Quinze minutos de futebol
Gana e Sérvia entraram em campo sabendo que eram as duas seleções que teoricamente disputam a segunda vaga do Grupo D. Assim, os dois treinadores sérvios devem ter pensado que a principal missão na partida era não dar três pontos de vantagem ao adversário e tentar uma vitória robusta sobre a Austrália e uma zebra contra a Alemanha. Faltou ambição às duas equipes.
O primeiro tempo é pouco digno de nota. Não houve uma boa jogada. Gana teve mais a bola, a Sérvia tentava responder, mas poucos jogadores subiam para atacar. Ambas as equipes atacavam com dois, três jogadores, contra seis, sete adversários.
O segundo tempo começou mais quente, mas não muito. Foi como se o primeiro tempo tivesse a emoção de uma transmissão de golfe e passássemos a assistir a uma partida de baseball. Os africanos aceleraram mais o jogo, buscaram uma ou duas chances em cabeçadas. Os sérvios aproveitaram os espaços e tramavam algumas jogadas. Faltava o último passe, faltava vontade e capricho para abrir o placar.
Tivemos futebol, de fato, após a infantil expulsão de Lukovic, a cerca de 30 minutos da segunda etapa. Misteriosamente, quem melhorou foi a Sérvia. Com dez jogadores, se postou definitivamente na defesa, e passou a se lançar aos contra-ataques com mais audácia, criando reais chances de gol com Krasic e Ivanovic. Mas outra infantilidade, ou azar, decretou a derrota dos eslavos. Em um cruzamento despretensioso e bola bateu acintosamente no braço de Kuzmanovic. Pelo abatimento do jogador, pode ter sido sem querer, mas o árbitro não tinha como não assinalar a penalidade.
O gol de Gyan, aos 38, esquentou ainda mais a partida. Os sérvios pressionaram, lançaram a pelota para a área como podiam. Com os espaços, contudo, quase que o centro-avante ganês se torna o artilheiro da Copa. Gyan bateu com categoria e parou na trave. Os quinze minutos finais não foram nenhuma BRASTEMP, nem compensaram os longos e chatos 75 minutos iniciais. O pragmatismo proposto pelas duas equipes não permite erros bobos, e acabou punindo os sérvios, que precisarão de muita superação para conseguir a classificação. Com jogadores técnicos no ataque, como Krasic, Pantelic e Jovanovic e seguros na defesa, como Ivanovic e Vidic, a equipe do Leste europeu pode e necessita jogar muito mais.
Por outro lado, não deixa de ser um alento perceber que uma seleção africana consegue uma vitória como a conquistada por Gana hoje. Esse pragmatismo historicamente faz falta aos africanos. A atual campeã mundial sub-20 ainda se deu o luxo de deixar medalhões como Appiah e Muntari no banco, apostando em jovens como Ayew. Uma prova de que tem elenco. As Estrelas Negras podem ser a seleção africana a chegar mais longe nessa Copa do Mundo, como em 2006.
Foto: O quase-artilheiro isolado Gyan (AFP)
O primeiro tempo é pouco digno de nota. Não houve uma boa jogada. Gana teve mais a bola, a Sérvia tentava responder, mas poucos jogadores subiam para atacar. Ambas as equipes atacavam com dois, três jogadores, contra seis, sete adversários.
O segundo tempo começou mais quente, mas não muito. Foi como se o primeiro tempo tivesse a emoção de uma transmissão de golfe e passássemos a assistir a uma partida de baseball. Os africanos aceleraram mais o jogo, buscaram uma ou duas chances em cabeçadas. Os sérvios aproveitaram os espaços e tramavam algumas jogadas. Faltava o último passe, faltava vontade e capricho para abrir o placar.
Tivemos futebol, de fato, após a infantil expulsão de Lukovic, a cerca de 30 minutos da segunda etapa. Misteriosamente, quem melhorou foi a Sérvia. Com dez jogadores, se postou definitivamente na defesa, e passou a se lançar aos contra-ataques com mais audácia, criando reais chances de gol com Krasic e Ivanovic. Mas outra infantilidade, ou azar, decretou a derrota dos eslavos. Em um cruzamento despretensioso e bola bateu acintosamente no braço de Kuzmanovic. Pelo abatimento do jogador, pode ter sido sem querer, mas o árbitro não tinha como não assinalar a penalidade.
O gol de Gyan, aos 38, esquentou ainda mais a partida. Os sérvios pressionaram, lançaram a pelota para a área como podiam. Com os espaços, contudo, quase que o centro-avante ganês se torna o artilheiro da Copa. Gyan bateu com categoria e parou na trave. Os quinze minutos finais não foram nenhuma BRASTEMP, nem compensaram os longos e chatos 75 minutos iniciais. O pragmatismo proposto pelas duas equipes não permite erros bobos, e acabou punindo os sérvios, que precisarão de muita superação para conseguir a classificação. Com jogadores técnicos no ataque, como Krasic, Pantelic e Jovanovic e seguros na defesa, como Ivanovic e Vidic, a equipe do Leste europeu pode e necessita jogar muito mais.
Por outro lado, não deixa de ser um alento perceber que uma seleção africana consegue uma vitória como a conquistada por Gana hoje. Esse pragmatismo historicamente faz falta aos africanos. A atual campeã mundial sub-20 ainda se deu o luxo de deixar medalhões como Appiah e Muntari no banco, apostando em jovens como Ayew. Uma prova de que tem elenco. As Estrelas Negras podem ser a seleção africana a chegar mais longe nessa Copa do Mundo, como em 2006.
Foto: O quase-artilheiro isolado Gyan (AFP)
Comentários
Um crime aquela bola do Gyan ter batido na trave, no finzinho. Ia ser um baita golaço.
Salvo zebra, devem passar Gana e Alemanha. Mas eu não descarto a Austrália ainda.
A Austrália é zebra, mas se conseguir alguma coisa contra a Alemanha hoje (difícil, mas não impossível) pode sim dar um suadouro nos ganeses. Para a Sérvia, a derrota deixou tudo mais difícil...