Puro Clichê
A partida entre Espanha e Suíça apresentou um filme que o futebol já nos mostrou repetidas vezes. O time que vale milhões, cada qual com seu penteado, com um toque de bola fenomenal; contra o time feio em todos os sentidos, que joga se defendendo e aposta nos contra-ataques. Posso até contar o final pois todos já conhecem. A equipe mais técnica vai se irritando com a eficiência adversária, leva um gol e perde a partida. Além disso, outro clichê foi levado às últimas consequências. Suíça e Espanha foram como mandam seus estereótipos.
Os suíços apresentaram seu tradicional ferrolho. A Fúria justificou – ao menos temporariamente - a fama de amarelar em Mundiais. É preciso dizer que os espanhóis não fizeram má partida. Tocando a bola com paciência, utilizando toques surpreendentes, ou dribles, conseguiram furar o bloqueio suíço algumas vezes e criaram chances de gol, especialmente no segundo tempo. Tiveram também alguma dose de azar, quando um chutaço de Xabi Alonso explodiu no travessão. Mas lhes faltou precisão muitas vezes nos chutes de fora (melhor opção para furar o bloqueio), e nas tabelas, bem como culhões para encarar os suíços.
Acima de tudo, porém, sobrou competência à Suíça. Ottmar Hitzfeld conseguiu tirar o máximo de seus onze atletas. A equipe tinha muita precisão nos cortes de cruzamentos e desarmes, ainda que, às vezes, não tenha podido parar a habilidade ibérica. Os helvéticos forçavam o jogo pelos lados para os espanhóis, e aí prevalecia a força física e precisão dos suíços. Quando falhavam, aparecia a figura do ótimo goleiro Diego Benaglio. E se a Espanha martelou noventa minutos e não fez um gol, o que dizer da eficiência da Suíça?
Os fabricantes de chocolate, diga-se, não foram como algumas equipes que só se defendem sem nem ter ideia de como contra-atacar. O bom atacante Nkufo tratava de segurar a bola e esperar a passagem dos ótimos Fernandez, Derdyok e Barnetta. E quanto mais desesperada ficava a Fúria, mais os contragolpes apareciam. Tanto que, fora o gol, a melhor chance do jogo foi uma linda jogada de Derdyok que parou na trave. Como torcedor declarado do Chile, temo dizer que, pelos jogos de hoje, parece que a Suíça deve confirmar a classificação diante dos sul-americanos.
O jogo do Chile é muito semelhante ao da Espanha, nos aspectos positivos e negativos. Se os espanhóis passarem pelos hondurenhos, de acordo com minha previsão o Chile precisará então fazer uma partida perfeita contra a Fúria, como fizeram os suíços. Não é nada impossível. Espanta-me que os espanhóis jamais aprendam com os erros do Barcelona. Perderam como em todas as derrotas do clube catalão.
- Eurocopa em xeque: em 1998 a atual campeã européia Alemanha parou nas quartas-de-final da Copa do Mundo. Em 2002, a França parou na primeira fase. Em 2006, a Grécia nem chegou ao Mundial. Em 2010, dois semifinalistas de última Euro também não chegaram à Copa do Mundo (Rússia e Turquia). E a Espanha, até onde vai?
Foto: Gabiru feelings, Gelson Fernandes marca para a Suíça (EFE)
Os suíços apresentaram seu tradicional ferrolho. A Fúria justificou – ao menos temporariamente - a fama de amarelar em Mundiais. É preciso dizer que os espanhóis não fizeram má partida. Tocando a bola com paciência, utilizando toques surpreendentes, ou dribles, conseguiram furar o bloqueio suíço algumas vezes e criaram chances de gol, especialmente no segundo tempo. Tiveram também alguma dose de azar, quando um chutaço de Xabi Alonso explodiu no travessão. Mas lhes faltou precisão muitas vezes nos chutes de fora (melhor opção para furar o bloqueio), e nas tabelas, bem como culhões para encarar os suíços.
Acima de tudo, porém, sobrou competência à Suíça. Ottmar Hitzfeld conseguiu tirar o máximo de seus onze atletas. A equipe tinha muita precisão nos cortes de cruzamentos e desarmes, ainda que, às vezes, não tenha podido parar a habilidade ibérica. Os helvéticos forçavam o jogo pelos lados para os espanhóis, e aí prevalecia a força física e precisão dos suíços. Quando falhavam, aparecia a figura do ótimo goleiro Diego Benaglio. E se a Espanha martelou noventa minutos e não fez um gol, o que dizer da eficiência da Suíça?
Os fabricantes de chocolate, diga-se, não foram como algumas equipes que só se defendem sem nem ter ideia de como contra-atacar. O bom atacante Nkufo tratava de segurar a bola e esperar a passagem dos ótimos Fernandez, Derdyok e Barnetta. E quanto mais desesperada ficava a Fúria, mais os contragolpes apareciam. Tanto que, fora o gol, a melhor chance do jogo foi uma linda jogada de Derdyok que parou na trave. Como torcedor declarado do Chile, temo dizer que, pelos jogos de hoje, parece que a Suíça deve confirmar a classificação diante dos sul-americanos.
O jogo do Chile é muito semelhante ao da Espanha, nos aspectos positivos e negativos. Se os espanhóis passarem pelos hondurenhos, de acordo com minha previsão o Chile precisará então fazer uma partida perfeita contra a Fúria, como fizeram os suíços. Não é nada impossível. Espanta-me que os espanhóis jamais aprendam com os erros do Barcelona. Perderam como em todas as derrotas do clube catalão.
- Eurocopa em xeque: em 1998 a atual campeã européia Alemanha parou nas quartas-de-final da Copa do Mundo. Em 2002, a França parou na primeira fase. Em 2006, a Grécia nem chegou ao Mundial. Em 2010, dois semifinalistas de última Euro também não chegaram à Copa do Mundo (Rússia e Turquia). E a Espanha, até onde vai?
Foto: Gabiru feelings, Gelson Fernandes marca para a Suíça (EFE)
Comentários
Vou além: acho que a Suíça é o time mais difícil para o Brasil cruzar nas oitavas. Porque se defende muito bem e contra-golpeia também, um estilo de jogo contra o qual o time de Dunga sempre pena ao enfrentar. A Espanha dará mais espaço, o que nos favorece; e o Chile, além de dar também espaço, é freguês de longa data.
hsasah
Foi linda a tentativa de assassinato do Casillas no atacante suiço. Devia ser preso, ele e o juiz que não deu cartão.