Favoritismo à parte

Não gosto da palavra “favorito”, por mais que às vezes seja difícil usar outra quando falamos em futebol. Porque assim que rotulamos uma equipe desta forma para uma partida, é entendido por muitos que decretamos sua vitória por antecipação, quando, na verdade, apenas é um entendimento de que ela chega melhor que o adversário para a disputa, e parece ter mais condições de vencer o jogo.

No caso deste Gre-Nal, nem mesmo indicar favorito significa aposta. Entendo que o Grêmio chega com melhores condições para o clássico de hoje: está embalado, vem jogando melhor futebol que o Inter, ambiciona algo no campeonato, vive grande fase, tem batido times da ponta, como Corinthians e Cruzeiro. O Colorado, embora seja o campeão da América, anda vacilando fora de casa, pensa mais no Mundial que no Brasileiro, já não tem quase ambições dentro da competição.

Mas é impossível desprezar uma equipe que vem praticamente completa, e há dois meses ganhou a Libertadores. Tinga fará muita falta, e o time fatalmente mudará seu modo de jogar com Rafael Sobis. Por isso mesmo, não ficarei surpreso se Andrezinho iniciar o clássico: além de Sobis estar há um mês e meio sem atuar, Andrezinho é muito mais parecido com Tinga. Manter-se-ia o esquema, sem risco de botar um jogador completamente fora de ritmo num clássico. No do primeiro turno, sem ritmo, Sobis foi o pior jogador em campo.

No Grêmio, é preciso haver cobertura pelo lado esquerdo. D’Alessandro ou Giuliano, seja quem for que caia por ali, certamente viram o que Thiago Ribeiro fez com Fábio Santos domingo passado. Renato também viu, tanto que voltou com Gílson para o segundo tempo. O comandante tricolor deve ter pensado em algum antídoto para o grande ponto fraco de seu time. Assim como Roth certamente quebrou a cabeça pensando em parar Douglas e Jonas, por mais que seu discurso seja o de que “botar reservas seria o lógico”. Nunca vi técnico com tanta predileção por time misto em Gre-Nal quanto ele.

Grêmio chega melhor. Talvez seja o favorito. Daí a ser o vencedor, são 90 minutos – por mais que pareça (e seja) lugar-comum dizer isso.

Campinas: o Guarani (15º, 35) oficialmente entrou na briga para não cair. Levou 1 a 0 em casa do Atlético/GO (14º, 35), que em duas rodadas deixou a zona de rebaixamento para entrar na da Sul-Americana.

Argentina
Grande rodada neste fim de semana. Na sexta, Vélez (2º, 24) e Estudiantes (1º, 27) ficaram no 0 a 0, mantendo a distância de três pontos entre líder e vice. Ontem foi a vez de River Plate (7º, 18) e Racing (9º, 17) ficarem no 1 a 1 no Monumental de Nuñez. A rodada tem como destaque no domingo outro grande clássico: Independiente (17º, 9) x Boca Juniors (10º, 16).

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