Chivas, o melhor mexicano em Libertadores, busca o título inédito

O Chivas tem a chance dar ao México seu primeiro título na Libertadores. Convém lembrar que não é o primeiro time asteca finalista da maior competição sul-americana, já que o Cruz Azul foi vice-campeão em 2001. Tampouco será inédito que uma equipe do país conquiste um torneio do continente vizinho: o Pachuca venceu o Colo Colo na final da Copa Sul-Americana de 2006.

Abaixo, ano por ano, veja como foram as participações mexicanas na Taça Libertadores desde 1998. É notável a diversidade de equipes do México que participaram da competição, o que dá conta do grande equilíbrio do campeonato local, comparável apenas a Brasil e Argentina neste aspecto entre os grandes torneios nacionais do mundo. Foram 15 ao todo (ver quadro no final do texto).

1998: novidade na Libertadores, os clubes mexicanos disputavam uma pré-Libertadores antes de ingressarem. Era um quadrangular com dois times da Venezuela, país então mais fraco da América do Sul em termos futebolísticos. América e Chivas eliminaram Caracas e Atlético Zulia e caíram no grupo dos brasileiros Grêmio e Vasco. Na época, três dos quatro passavam adiante. O Chivas foi o lanterna, mas o América seguiu adiante. Nas oitavas, pegou o poderoso River Plate e foi eliminado.

1999: desta vez, Necaxa e Monterrey eram os sombreristas. Os primeiros ficaram logo na fase preliminar, perdendo a vaga para o Estudiantes de Mérida. Já o Monterrey foi alijado logo adiante, ao ficar na lanterna num grupo que continham os próprios venezuelanos, mais Nacional e Bella Vista, ambos do Uruguai.

2000: Atlas e América eliminaram Deportivo ItalChacao e Táchira na fase preliminar sem transtornos. O América passou de fase junto com o Corinthians, num grupo difícil, que ainda continha Olímpia e LDU. A seguir, eliminou América de Cali e Bolívar com quatro vitórias nos quatro jogos, chegando com força às semifinais pela primeira vez. Então, levou 4 a 1 do Boca Juniors na Bombonera. Os 3 a 1 no Estádio Azteca não foram suficientes para garantirem uma vaga na decisão. Já o Atlas passou num grupo igualmente difícil (River Plate, Universidad de Chile e Nacional de Medellín), eliminou com força o Atlético Júnior nas oitavas, mas caiu diante do Palmeiras nas quartas-de-final. Somente os dois finalistas daquele ano pararam os mexicanos.

2001: a mais bem sucedida campanha mexicana na Libertadores até hoje foi a do Cruz Azul neste ano. Após passar pela preliminar, o time do sul da Cidade do México foi campeão de seu grupo (São Caetano, Defensor e Olmedo). Nas oitavas, passou pelo Cerro Porteño, e nas quartas passou vencendo o River Plate por 3 a 0. Eliminou o Rosário Central nas semifinais e defrontou o atual campeão mundial, o Boca, na final. Perdeu por 1 a 0 em casa, venceu fora pelo mesmo placar, mas perdeu nos pênaltis o título inédito. O outro representante, o Atlante, foi o lanterna do quadrangular preliminar.

2002: o América foi a sensação da vez. Fazia a melhor campanha de toda a competição, mas caiu nas semifinais após deixar para trás o River Plate na fase de grupos e eliminar Cienciano e Morelia com quatro vitórias. Nas semifinais, foi derrotado pelo São Caetano. Já o Morelia, como vimos, caiu para o conterrâneo nas quartas. Foi líder de seu grupo (Nacional, Vélez e Sporting Cristal) na primeira fase e tirou o Olmedo nas oitavas.

2003: novamente o mais bem sucedido foi o Cruz Azul, que ficou atrás do Corinthians na fase de grupos, eliminou o Deportivo Cali nos pênaltis e perdeu para o Santos, de Robinho e Diego, nas quartas (2 a 2 e 0 a 1). O Pumas passou num grupo difícil (Grêmio, Peñarol e Bolívar) em segundo lugar, mas não resistiu ao Cobreloa no primeiro confronto de mata-mata.

2004: não havia mais o quadrangular entre México e Venezuela. Agora, os 36 times eram divididos em nove grupos. Passavam os líderes e os cinco melhores vice-líderes. Os outros quatro segundos colocados disputavam jogos únicos para saber quem ia às oitavas. Em resumo: tamanha confusão facilitou a vida dos mexicanos, que entravam direto na primeira fase. O América foi o campeão do seu grupo (Peñarol, São Caetano e The Strongest), mas perdeu para o Azulão nas oitavas. Já o estreante Santos Laguna passou junto com o Cruzeiro, deixando pelo caminho Caracas e Concepción, mas caiu para o River Plate no mata-mata.

2005: primeira edição no formato atual, com seis confrontos eliminatórios funcionando como fase preliminar. Sempre um mexicano disputa esta etapa, enquanto outros dois classificavam-se direto para a fase de grupos. Portanto, o México ganhava um representante a mais. O Chivas foi quem mais chegou longe: eliminou o Cienciano na pré-Libertadores e foi campeão de sua chave (o atual campeão Once Caldas, Cobreloa e San Lorenzo). Tirou Pachuca e Boca Juniors (com um 4 a 0 histórico no Jalisco), mas perdeu para o Atlético-PR nas semifinais. O estreante Tigres também foi o líder na fase inicial (contra Banfield, Alianza e Caracas), eliminou o Once Caldas nas oitavas, mas caiu diante do São Paulo nas quartas. Outro debutante, o Pachuca, ficou atrás do Boca no seu grupo, mas perdeu para o Chivas nas oitavas.

2006: novamente o Chivas chegou entre os quatro. Após eliminar bem o Colo Colo (5 a 3, 3 a 1), foi vice-líder de seu grupo, chegando a bater por duas vezes o atual campeão São Paulo. Melhor time do México à época, eliminou Independiente Santa Fé e Vélez Sarsfield, este com o status de melhor time da Libertadores até então. Nas semifinais, perdeu para o São Paulo duas vezes (0 a 1, 0 a 3) e deu adeus ao sonho de disputar o título. Já o Tigres passou como segundo colocado no grupo do Corinthians, mas foi eliminado nos pênaltis pelo Libertad nas oitavas-de-final. O Pumas foi o pior time do grupo que tinha Internacional, Nacional e Maracaibo, conquistando 1 ponto em seis partidas.

2007: depois de anos de desempenho discreto, o América foi quem fez melhor papel. Eliminou o Sporting Cristal na pré-Libertadores e passou junto com o Libertad no grupo que ainda tinha Banfield e Nacional de Quito. Matou o Colo Colo nas oitavas, mas não resistiu ao Santos a seguir. Teve em Cabañas o artilheiro da competição, com 10 gols. Já o Necaxa, de Kléber Pereira, foi campeão de um grupo que continha o poderoso São Paulo, mas perdeu para os uruguaios do Nacional nas oitavas. O estreante Toluca venceu o grupo do Boca, que viria a ser o campeão, mas foi barrado pelo surpreendente Cucuta nas oitavas (1 a 5, 2 a 0).

2008: o América, novamente comandado por Cabañas, foi longe de novo. Passou junto com o River Plate na primeira fase, mas levou 4 a 2 em casa do Flamengo nas oitavas. Na volta, ainda comemorando o título estadual obtido três dias antes, o rubro-negro carioca menosprezou o gordinho Cabañas e seus companheiros, numa das maiores tragédias da história do Maracanã: 3 a 0 América, e as quartas eram realidade. Os mexicanos vingaram-se do Santos, que os eliminaram na mesma fase no ano anterior, e chegaram às semifinais, onde perderam para a LDU no saldo qualificado. Foi o primeiro time mexicano a eliminar dois brasileiros numa única Libertadores. O Atlas também obteve destaque. Campeão do grupo da morte (Boca Juniors, Colo Colo e Maracaibo), passou pelo Lanús. Nas quartas, descolou um 2 a 2 na Bombonera, mas levou 3 a 0 do Boca no México, soberba atuação de Palermo, e foi eliminado. O Chivas ficou atrás de Cucuta e Santos na primeira fase e foi eliminado.

2009: a Conmebol apatifou a Libertadores. Por conta da forte epidemia de gripe suína no México (a qual se alastrou por toda a América do Sul em seguida), os times mexicanos foram excluídos da Libertadores nas oitavas-de-final, quando Nacional e São Paulo recusaram-se a viajar ao México para enfrentarem San Luis e Chivas. Salomonicamente, os dois representantes mexicanos foram incluídos nas oitavas da Libertadores do ano seguinte. O San Luis havia passado como vice-líder do grupo de Libertad, Universitário e San Lorenzo; o Chivas, como vice na chave de Caracas, Everton e Lanús. O Pachuca foi tirado na preliminar pela Universidad de Chile.

2010: nunca a Libertadores teve tantos times mexicanos: cinco. Tudo por força da inclusão de San Luis e Chivas diretamente nas oitavas. O Tecos caiu na preliminar para os peruanos do Juan Aurich; o Monterrey não resistiu a São Paulo e Once Caldas, caindo na primeira fase; o Morelia também ficou em terceiro na sua chave, atrás de Nacional e Banfield; o San Luis, fraquíssimo em 2010, perdeu para o Estudiantes nas oitavas. E o Chivas, após eliminar Vélez, Libertad e Universidad de Chile, decide a Libertadores nas próximas duas semanas, contra o Internacional.

RESUMO DOS CLUBES MEXICANOS EM LIBERTADORES
Chivas: 6 participações, finalista em 2010, 3 vezes semifinalista.
América: 6 participações, 3 vezes semifinalista (2000, 2002 e 2008).
Cruz Azul: 2 participações, vice-campeão em 2001.
Atlas: 2 participações, em ambas eliminado nas quartas-de-final (2000 e 2008).
Tigres: 2 participações, eliminado nas quartas-de-final em 2005.
Morelia: 2 participações, eliminado nas quartas-de-final em 2002.
San Luis: 2 participações, eliminado nas oitavas em 2010 e impedido de prosseguir em 2009, quando estava nas oitavas.
Necaxa: 2 participações, eliminado nas oitavas-de-final em 2007.
Pachuca: 2 participações, eliminado nas oitavas-de-final em 2005.
Pumas: 2 participações, eliminado nas oitavas-de-final em 2003.
Monterrey: 2 participações, em ambas eliminado na fase de grupos (1999 e 2010).
Santos Laguna: participou em 2004, quando caiu nas oitavas-de-final.
Toluca: participou em 2007, quando caiu nas oitavas-de-final.
Tecos: participou em 2010 e caiu na fase de grupos.
Atlante: participou uma vez (2001) e caiu na fase preliminar.

Comentários

luís felipe disse…
matou minha pauta, professor.

São Caetano, Cruz Azul, Defensor e Olmedo é meu candidato ao prêmio de grupo mais alternativo das últimas 20 Libertadores.

Uma lembrança: quando o Chivas estreou na Copa, em 1998, TODOS os meios de imprensa brasileiros chamavam o clube pela alcunha de GUADALAJARA.

Chivas, a bem da verdade, nunca foi o nome oficial do clube, sempre foi Club Deportivo Guadalajara (assim como UNAM é o nome do Pumas, etc). Só que como o clube passou a participar de muitas competições internacionais, adotou a alcunha como oficial.

O Atlético Mineiro tentou fazer o mesmo em 2000, quando jogou a Libertadores colocando o nome GALO na camiseta para que fosse conhecido como GALO, não como Mineiro ou Atlético. Não vingou.
Vicente Fonseca disse…
Opa, desculpa aí Luís. Hehe.

Cara, eu lembro bem que era Grêmio x Guadalajara em 1998. Chivas veio só depois como nome "de guerra" do clube.

E juro que não lembrava que essa do GALO foi neste mesmo sentido.

E concordo, aquele é o grupo mais bizarro da história da Libertadores.
luís felipe disse…
e essa o AK deve lembrar:

a primeira participação do Chivas na Copa teve um confronto contra o Grêmio, que acabou com derrota gremista no Jalisco por 1-0.

Nessa ocasião, um torcedor colorado foi assistir um jogo com a camisa do Inter e tirou onda com o Cacalo, presidente do Grêmio na época. Alguns dirigentes (acho que o próprio Cacalo incluso) saíram no tapa com o cara, que foi expulso do estádio.

Na mesma semana, o Inter promoveu o rapaz (Alexandre, seu nome) a CÔNSUL do clube em Guadalajara.
Vicente Fonseca disse…
Dessa eu não lembrava. Sensacional.
Lourenço disse…
http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/diario-gaucho/19,222,2997348,Souza-dispara-contra-comissao-tecnica-do-Gremio-e-pede-pra-jogar.html

Está caindo o Silas, pelo jeito.
Vicente Fonseca disse…
E o São Paulo sem técnico...
Lourenço disse…
Para o Grêmio, a única solução digna é Rospide de técnico e Autuori de assistente.
Igor Natusch disse…
Rospide ouve Black Sabbath.
Não pode existir treinador melhor.
Vicente Fonseca disse…
Não apenas por isso, mas também é meu preferido. Eu gosto do Tite também, mas a relação dele com o Meira simplesmente impede a contratação.
Lourenço disse…
Eu gosto do Tite também, mas a relação dele com o Meira simplesmente é a desculpa perfeita para trocar o comando do futebol.
Pati Benvenuti disse…
Haha! Boa, Lourenço :P