Cinco minutos, um continente
| Peñarol comemora classificação em pleno Beira-Rio |
Muito se avisou que era jogo perigoso. Porém, só se citavam como possibilidades de derrota a catimba uruguaia, o peso da camisa aurinegra, a tradição do futebol charrua. Nunca se falou que poderia ter ocorrido a tragédia dentro de campo. Foi o que ocorreu. Como sempre, aliás.
É claro que os dois gols tomados em menos de cinco minutos na largada do segundo tempo (especialmente o primeiro, com 15 segundos) são imperdoáveis, mas o Inter pecou em diversos outros aspectos. A lentidão na saída da defesa para o ataque é problema há um bom tempo. E ela só ocorre porque o Internacional é um time que tem medo de chutar a gol. Não há equipe na Libertadores que tenha tocado mais a bola que o Colorado. Mas toca sem objetividade, de forma horizontal, sem imaginação.
Na hora de fazer a pressão, faltou justamente empilhar chances de gol para empatar e virar o jogo. O Inter só começou a encurralar o Peñarol mesmo 25 minutos depois de sofrer o 2 a 1, lá pelos 30 do segundo tempo. Antes disso, mantinha a bola nos pés de forma irritante. Os três meias de Falcão, em vez de concederem criatividade, acabaram retirando parte do poder de fogo na hora de concluir. Heranças ainda dos tempos de um atacante apenas, formulado por Celso Roth (não, a culpa desta eliminação não é de Roth).
O Internacional sai muito cedo da Libertadores, mas para um time cascudo. O Peñarol passou de fase com uma rodada de antecipação num grupo difícil. Tem muito mais que só camiseta: Mier, por exemplo, cairia como uma luva no Grêmio. Assim como Martinuccio, o carrasco vermelho de 2011, teria lugar em pelo menos 15 dos 20 times da Série A do Brasileirão.
UNIVERSIDAD CATÓLICA 1 x 0 GRÊMIO
O Grêmio já chegou praticamente eliminado em Santiago. Precisando vencer por dois gols de diferença com um time quase reserva, o Tricolor em momento algum dos 180 minutos conseguiu se impor à Universidad Católica. Aliás, à exceção dos 2 a 0 contra o Atlético Júnior, o Grêmio nunca jogou bem nesta Libertadores.
O time que entrou em campo hoje é, provavelmente, o pior da história gremista em uma partida por esta competição. Nenhuma solução criativa, uma ou outra chance de gol criada a duras penas. Eliminado ao natural pela Universidad Católica, com duas derrotas que exprimem uma inferioridade incontestável no confronto. Algo que preconceituosamente se diz de times sul-americanos diante de brasileiros pretensamente superiores sempre.
É até difícil analisar o time de ontem, pois simplesmente nunca jogou junto. Fato é que o Grêmio precisa mudar, e muito. E sem perder tempo, pois o Brasileirão começa em duas semanas. Ele é muito mais importante que qualquer Gre-Nal de Gauchão.
Melhores? Mesmo?
O futebol brasileiro, à exceção do Cruzeiro, nunca chegou a convencer de fato nesta Libertadores. A primeira fase do Inter foi de pouquíssimos testes reais e atuações medianas; o Grêmio chegou a ser goleado pelo Oriente Petrolero, coroando um segundo lugar numa chave fraquíssima; o Fluminense até conseguiu passar de forma heroica num grupo difícil, mas também deveu futebol por um bom tempo; o Santos, além de ficar em segundo lugar, também esteve a ponto de cair fora algumas vezes. As oitavas de final, portanto, não deveriam surpreender tanto quem viu a primeira fase. Mas é claro que o respeito, o maior poderio econômico e os times teoricamente mais qualificados poderiam se sobressair, uma hora ou outra.
A queda do Cruzeiro para o Once Caldas, preconizada por Felipe Prestes, é a mais chamativa de todas. Foi talvez o retrato da arrogância brasileira quando o assunto é Libertadores: líder geral contra o pior vice, ganhou fora de casa, decidia em Minas. Cenário pronto para a festa? Poucos lembraram que o Once Caldas só havia perdido um de seus seis jogos na primeira fase. Time empatador, quatro em seis jogos. Poderia ser complicado no mata-mata. Como dissemos recentemente, mata-mata é outra Libertadores.
E só sobrou o Santos para contar história. Muricy não será eliminado por brasileiros desta vez.
Foto: AFP.
Comentários
gostei de ter visto o inter cair só pra ver o falcao se foder, nao curto ele. balaqueiro safado. vai assistir o jogo do barcelona e aprender um pouco. acha que tocar a bola é suficiente, mas o barcelona tem muito sangue e é um projeto de anos, de base, sempre reforçado por contrataçoes pontuais, criteriosas e certeiras (villa, dani alves, afellay).
É cada um por si!
Ontem, trocando alguns tweets com o Zé e o Samir, apontei o erro de Falcão ao substituir. Num time que precisa criar e arrematar a gol, trocar Oscar por Tinga foi um senhor equívoco. E esse foi aumentado pela outra troca, de Ricardo Goulart por Andrezinho.O Inter continuou com transpiração na meia-cancha, mas menos inspiração. E com um jogador a menos para colocar bola na área.
O Tinga surgiu no Grêmio como meia-atacante, usando a camisa 10 num 2x1 contra o Sport, em 97. Atuava ali, na meia-direita ou na ponta-direita, mas sem muita regularidade. Chegou a ser emprestado pro futebol japonês e pro Botafogo. Seu futebol só evoluiu em 2001, quando Tite o colocou como volante, pois Tinga tinha defeitos sérios no chute e na armação de jogadas. Depois de 10 anos, então, Tinga é novamente colocado na meia. O resultado não poderia ser outro - e já visto contra o Mazembe.
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Os motivos da eliminação do Grêmio já haviam sido elencados aqui, algumas dezenas de vezes. Ontem tivemos o capítulo derradeiro da histórico gremista na década passada: um time sem ambição e incapaz de propor o jogo.
O time mais copeiro dos anos 1990 se transformou num ex-grande na década de 2000. Um time incapaz de ganhar em gramados grandes - Morumbi, Maracanã, Mineirão, Beira-Rio. Suas glórias apenas povoam as lembranças de seus torcedores. O grêmio virou um time cagão. Não sabe encarar de igual para igual um adversário de mesma grandeza. O Grêmio só sabe se inferiorizar diante dos rivais. Quando ataca, o faz com medo.
Três volantes num jogo decisivo. Um time incapaz de fazer um abafa, arrematar a gol.
Qualquer criança sabia que o Grêmio seria eliminado precocemente da Libertadores. Sobretudo uma criança nascida nos anos 2000.
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Principal razão da eliminação dos brasileiros: jogadores usando chuteiras coloridas