Alívio no Rio Grande

O apito final de Ronaldo Santos Silva no Estádio dos Plátanos foi de alívio geral. Para a torcida do Santa Cruz, por ver seu time classificado (o jogo estava todo para o Grêmio, que tinha mais fôlego); para a torcida do Grêmio, por evitar o Gre-Nal prematuro das quartas de final, no Beira-Rio, em semana de Libertadores para o Tricolor e folga para o Colorado; e para Paulo Roberto Falcão, que certamente não se sentia do modo mais confortável tendo que estrear no comando do Inter em um clássico decisivo.

O gol de Borges, aos 43 do segundo tempo, fez parcial justiça ao placar. Evitou-se uma grande incorreção: a partida do Grêmio não era para derrota, mas para vitória. No primeiro tempo, dominou completamente o Santa Cruz e não marcou por falta de sorte (várias bolas na trave), incompetência em concluir e alguns milagres do goleiro César. O mais notável deles num sem-pulo belíssimo de Rodolfo, aparando falta batida no travessão por Lúcio.

Embora não tenha faltado conclusão, faltou ataque ao Grêmio. Leandro pela primeira vez fez uma partida fraca. Sucumbiu à marcação do Santa Cruz e pouco teve espaço. Borges cansou de perder gols bisonhos. No segundo tempo, nem domínio mais ele obtinha. Mas esses problemas de frente em nada alteram os bons desempenhos de Mário Fernandes, destemido pela direita, Willian Magrão, que apareceu de homem-surpresa várias vezes no ataque, e Lúcio, muito veloz nas combinações pelo lado canhoto.

O gol do time da casa foi uma das únicas chances suas em todo o jogo. Alejandro cabeceou completamente livre, um problema que o Grêmio tem mesmo apresentado. Régis quase ampliou numa belíssima jogada coletiva pela esquerda, outro vacilo defensivo gremista imperdoável. Mas foi só. Adilson teve atuação correta como primeiro volante, impedindo maiores movimentações do habilidoso Juari em direção ao gol de Victor. A própria marcação ofensiva do time de Renato era um trunfo, embora o nervosismo com a possibilidade de derrota tenha ocasionado um decréscimo na qualidade da atuação do segundo tempo.

O Grêmio evita um desgaste desnecessário de encarar um clássico na casa do adversário numa semana de viagem longa. Enfrentará o Ypiranga, o qual goleou por 5 a 0 no Olímpico no primeiro mata-mata da Taça Piratini. E, embora pareça estranho, já que terminou o grupo num modesto 3º lugar, mantém o Gre-Nal futuro, por enquanto, no Olímpico: são 13 pontos para cada lado, mas quatro vitórias gremistas e três coloradas. Regulamento estranho, mas bastante claro.

Campeonato Gaúcho 2011 - Taça Farroupilha - Grupo 2 - 7ª rodada
10/abril/2011
SANTA CRUZ 1 x GRÊMIO 1
Local: Plátanos, Santa Cruz do Sul (RS)
Árbitro: Ronaldo Santos Silva
Público e renda: não divulgados
Gols: Alejandro 12 e Borges (pênalti) 43 do 2º
Cartão amarelo: Rodrigo Rizzo, Luiz Henrique, Régis, Rodolfo e Pessalli
SANTA CRUZ: César (8), Anelka (5,5), Rodrigo Rizzo (6) e Luiz Henrique (6,5); Régis (6), Xipote (5,5), Uillian (5,5), Alejandro (6,5) e Cristiano (4,5) (Vinícius, intervalo - 6); Juari (6) (Osmar, 26 do 2º - 4,5) e Leonardo (4,5) (Maico, 35 do 2º - sem nota). Técnico: Edinho (5,5)
GRÊMIO: Victor (5,5), Mário Fernandes (6,5), Rafael Marques (5), Rodolfo (5,5) e Gílson (5,5) (Escudero, 18 do 2º - 6); Adilson (6), Willian Magrão (6) (Vinícius Pacheco, 13 do 2º - 5,5), Lúcio (6,5) e Pessalli (5,5); Leandro (4,5) (Lins, 29 do 2º - 5) e Borges (5,5). Técnico: Renato Portaluppi (5,5)

Comentários

Marcelo disse…
Azar do politicamente correto, eu tava torcendo por Grenal, pro Renato atropelar o Falcão na estréia.
E o Renato tá salvando o futebol da chatice, a entrevista dele depois do jogo foi genial.