indício positivo. O Timão tem o elenco mais cheio de estrelas do país, mas está nada menos que dez pontos atrás - o São Paulo, em 2008, estava a 11 do Grêmio de Roth, mas fez um returno de exceção. Já o Inter de Dunga é um time que perde pouco, mas também ganha pouco. A defesa, principal ponto fraco da equipe, começa a se ajeitar, mas a falta de opções no elenco para a parte de trás pode comprometer. Fora o fato de a distância ser igualmente grande.
Isso sem falar no Atlético Paranaense, a grande incógnita. Um time no máximo médio em termos de qualidade técnica, mas que vem numa fase impressionante com Vagner Mancini e, por não ter jogado o estadual, está bem mais descansado que o resto. O Furacão ficará manjado? Ou sobrará ainda mais fisicamente? Será que consegue manter o ritmo? Aguentará o tranco de jogar contra Corinthians, Grêmio, Botafogo e Cruzeiro fora de casa neste returno?
Se lá em cima é todos contra o Cruzeiro, embaixo a briga é ainda mais acirrada. Do Vasco, 10º colocado, para baixo, todos correm risco. O Criciúma tem reagido, mas é um dos mais fracos; Flamengo e Fluminense não engrenam e seguem a perigo; Bahia e Vitória apresentam franca decadência nas últimas rodadas; Portuguesa e Ponte Preta são seriíssimas candidatas; e o São Paulo, bem... tem toda a cara de rebaixado. Ontem, levou 2 a 0 do Coritiba ao natural. A reação das rodadas passadas foi interrompida pela simbólica derrota em casa para o Criciúma, que foi uma ducha fria no Morumbi na quinta passada. Há time para escapar, mas a equipe não engata nunca.
A zebra do ano
Nenhum resultado foi mais surpreendente neste primeiro turno que o empate em 0 a 0 entre Corinthians e Náutico, ontem, no Pacaembu. Resultado que escancara os problemas ofensivos do Timão, sua dependência da dupla Pato-Guerrero e soa o alerta para o Grêmio, que encarará o Timbu nesta quarta. Se bem que o cochilo diante da Portuguesa já é um aviso suficientemente claro de que não dá para relaxar em momento algum dentro do Campeonato Brasileiro.
Rei Zulu
Neste domingo, quem deu show foi o Juventude. Tido como uma espécie de bicho-papão da região Sul na Série D, o Londrina foi ao Alfredo Jaconi com a vantagem de 1 a 0 obtida em casa na semana passada. O Ju saiu ganhando no começo, como pedem as boas reações, mas o gol de Celsinho a 24 do segundo tempo praticamente o eliminava. Aí, Zulu entrou em cena. Fez aos 42, de pênalti, ainda insuficiente, mas aos 46 marcou outro e classificou o Papo para as quartas. Agora, se eliminar o Metropolitano, o time de Caxias do Sul retorna à Série C, um presente no ano do centenário para uma torcida que tanto sofreu nos últimos seis anos. Força o time provou ter ontem.
Em relação ao polêmico Tupi x Aparecidense, em que o massagista do time goiano invadiu o campo e tirou de carrinho um gol certo do time mineiro, o certo é a CBF bani-lo do futebol e marcar uma nova partida, anulando esta. Mas que a história é sensacional, não há dúvidas. Entra para o folclore do futebol.
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