Das apostas, a melhor

Liberado pelo Inter, onde era auxiliar, e dado como certo no Grêmio, Julinho Camargo é uma boa aposta. Visivelmente talentoso como técnico, fez excelente trabalho nas categorias de base do tricolor. Por isso mesmo, conhece o clube como poucos, e saberá levar a gurizada, tem experiência em lançar jovens. Como técnico no interior gaúcho, montou sempre equipes consistentes, sólidas. Demonstra conhecimento tático e boa organização defensiva, duas qualidades fundamentais.

É mais válido o Grêmio pensar em lançar mais um técnico gaúcho, de reconhecidas capacidades, para o mercado brasileiro que gastar fortunas em Cuca, Celso Roth ou Adílson Batista, treinadores que já passaram pelo Olímpico e poucos resultados obtiveram. São nomes supervalorizados, de salários com seis casas antes da vírgula, que quase nunca se pagam.

Há dois poréns na escolha: a primeira é o momento. Será a hora de o Grêmio apostar? Bom, por um lado o grupo de jogadores está renovado. O time que começou 2011 e fracassou no primeiro semestre é diferente do que está sendo ensaiado. Mesmo assim, é metade de uma temporada, a cobrança por resultados é imensa e imediata. O Grêmio precisa de pontos, não começou bem no Campeonato Brasileiro. Trazer um técnico-aposta, como foram Tite, De León e Silas nos últimos anos, é muito mais conveniente num início de ano, com tempo para trabalhar e pensar o plantel. Por outro lado, a melhor aposta gremista desde Felipão, Mano Menezes, veio em abril. Com necessidade muito mais absurda que a que carrega Julinho agora.

O outro é a necessidade do Grêmio de trazer um técnico que discipline algumas peças do elenco. Douglas, por exemplo, precisa de alguém que o faça jogar, que o motive, que o enquadre. Julinho é novo e, pelo que já ouvi, não tem esse perfil. Talvez fosse a hora de alguém com mais cartaz. Mas ele terá a seu lado ninguém menos que Gilberto Silva, um jogador tão bom de grupo que é capaz de realizar esta tarefa. Isso sem falar em outros bons exemplos, para não deixarmos a impressão de que o grupo de jogadores gremistas só tem gente difícil. Até anda faltando um pouco mais disso, na verdade.

É uma aposta. Em princípio, boa. Se dará certo ou não, só Deus sabe. Mas é interessante ver um time que não se contenta em ficar procurando treinador naquela velha listinha de sempre, que passa por todos os outros clubes.

Comentários

Chico disse…
Gostei da escolha por todos os motivos já citados por ti.

Só falta trazer um zagueiro de verdade.
Vicente Fonseca disse…
Só uma coisa: eu não tenho certeza se gostei da escolha. Fico bem dividido. Acho bom técnico, mas não é o melhor momento para trazê-lo.

A ver.
Vicente Fonseca disse…
Mas enfim, melhor que Cuca, Adílson etc. Se não der certo, ao menos saiu bem mais barato. Chega de pagar caro para técnico que não resolve.
Solon Saldanha disse…
Parabéns pela lucidez com que coloca todos os seus argumentos. Concordo que futebol tem que ter ousadia e esta decisão, apesar do grau de risco, poderá sim dar bons resultados. Muito melhor do que as manjadas alternativas de sempre.

Solon Saldanha
Vicente Fonseca disse…
Obrigado pelos elogios, Solon! Abraço.
Zezinho disse…
Recordo com mais afinco de dois trabalhos do Julinho: no Grêmio vice do Brasileiro Sub20 e campeão da Copa RS, em 2006, e no Novo Hamburgo, em 2011

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Na campanha do Brasileirão Sub20, ele montou a equipe no 4-4-2 em losango, com dois laterais apoiadores, um cabeça-de-área, um segundo volante que saía pra o jogo, um terceiro homem de meio-campo apoiador e um meia-armador ponta-de-lança.

A equipe base era: Cássio; Felipe Mattione, Léo, Caçapa e Anderson Pico; William Magrão, Vasco, Marcelo Costa e Carlos Eduardo; Aloísio e Fernando Genro.

Já na Copa RS do mesmo ano, a equipe jogava num 4-2-3-1 semelhante ao que o Mano utilizava no profissional. Um volante fazia o papel de terceiro defensor, eventualmente, e o segundo volante se juntava à linha de três armadores que constantemente ingressava na área para finalizar.

O time-base era: Matheus; Felipe Mattione, Thiego (Léo), Caçapa e Revson (Anderson Pico); William Magrão, Adílson (Itaqui), Éverton, Carlos Eduardo e Bruno Coutinho; Guilherme Só

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No Nóia ele montou um 4-4-2 em losango muito parecido com o montado no Grêmio. A defesa era compacta e dificilmente o atacante adversário ficava no mano-a-mano com o zagueiro. No entanto, a transição de bola para o ataque era muito lenta, a equipe atacava com três jogadores apenas e dependia da bola aérea - mal aproveitada - e dos chutes a longa distância do Márcio Hahn.

Um porém foi a insistência dele nos jogares veteranos e de pouca resposta, como Michel - visivelmente fora de forma e errando todos cruzamentos possíveis - e Gustavo Papa. Rodrigo Mendes alternava bons e maus momentos, mas ficava sozinho na armação ao invés de jogar na área, como homem de referência. A ressalva que se faz é que o grupo foi montado por Gilmar Iser.

A equipe-base era: Eduardo Martini; Bosco, Cláudio Luiz, Lino e Fabinho; Russo, Márcio Hahn, Eduardinho e Rodrigo Mendes; Michel e Gustavo Papa (Juba)

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Não podemos descartar também a possibilidade da direção negociar algumas estrelas na janela de Julho-Agosto. Se assim o fizer terá um argumento a mais para fazer a oxigenação necessária e um novo trabalho a médio prazo
Chico disse…
Ué?! Mas o Zini não disse que o técnico do Tricolor ia ser o Cuca?
Lique disse…
salário de técnico no brasil tá demais. sou mais a favor de apostar em tipos como julinho camargo, leandro machado, marcelo rospide e gilmar iser do que despejar essa grana toda nesses caras aí que muito melhores não são. a folha salarial do grêmio já tá demais. só será estranho ver um técnico ganhando menos do que vários dos seus jogadores.
Marcelo disse…
Mais uma vez a análise do Carta na Manga é a mais lúcida.
Pior que está cada vez mais difícil encontrar opiniões moderadas por aí. A torcida do Grêmio anda muito enlouquecida, da pior maneira possível.
Vicente Fonseca disse…
É verdade, Lique.

Valeu, Marcelo!

Abraços.
Anônimo disse…
A maior diferença na comparação que andam fazendo com outras apostas que o Grêmio já fez é que com Felipão e Mano os times foram montados com refugos e jogadores desprestigiados, motivados pela vontade de mostrar que mereciam espaço.

Hoje temos um grupo com o ego inflado em outros clubes ou pelo nosso ex-treinador, que fez todo mundo acreditar que ele jogavam mais do que realmente sabem.
samir disse…
O que me assusta nessa escolha não é pelo Julinho. Acho q ele tem uma boa capacidade como treinador, porém, como já foi visto na entrevista, ele tem uma fala baixa, mansa. Me parece que ele precisa ser bem protegido pela direção, porém, não sei se AVM é capaz de dar esse respaldo. Não me pareça q ele tenha essa moral diante do grupo, me parece que seria necessário ter um outro comandante no futebol do Grêmio.