Faltou o 9
O Brasil fez uma boa partida contra a Colômbia. Ainda distante do que se espera de uma seleção brasileira, mas dominou boa parte de um jogo contra um bom adversário, competitivo como talvez nunca os próprios colombianos tenham visto antes. Mas o bom desempenho na maior parte do tempo não significa que não tenha havido problemas. Houve sim, e muitos. Grande parte culpa de Mano Menezes.
O Brasil criou chances de gol em um número bastante razoável. Isto normalmente significa que jogou bem, e de fato foi o que aconteceu. Mas então, por que não venceu a Colômbia? É muito simples a resposta: além da boa qualidade do adversário, faltou quem colocasse a bola para dentro. Se estamos falando de ataque, Leandro Damião não pode ser reserva de Thiago Neves, que nem atacante é, e nem boa fase como meia, sua posição original, vive. O Fluminense foi campeão brasileiro há quatro dias prescindindo de articuladores. Thiago fez um Brasileirão mediano, pior que ao menos uma dúzia de meias criativos espalhados pelos outros 19 clubes. E Deco, sabemos, mal entrou em campo em 2012.
Falando em Fluminense, como Mano Menezes deixou Fred em território nacional e não o levou para Nova Jersey? Só uma falta de visto americano explicaria a ausência daquele que é, hoje, o melhor centroavante brasileiro em atividade, incluindo os estrangeiros. A solução para o ataque da seleção estava no próprio Flu de Thiago Neves, mas, definitivamente, não era Thiago Neves. Se elogiei recentemente o trabalho de Mano no sentido de dar continuidade a uma ideia de time de uns meses para cá, é preciso ressaltar o meu espanto com o fato de ele ter abdicado desta formatação ontem à noite. Desde que Mano assumiu o comando da seleção, o time tem centroavante. Ontem, não teve. Jogou sem referência e com um meia improvisado no ataque. Se a ideia era um time mais veloz, Lucas era nome bem mais indicado que Thiago.
Mas falemos da Colômbia, afinal, achar que o Brasil não ganhou por culpa exclusiva do próprio Brasil é de uma arrogância que nunca tivemos por aqui. É justamente o time cafetero um dos poucos elogios que se pode fazer à equipe canarinha. Os colombianos fazem uma ótima campanha nas Eliminatórias. Vêm de três vitórias seguidas, incluindo uma goleada de 4 a 0 sobre o Uruguai e um 3 a 1 no Chile fora de casa. É uma equipe que não apenas vai chegar na Copa de 2014 como deve incomodar no maior torneio do futebol mundial.
A geração é a melhor desde Valderrama, Rincón e Asprilla, seguramente. Falcao García, que nem foi tão bem ontem, é um centroavante extraordinário, e já falávamos nisso desde os tempos de River Plate. Macnelly Torres já foi sonho de consumo de alguns clubes brasileiros, e não à toa. Rodríguez é habilidoso, Valencia (outro do Flu) é firme, Yepes é um líder, Cuadrado e Armero formam uma boa dupla de laterais no apoio. Há qualidade técnica e, desta vez, consistência de conjunto. Talvez eles tenham aprendido com os vizinhos equatorianos, que formaram bons times na última década justamente deste modo.
O gol colombiano surgiu num olé puxado por sua torcida, nas costas do improvisado Leandro Castán (outro erro terrível de Mano Menezes), mas num momento onde o Brasil mandava no jogo. Oscar, muito marcado, apanhou demais e jogou menos do que em outras vezes. Mas Kaká combinava bem com Neymar e levava perigo, sempre com a segurança dos ótimos Paulinho e Ramires. O primeiro tempo brasileiro foi até melhor que o segundo, embora o empate (e quase a virada) tenham vindo na etapa final.
O Brasil ainda joga com a Argentina na quarta que vem. Ainda está longe do ideal, mas parece fechar o ano melhor do que começou, o que era uma obrigação, mas ainda é pouco. Se o jogo de ontem era uma espécie de indicativo de como seria a campanha se a equipe jogasse as Eliminatórias, estaríamos com uma equipe com certas dificuldades de se manter no G-4.
AMISTOSO
BRASIL (1): Diego Alves; Daniel Alves, David Luiz, Thiago Silva e Leandro Castán (Fábio Santos); Paulinho, Ramires, Kaká e Oscar (Giuliano); Thiago Neves (Lucas) e Neymar. Técnico: Mano Menezes
COLÔMBIA (1): Ospina; Cuadrado, Yepes, Mosquera e Armero; Valencia, Sánchez, Torres (Ramírez) e Rodríguez; Martínez (Gutiérrez) e Falcao García. Técnico: José Pekerman
Local: MetLife Stadium, Nova Jersey (EUA); Data: quarta-feira, 14/11/2012, 22:30; Árbitro: Mark Geiger (Estados Unidos); Público: 38.624; Gols: Cuadrado 43 do 1º; Neymar 18 do 2º; Cartão amarelo: Leandro Castán, Ramírez, Yepes e Armero
O Brasil criou chances de gol em um número bastante razoável. Isto normalmente significa que jogou bem, e de fato foi o que aconteceu. Mas então, por que não venceu a Colômbia? É muito simples a resposta: além da boa qualidade do adversário, faltou quem colocasse a bola para dentro. Se estamos falando de ataque, Leandro Damião não pode ser reserva de Thiago Neves, que nem atacante é, e nem boa fase como meia, sua posição original, vive. O Fluminense foi campeão brasileiro há quatro dias prescindindo de articuladores. Thiago fez um Brasileirão mediano, pior que ao menos uma dúzia de meias criativos espalhados pelos outros 19 clubes. E Deco, sabemos, mal entrou em campo em 2012.
Falando em Fluminense, como Mano Menezes deixou Fred em território nacional e não o levou para Nova Jersey? Só uma falta de visto americano explicaria a ausência daquele que é, hoje, o melhor centroavante brasileiro em atividade, incluindo os estrangeiros. A solução para o ataque da seleção estava no próprio Flu de Thiago Neves, mas, definitivamente, não era Thiago Neves. Se elogiei recentemente o trabalho de Mano no sentido de dar continuidade a uma ideia de time de uns meses para cá, é preciso ressaltar o meu espanto com o fato de ele ter abdicado desta formatação ontem à noite. Desde que Mano assumiu o comando da seleção, o time tem centroavante. Ontem, não teve. Jogou sem referência e com um meia improvisado no ataque. Se a ideia era um time mais veloz, Lucas era nome bem mais indicado que Thiago.
Mas falemos da Colômbia, afinal, achar que o Brasil não ganhou por culpa exclusiva do próprio Brasil é de uma arrogância que nunca tivemos por aqui. É justamente o time cafetero um dos poucos elogios que se pode fazer à equipe canarinha. Os colombianos fazem uma ótima campanha nas Eliminatórias. Vêm de três vitórias seguidas, incluindo uma goleada de 4 a 0 sobre o Uruguai e um 3 a 1 no Chile fora de casa. É uma equipe que não apenas vai chegar na Copa de 2014 como deve incomodar no maior torneio do futebol mundial.
A geração é a melhor desde Valderrama, Rincón e Asprilla, seguramente. Falcao García, que nem foi tão bem ontem, é um centroavante extraordinário, e já falávamos nisso desde os tempos de River Plate. Macnelly Torres já foi sonho de consumo de alguns clubes brasileiros, e não à toa. Rodríguez é habilidoso, Valencia (outro do Flu) é firme, Yepes é um líder, Cuadrado e Armero formam uma boa dupla de laterais no apoio. Há qualidade técnica e, desta vez, consistência de conjunto. Talvez eles tenham aprendido com os vizinhos equatorianos, que formaram bons times na última década justamente deste modo.
O gol colombiano surgiu num olé puxado por sua torcida, nas costas do improvisado Leandro Castán (outro erro terrível de Mano Menezes), mas num momento onde o Brasil mandava no jogo. Oscar, muito marcado, apanhou demais e jogou menos do que em outras vezes. Mas Kaká combinava bem com Neymar e levava perigo, sempre com a segurança dos ótimos Paulinho e Ramires. O primeiro tempo brasileiro foi até melhor que o segundo, embora o empate (e quase a virada) tenham vindo na etapa final.
O Brasil ainda joga com a Argentina na quarta que vem. Ainda está longe do ideal, mas parece fechar o ano melhor do que começou, o que era uma obrigação, mas ainda é pouco. Se o jogo de ontem era uma espécie de indicativo de como seria a campanha se a equipe jogasse as Eliminatórias, estaríamos com uma equipe com certas dificuldades de se manter no G-4.
AMISTOSO
Local: MetLife Stadium, Nova Jersey (EUA); Data: quarta-feira, 14/11/2012, 22:30; Árbitro: Mark Geiger (Estados Unidos); Público: 38.624; Gols: Cuadrado 43 do 1º; Neymar 18 do 2º; Cartão amarelo: Leandro Castán, Ramírez, Yepes e Armero

Comentários