O Furacão vive

Edinho não impediu a derrota do Palmeiras em Curitiba

O Atlético/PR não saiu da briga ainda. Talvez seja o que menos tem recursos de todos os que estão na luta por Libertadores, mas hoje superou suas deficiências e venceu o Palmeiras na base da insistência. E sem a bola parada, que todos previam que decidiria o jogo, pois tínhamos Paulo Baier de um lado e Marcos Assunção do outro.

O Furacão foi superior ao Palmeiras, que mais uma vez mostrou sérios problemas de elenco. Sem Kleber, suspenso, Felipão apostou em Luan e Tadeu para compor a dupla de frente, já que Ewerthon só tinha condição de atuar por poucos minutos. Por mais que sejam jogadores voluntariosos, não há como. Além disso, Valdívia foi ausência muito sentida, principalmente porque Lincoln, que é bom jogador, teve uma de suas piores atuações com a camisa verde-limão (sem dúvida, o pior que o Palmeiras apresentou, hoje e sempre).

O Atlético/PR, por sua vez, soube lidar melhor com os desfalques, e não foram poucos: Rhodolfo, Branquinho e Maikon Leite são titulares importantes. Rafael Santos (aquele mesmo, fraco zagueiro que passou pelo Inter em 2007) não comprometeu. O problema maior, porém, vinha na frente. Embora González fizesse boas combinações com Paulinho (ex-Novo Hamburgo) pela esquerda, pecava demais na conclusão. E Bruno Mineiro, há sete jogos sem marcar, definitivamente vive péssimo momento.

O jogo foi corrido e interessante no primeiro tempo, mas caiu drasticamente de nível no segundo, com os times mais cansados e errando diversos passes. Foi premiada a equipe que, por priorizar o Brasileiro e jogar em casa, nunca desistiu de vencer o jogo. E aí brilhou a estrela do técnico Sérgio Soares, uma espécie de mistura de Cafu com Paulo Paixão: Marcelo e Nieto, dois que entraram no decorrer da etapa final, definiram a partida. Bom cruzamento da direita, nas costas de Gabriel Silva (fez boa partida), conclusão impecável do argentino, de primeira, alta, sem chances para o seguro Deola.

O Furacão entra na turma dos 50 pontos, que prejudica o Grêmio por ter 13 vitórias, uma a menos que todos os outros (Santos, Inter, São Paulo e Atlético/PR). O Palmeiras, com 47, dá adeus ao campeonato. Com a baixa pontuação e a pouca bola que vem jogando, não tem chance alguma de tirar sete pontos para o Botafogo. E àqueles que consideram o Verdão favorito absoluto ao título da Sul-Americana, advirto: Felipão terá muito mais trabalho do que se imagina. Seu time não empolga e não é tão superior aos estrangeiros a ponto de considerarmos favas contadas. Talvez com Valdívia e Kleber a história seja diferente. Eu não ponho a mão no fogo.

Campeonato Brasileiro 2010 – 33ª rodada
4/novembro/2010
ATLÉTICO/PR 1 x PALMEIRAS 0
Local: Arena da Baixada, Curitiba (PR)
Árbitro: Wallace Nascimento Valente (ES)
Público: 19.749
Renda: R$ 334.410,00
Gol: Nieto 39 do 2º
Cartão amarelo: Lincoln
ATLÉTICO/PR: Neto (6), Wagner Diniz (4,5), Manoel (6), Rafael Santos (5) e Paulinho (6); Chico (6), Vítor (5,5) (Claiton, 23 do 2º - 5,5), Netinho (5,5) (Nieto, 11 do 2º - 6,5) e Paulo Baier (5,5); González (5,5) e Bruno Mineiro (4,5) (Marcelo, 21 do 2º - 6). Técnico: Sérgio Soares (6,5)
PALMEIRAS: Deola (6), Márcio Araújo (5), Danilo (5,5), Fabrício (5,5) e Gabriel Silva (5,5); Edinho (5,5), Marcos Assunção (5), Tinga (5) (Vinícius, 42 do 2º - sem nota) e Lincoln (4) (Pierre, 29 do 2º - 5); Luan (5,5) e Tadeu (5) (Ewerthon, 38 do 2º - sem nota). Técnico: Luiz Felipe Scolari (4,5)

Foto: Giuliano Gomes/Gazeta Press.

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