O Grupo da Morte está vivo

Pois é, amigos/as. Depois da primeira rodada, muito se falou que o Grupo D não era tão parelho assim, que a Alemanha tinha dado show, que a briga seria apenas pela segunda vaga e por aí vai. Mas a Copa da África não anda levando muito a sério essas lógicas e hierarquias do futebol. E esse resultado de hoje, além de colocar em dúvida a então quase óbvia classificação alemã, reforçou ainda mais o aspecto meio imprevisível que o Mundial anda assumindo até aqui.


O Grupo da Morte, depois da surpreendente vitória sérvia, nunca pareceu tão mortal. Foi um jogo tenso, disputado, de alta combatividade no meio de campo. Na verdade, era o jogo entre Alemanha e Sérvia que poderíamos esperar antes da primeira rodada da Copa, antes da Alemanha esmagar a Austrália e a Sérvia fazer uma partida absolutamente medíocre contra Gana. Depois desses jogos, a ideia é de que teríamos em Port Elizabeth um jogo mais desparelho, com a seleção alemã tomando conta das ações e construindo rapidamente o placar. Mas não foi o que se deu, definitivamente.


Ciente de que partir para cima da Alemanha era suicídio, a Sérvia apostou em um 4-5-1 bastante sólido, com três marcadores no meio e o homem-montanha Zigic prendendo a zaga alemã atrás da intermediária. A Alemanha, por sua vez, veio com a mesma fórmula que deu certo contra a Austrália, apostando na combatividade dos marcadores e na qualidade técnica dos jovens Özil e Müller. O resultado foi uma Alemanha sempre mantendo o controle da bola, mas que não conseguia grandes vitórias individuais graças ao acúmulo de jogadores sérvios no meio de campo.


A expulsão tola de Klose, ocorrida aos 36 minutos, desestabilizou muito a equipe alemã. Antes de cometer a falta dura em Stankovic, o atacante germânico vinha sendo um dos melhores nomes do jogo, com movimentação incessante e até um gol anulado aos 30mins. Para completar a desgraça, a Sérvia aproveitou rapidamente a vantagem numérica, e fez o seu gol em uma jogada pragmaticamente eficiente. Levantamento na área, Zigic escora e Jovanovic surge para concluir. Um recurso simplório, mais manjado que lobby paulista para escalar jogador na Copa, mas que funcionou bem naquele momento de perturbação alemã, e que acabou resultando em importante vantagem no placar.


Chances para empatar não faltaram aos alemães e duas em especial são emblemáticas. No finzinho do primeiro tempo, a ofensiva alemã aplicou sua conhecida tática blitzkrieg, Khendira (um dos bons nomes do jogo) mandou a bola na trave e o rebote não resultou em gol apenas porque Kolarov, em cima da linha, salvou a conclusão de meia bicicleta do tinhoso Müller. Por fim, o pênalti aos 14mins da etapa final, em um toque de mão de Vidic que entrará para o anedotário futebolístico pela absoluta falta de sutileza. Podolski, que vinha bem no jogo e tinha dado dois perigosos chutes logo antes da penalidade, acabou cobrando sem firmeza e dando chance para a defesa histórica de Stojkovic. Perturbados, os alemães ainda levariam duas bolas na trave em contra ataques sérvios e, depois do erro de Podolski, não tiveram forças para buscar a igualdade no placar.


De qualquer modo, é importante dizer que apesar da inferioridade numérica e da derrota final por 1 a 0, a Alemanha não jogou nada mal. Não faltarão comentaristas de resultado para dizer que tinham avisado, que o auê em cima da Alemanha era exagerado, que não tem time bobo e outros clichês de padaria do tipo. Mas a Alemanha fez uma atuação razoável, prejudicada pela expulsão precoce que só ampliou a abrangência do já maciço sistema defensivo da Sérvia. A Alemanha foi derrotada não por ser uma farsa, mas por força das circunstâncias do jogo e da maior eficiência do adversário. Embora não tenha sido ainda o time que se esperava no começo da Copa, a seleção sérvia fez uma partida de pragmatismo e mereceu a vitória.


Com tudo isso, o Grupo D está totalmente embolado. Alemanha ainda lidera no momento, mas apenas pela força do saldo de gols; bastará um empate sobre a Austrália para que Gana assuma a liderança do grupo. Na última rodada, alemães e ganeses devem jogar a morrer pela liderança do grupo - a não ser que os Socceroos façam o crime e vençam os africanos, o que embolaria a chave de vez. Seja como for, teremos jogos empolgantes na quarta que vem - e os alemães podem até ficar fora da próxima fase, dependendo de como as coisas avançarem...


Foto: Jovanovic, em chamas, encarna Seu Boneco e vai para a galera (AFP)

Comentários

Vicente Fonseca disse…
Me caiu os butiá do bolso esse resultado.
Vicente Fonseca disse…
Alemanha ainda passa, por ter o melhor time de longe (não é o resultado de hoje que fará abrir mão de convicções) e pelo bom saldo que abriu sobre a Austrália, em caso de um empate em pontos.
Vicente Fonseca disse…
Forçadíssima essa expulsão do Klose.
Vicente Fonseca disse…
Hoje, pelo que vi, o Stankovic atuou mais adiantado, algo que pedi no jogo da Sérvia com Gana. É muita qualidade desperdiçá-lo lá na cabeça de área. Ponto para o técnico sérvio, que soube ler esta mudança.

(sei que é meu quarto comentário seguido, mas não tô nem aí) hdshd
Prestes disse…
Nunca caí nesse "show alemão" contra a Austrália.

Na real, Vicente, se Gana e Sérvia vencem a Austrália, um empate entre Gana e Alemanha tira os germânicos.

Está difícil a vida deles.
Vicente Fonseca disse…
Bom, eu tô contando que a Alemanha ganha de Gana. Se não ganhar, aí não merece passar mesmo.

Show é forte, mas foi o melhor time da primeira rodada - e sigo achando que vai longe.
Igor Natusch disse…
GloboEsporte roubando DESAVERGONHADAMENTE minha citação ao Seu Boneco...

(dá nada, a foto é a mesma que tem na pag deles, hauhauahuhaua)