O retorno do Vale do Taquari

Frederick Posselt Martins*
Quem gosta do Campeonato Gaúcho, pode bem se lembrar daquela edição de 1994, onde nada menos que 23 times disputavam, em um campeonato de PONTOS CORRIDOS, o troféu máximo da competição. Com o Inter liderando quase todo o campeonato e o Grêmio praticamente parado para jogar o Brasileirão, era interessante ver quais times estavam na disputa: Aimoré, Grêmio Santanense, São Paulo, Guarani de Cruz Alta, Guarany de Bagé, Guarani de Garibaldi, Brasil de Farroupilha, Passo Fundo. Eram tantos times que, analisando hoje a época, mal dá pra acreditar que existam tantos no Rio Grande do Sul. E isso que nem citamos os que posteriormente subiram, como São Gabriel, XV de Novembro, Santo Ângelo, Palmeirense, 14 de Julho, Gaúcho, Farroupilha, Grêmio Bagé. Uma infinidade, que dá pena de saber que mal conseguem sustentar o departamento de futebol nestes tempos onde a economia cada vez mais toma conta do nobre esporte são-gabrielense (abraço, Magrão).

Um desses times nostálgicos é o Lajeadense. Sempre via essa equipe do Vale do Taquari como uma equipe competitiva - ao estilo Esportivo, se é que vocês me entendem. Ok, o uniforme é azul e branco, tal qual a equipe de Bento, e o nome do estádio lembra muito produtos do interior gaúcho (quem aí nunca comeu as balas Florestal?). Não sei se me enganei com o passar dos anos, mas a equipe caiu logo depois do campeonato de 94. Chegou a voltar em 99, mas caiu logo em seguida novamente, penando por onze anos no calvário da Segundona - este campeonato tão ou mais digno que o Gauchão da Multisom, com absurdos CINCO times da capital -, viajando de Uruguaiana a Tramandaí, de Nonoai ao Chuí, na esperança de, um dia, retornar ao certame principal do ludopédio pampeano para enfrentar os frescos das Duplas Gre-Nal e Ca-Ju (não falaremos Bra-Pel, porque aí estaríamos cometendo um pleonasmo).

E finalmente esse dia chegou. Anote no seu calendário: no dia 19 de junho do presente ano, com gols de Robert Rudiero e Castiano, no Estádio Florestal, o 24º clube mais antigo do Brasil batia o Cruzeiro de Porto Alegre por três tentos a zero e galgava seu tão sonhado retorno à primeira divisão de seu Estadual, fazendo explodir de felicidade os torcedores de Lajeado, essa cidade que fica próximo ao leito do Rio Taquari - aquele que, quando chove muito, transborda e deixa a cidade de Mariante debaixo d'água, bem como as casinhas da beira da RST-287. Quem frequenta aqueles lados, sabe do que estou falando.

A classificação veio, mas o título da Segundona não: o Lajeadense perdeu em casa a final para o Cruzeirinho pelos mesmos 3 a 0 e a taça foi novamente para Porto Alegre. Mas não há problema: para o ano que vem, o Alviazul já se reforça, planejando o time e contratando jogadores. O técnico para 2011 é Benhur Pereira, contratado de onde? Justamente do Cruzeirinho de Porto Alegre.

O motivo da festa dos torcedores do Lajeadense e para seus dirigentes - e também para quem adora o futebol gaúcho - fica especial quando notamos que o clube voltou na melhor hora para a elite do Gauchão: no ano de seu centenário, que acontecerá dia 23 de abril de 2011. O Gauchão, nessa altura, já estará em suas fases finais - e quem sabe o Alviazul não esteja ainda na disputa dessa taça tão cobiçada pelos quatro cantos da província?

Preparando as boleadeiras

Notícia do Peleia FC:O Inter-SM e o Internacional (de Limeira? Não, de Porto Alegre) estão traçando uma parceria que consiste em emprestar, sem custo, jogadores do Inter B e das categorias de base para a equipe de Santa Maria – de quebra, também poderia haver a contratação do técnico Osmar Loss para o Gauchão 2011. Há quem diga que a contratação do ex-técnico do Juventude seria uma das condições para que o Inter cedesse atletas para defenderem as metas do Presidente Vargas.

Alguns dirigentes do Interzinho não veem com bons olhos essa medida. Há duas razões para tanto. Primeiro: a ameaça de o clube se transformar em uma filial do Gigante da Beira-Rio. Segundo: tal medida pode afastar torcedores gremistas que simpatizam com o clube da cidade. Se o acordo não sair por causa do segundo motivo, não vai ser a primeira vez que vemos tal medida por parte do Inter-SM: quem não lembra da camisa a la Paraná Clube, metade azul e metade vermelha, de 1998, para atrair torcedores da Dupla? Ou da mudança de nome para Santa Maria, tirando o nome “Inter”?

Financeiramente, seria um bom acordo. Futebolisticamente, há riscos. Receber jogadores do excesso de contingência da Dupla não significa acréscimo de qualidade. E ainda tem o fator Osmar Loss, que fez uma péssima temporada com o Juventude esse ano, vencendo apenas duas partidas frente à Papada. Pesa muito, nessas horas, o currículo de técnico. Alguém pode me responder “mas é o Inter de Santa Maria, Fred!”. Pois é, que fez um ótimo campeonato em 2008. Quem estava na casamata? Paulo Porto.

Deveria o Inter-SM apostar nesse nome? Tudo ainda é especulação, mas o que acham os leitores?

Rapidinhas
  • Jardel, ex-volante de Esportivo e Pelotas, acertou sua ida para o Juventude, como estava se especulando;
  • Depois de um tempo atuando como agente do Pelotas na Chapecoense para tirar a vaga do Xavante para a segunda fase da Série C, Sandro Sotilli pode retornar ao Pelotas ainda esse ano e jogar a Copa Enio Costamilan. Quase certo que também jogará o Gauchão do ano que vem;
  • Segundo o site Futebol de Pelotas, em Caxias, teria circulado a informação de que Gilmar Dal Pozzo pode ser o novo técnico do Lobão para 2011. Itamar Schulle estaria com os dias contados na Boca do Lobo?


* Colaborador especial, escreve todas as quartas sobre futebol gaúcho aqui no Carta.

Comentários

Pati Benvenuti disse…
Todas essas colunas novas do Carta são muito legais, mas essa do futebol gaúcho conquista os corações interioranos :)
Vicente Fonseca disse…
Sensacional. Eu respeitava muito o Lajeadense quando era pequeno. Lembro de um Grêmio x Lajeadense, em 1991, que o Renato (o Portaluppi mesmo) jogou de cabeça enfaixada. Deu 4 a 2, jogo decisivo daquele Gauchão. Era sempre jogo encardido.

Mas aí veio a decadência. Em 1999, veio aquele 8 a 0 gremista, com QUATRO gols do Zé Afonso.

Faço gosto deste retorno ao Gauchão. E é incrível mesmo como mudaram as participantes de 1994 para cá.

Ah, "preparando as boleadeiras" é GENIAL. dshdshds
Luiz Paulo Teló disse…
Que belo texto!

Pô, é legal o Gauchão quando a dupla GRENAL não se destaca tanto. Como em 2010, que tivemos clássico na final e Grêmio campeão, mas um Novo Hamburgo certinho, um Zequinha na ponta dos cascos, um Pelotas com um time guerreiro e decidindo turno no Beira-Rio.

Aliás, a questão dos campeonatos estaduais já tá na hora de ser discutida no Brasil.

Mas a Confederação Ricardo Teixeira de Futebol só volta a se preocupar com o futebol nacional depois de 2014. Se voltar...
Vicente Fonseca disse…
Ah, eu concordo. Tanto em relação à boa qualidade dos times do interior neste Gauchão quanto a rediscutir os estaduais, que andam cada vez mais longos, inchando os calendários que estavam se acertando nos últimos anos.