13º encaminhado
| Conca e Fred foram decisivos em Barueri |
Após a final de 1997, quando Vasco segurou um duplo 0 a 0 e sagrou-se campeão brasileiro pela terceira vez, o placar eletrônico do Maracanã exibia, orgulhoso, a conta: “Rio 10 x 9 São Paulo”. Uma alusão ao número de títulos nacionais dos eternos estados rivais. De lá para cá, o Vasco ganhou o torneio em 2000, enquanto os paulistas ganharam nada menos que oito troféus com Santos, Corinthians e São Paulo, abrindo 17 a 11. No entanto, com o título flamenguista no ano passado e o jeito como se encaminha o Brasileiro de 2010, a conta promete se reequilibrar.
O Fluminense (1º, 65), verdade seja dita, virou o favorito após a rodada de ontem. A lógica indica que obterá seu segundo título brasileiro. Não só porque venceu o São Paulo (9º, 51) por 4 a 1 com a autoridade de quem vai levar a taça, mas pelo tropeço não tão surpreendente do Corinthians (2º, 64) para o desesperado Vitória (17º, 40), em Salvador. E porque tem, daqui para a frente, uma tabela tão boa quanto à do rival. Só que um pontinho à frente.
Na próxima rodada, o adversário será o Palmeiras (10º, 50), que prioriza a Sul-Americana às custas de um papelão no Campeonato Brasileiro. Sem titulares e com pressão para perder de propósito, o Flu é grande favorito, mesmo em Araraquara. O Timão , por sua vez, recebe um Vasco (11º, 46) que foi triturado em 30 minutos pelo Cruzeiro (3º, 63) ontem. Ganhará. A torcida vascaína fará a mesma pressão pelo “entrega” – embora, reitero, não acredito que os jogadores façam isso deliberadamente.
Na última rodada, os paulistas visitam o rebaixado Goiás (19º, 32), e o Flu recebe o provavelmente já rebaixado Guarani (18º, 37). Tendência de seis pontos para ambos: 71 a 70, no fim das contas. Quem perder pontos nestas fáceis partidas finais, portanto, não merece ser o campeão brasileiro. Se ambos perderem, o Cruzeiro está aí, de olho: dois pontinhos atrás, recebe Flamengo (13º, 43) e Palmeiras que, bem lembrado!, também têm rivais disputando a ponta. É chato ver o campeonato sempre decidido sob o signo da desconfiança da honestidade de seus coadjuvantes.
Rebaixamento
O Goiás (19º, 32) é o segundo a cair. Saiu na frente do Santos (7º, 55), sofreu o empate, e viu Neymar, melhor atacante do campeonato ao lado de Jonas, destruir nos minutos finais. Concentra-se na Sul-Americana, onde tem tarefa dificílima, sob a estigma de ter sido humilhado e rebaixado no fim de semana. Não será fácil.
Por outro lado, o resto da briga está excepcional. O Avaí (16º, 40) aproveitou a inferioridade numérica do Atlético/GO (15º, 40) e aplicou 3 a 0 na Ressacada abarrotada de gente. Os catarinenses pegam Santos em casa e Atlético/PR (5º, 56) fora, nada fácil; os goianos recebem o São Paulo e visitam o Vitória. Os baianos, na próxima rodada, visitam o Inter. E o Guarani, que vai cair, pode ser rebaixado já semana que vem, quando recebe um Grêmio com a faca na bota, disposto a voltar à Libertadores. Na última partida, o adversário é o Fluminense, no Rio.
Flamengo (13º, 43) e Atlético/MG (14º, 42) é que respiraram nesta rodada ao baterem Guarani (2 a 1) e Palmeiras (2 a 0), respectivamente. Os cariocas precisavam demais do resultado, pois ainda pegam Cruzeiro e Santos; os mineiros têm tarefas fáceis: Goiás e São Paulo. O Galo não cai mais.
Série B
Com a derrota para o América/MG (4º, 62), o Sport (6º, 56) está eliminado. A briga fica entre o Coelho, que visita a mui decadente Ponte Preta (14º, 47), e a Portuguesa (5º, 59), que vai à Ilha pegar o Sport. A rodada garantiu as quedas de Ipatinga e Santo André. Disputam a salvação Guaratinguetá (44), Vila Nova (43), Brasiliense (43) e América/RN (41). Dois caem daí.
Foto: Photocamera.
Comentários
SP - 44 (29 ligas, 15 taças)
RJ - 22 (17 ligas, 5 taças)
RS - 11 (5 ligas, 6 taças)
MG - 7 (2 ligas, 5 taças)
BA - 2 (1 liga, 1 taça)
PE - 2 (1 liga, 1 taça)
PR - 2 (2 ligas)
PA - 1 (1 copa)
SC - 1 (1 copa)
Futebol carioca em crise ganharia 2º título consecutivo, fora os recentes títulos na Copa do Brasil de Flamengo e Fluminense.
-Liga (57)-
SP - 29
RJ - 17
RS - 5
MG - 2
PR - 2
BA - 1
PE - 1
-Taça (35)-
SP - 15
RS - 6
RJ - 5
MG - 5
BA - 1
PE - 1
PA - 1
SC - 1
=D
É meio esdrúxulo dizer isso ao ver esse técnico ganhar seu quarto título de Brasileirão em 5 anos, mas nenhum time dele foi capaz de me fazer parar em frente a TV e admirar seu futebol.
Sou da escola de Felipão, Mano e Roth, de equipes competitivas, por vezes limitadas, aprecio esse futebol, mas o 'Muricybol' não me agrada. Acho que suas equipes não jogam como campeãs, como líderes, como melhores equipes de um campeonato.
Acho equipes insossas e limitadas, mas que têm a virtude de se defenderem bem
Realmente falta um algo a mais nos times dele.
Mas não é só pela falta dele que o time ia mal. O Fluminense estava desconjuntado e fez um papelão no Campeonato Carioca.
Essa equipe do Flu, como disse o Lourenço, tem muitas carências para uma equipe campeã, o que aumenta os méritos do Muricy. As quatro estrelas - Washington, Fred, Deco e Beletti - pouco ou nada contribuíram à campanha. O craque - Conca - e os coadjuvantes - Mariano, Leandro Euzébio, Gum, Diguinho, entreo outros - têm maior participação na transformação de uma equipe em potencial ao descenso tornar-se a virtual campeã brasileira.
No entanto, não vejo um futebol consistente e regular para um líder, como visto em outros anos - e elevado à enésima potência pelo Cruzeiro de 2003, melhor time da década. Muito se fala do trabalho do Muricy no São Paulo, mas creio que o trabalho em que mais se viu sua mão foi no Inter, em 2003.
Pegou um time que sobreviveu ao rebaixamento no ano anterior e transformou-o em vencedor. Em que pese as presenças de Daniel Carvalho e Nilmar, o resto do time tinha Clemer, Wilsão, Sangaletti, Gavilán, Claiton, Edu Silva (!), Dieguinho e Jefferson Feijão. E foi 6º colocado naquele Brasileirão.
Muitos dos jogos do Inter foram vencidos na base do 1x0, 2x1, em que Daniel Carvalho ou Gavilán cobravam faltas os escanteios com a bola caindo na frente do goleiro e um grandalhão dava uma casquinha e matava o arqueiro. Mas era um time limitado, em que o Muricy tirou leite de pedra.
Em equipes mais estreladas, caso de São Paulo e Palmeiras, Muricy venceu, mas seu desempenho era aquém dos investimentos nos grupos. Pareciam equipes que jogavam com o freio-de-mão puxado, sem anseio em amassar o adversário.
É um estilo de jogo, vitorioso, mas que ainda não me apetece.
1) O Muricy tem méritos na montagem do elenco do São Paulo. Teve jogadores bons na mão, mas muitos indicados por ele;
2) Nem todos os técnicos fazem o São Paulo ganhar como Muricy conseguiu, vide Ricardo Gomes.
E se tem uma coisa que eu admiro no Muricy é que ele foi tri-campeão brasileiro usando o 3-5-2, tão demonizado por alguns especialistas(?) da crônica esportiva