Prêmio à organização
| Ramon não conseguiu espaços para criar no Barradão |
O 3 a 0 não foi fruto de uma superioridade incontestável, de um show de bola, de uma atuação magistral. Foi um prêmio pela organização e extrema obediência tática dos jogadores do Grêmio, que cumpriram à risca o planejamento pensado por Renato Portaluppi. O time foi agraciado com um gol quase fortuito no começo, o que facilitou a estratégia defensiva proposta desde o princípio da partida.
Sem Vilson, Rafael Marques, Adilson e Fábio Rochemback, Renato se via sem toda a coluna vertebral de seu sistema defensivo. Como se não bastasse isso, não teve Douglas e André Lima na frente. Sua ideia foi segurar o Vitória com sua defesa já sólida, mesmo que os nomes fossem outros, repetindo a estratégia de pôr um zagueiro como volante. O detalhe é que eram basicamente meninos os substitutos. E para a fogueira do Barradão foram Saimon, Neuton, Maylson, Fernando e Roberson.
Foi uma atuação extraordinária do ponto de vista defensivo, e Renato merece todos os aplausos por conta disso. Seu time raramente sofreu tentativas reais de gol, basta ver que Victor fez poucas defesas ao longo do jogo. O Vitória não penetrava. Pela direita, não havia lateral de ofício, e Fábio Santos tinha o auxílio de Lúcio para conter Elkeson. Pela esquerda, os baianos defrontavam Gabriel, que foi simplesmente espetacular sob todos os pontos de vista, mas especialmente o defensivo. No fim, depois de muito suportar a pressão, vieram os dois gols definitivos, que consolidam a curiosamente apertada goleada gremista.
Se o Brasileirão ainda tivesse G-4, e não G-3, o Grêmio estaria muito no páreo por uma das vagas à próxima Libertadores. A recuperação é realmente extraordinária, e mais uma vez o time venceu bem, mesmo com sérios desfalques, o que dá uma boa dimensão da qualidade do plantel que há na Azenha. A cada atuação que faz este Grêmio de Renato, a cada posição que sobe na tabela, a cada três pontos que soma, a torcida tricolor certamente, lá no fundo, lamenta o fato de que dois meses jogados no lixo comprometeram demais um campeonato que tinha tudo para ser muito bom.
Inter 3 x 0 Guarani
A cada duas ou três rodadas, reacende-se a discussão: agora, o Inter volta a ser candidato ao título, certo? Fato é que o time de Celso Roth bateu o adversário fraco, algo que Corinthians e Fluminense não conseguiram. O Cruzeiro pegou um rival complicado, mas também não ganhou.
O momento, entretanto, exige cautela. Na quarta, há o Ceará, lá em Fortaleza. A ordem é priorizar o aspecto físico em detrimento do técnico. Trocando em miúdos: titulares desgastados não jogarão. Faz certo, o Inter. O que vier no Brasileirão é lucro. O importante é olhar mais adiante.
Atlético/GO 2 x 3 Atlético/MG
Deu Galo, no último minuto. A distância para a saída do Z-4 é de quatro pontinhos. Já foi de oito. Dorival Júnior conseguiu, em dois jogos fora de casa, dar ao time mineiro quatro preciosos pontos contra adversários diretos. Agora, o maior dos desafios: o Corinthians, em casa. Para ver se o time embalou mesmo.
Em tempo:
- Diego Clementino é o terror dos rebotes.
- Grêmio não vencia em Salvador há 11 anos. Não vencia quatro seguidas fora pelo Brasileiro desde 2006. Não ficava seis jogos invictos longe do Olímpico pelo maior certame desde 1989/90.
Foto: Felipe Oliveira.
Comentários
E é incrível como o Renato ajustou o psicológico de todos dentro do Grêmio. Palmas pra ele. Precisava mesmo um comandante de estilo carioca para acalmar os ânimos, tratar depressão e trabalhar calmamente os objetivos. Quando precisar de um psicólogo, vou até o Olímpico.
e se o primeiro turno fosse um pouquinho diferente...