Grupo H - A Fúria, dois latinos e um provável chocolate
Não que estejamos falando de um grupo dificílimo, daqueles que prometem centenas de mortos e feridos ao final de cada rodada. Mas não se engane: a vida não é tão fácil assim no Grupo H da Copa do Mundo de 2010. Obviamente que o nome da Espanha salta aos olhos, já que estamos tratando de um dos grandes favoritos para o título. Mas a briga pela segunda vaga deve garantir lances de considerável emoção, e até mesmo uma que outra surpresa, quem sabe?... A seguir, um breve resumo de cada uma das seleções, em um grupo que, mesmo pouco lembrado, pode render alguns dos melhores jogos na fase de grupos da África do Sul.
ESPANHA
Fica até difícil dizer qualquer coisa de novo sobre eles, até porque a exposição que eles andam tendo ultimamente é daquelas que esgota qualquer assunto. Campeões da última Eurocopa, classificados nas Eliminatórias com uma campanha das mais sólidas, contando com vários dos maiores nomes do futebol mundial em seu plantel. No gol, a segurança do também capitão Casillas. Na defesa, a experiência de Puyol lado a lado à talentosa juventude de Piqué e Albiol. No meio, Xavi, Iniesta, Fábregas e Busquets dispensam maiores comentários. No ataque, David Villa é certeza de muitos gols. E na casamata, a competência inegável de Vicente Del Bosque, colecionador de títulos com o Real Madrid. Poucas vezes na história a Fúria pareceu tão furiosa a caminho de uma Copa do Mundo.
O problema, como bem sabemos, é que a Fúria Espanhola tem a estranha tendência de ficar mansinha como um poodle na hora do pega para capar. Dá para perder a conta de quantas vezes a seleção da Espanha chegou forte, prestigiada, e acabou tropeçando em adversários menos cotados ou, pior ainda, nas próprias pernas. Basta lembrarmos que, até hoje, a melhor posição espanhola em Copas foi um discretíssimo quarto lugar, no distante 1950 – e com direito a ouvir a torcida brasileira cantando “Touradas de Madri” em uma goleada das mais acachapantes. Em 2006, chegou badalada como nunca e se deu mal como sempre, morrendo ainda nas oitavas de final diante da vice-campeã França.
Será diferente desta vez? Difícil dizer. Plantel, inegavelmente a Espanha tem; a campanha recente da Fúria enche a seleção de credenciais. O simples fato de ter levado a Euro em 2008 já serve como referencial no sentido de quebrar um pouco esse feitiço de sempre chegar e nunca levar. Mas o grupo não é essa barbada toda, os emparceiramentos prometem dificuldades, então também não é caso de dar o touro como morto, para usarmos uma analogia grosseira. A Fúria tem tudo para sair líder do grupo sem maiores percalços – mas daí para frente, sinceramente, a bola de cristal fica turva e não me arrisco a mais nada...
SUÍÇA
Não que seja um timaço, uma equipe que chega na África para brigar pelo título ou qualquer coisa do tipo. Mas trata-se de uma seleção esforçada, que conseguiu uma classificação bem respeitável nas Eliminatórias, recuperando-se de um começo ruim e deixando Grécia e Letônia para trás. Ou seja, pelo menos nossos chapas merecem créditos pelo esforço. Mas, convenhamos: os suíços perderam em casa para Luxemburgo durante as Eliminatórias, e sofreram derrotas em TODOS os amistosos pré-Copa até aqui, com direito a apanhar em casa de sumidades como Noruega e Costa Rica, que nem na Copa estarão. Então tudo bem, a gente respeita, mas daí a apostar um tostão furado nos suíços vai uma boa distância...
A maioria dos atletas joga na Suíça mesmo, ou em clubes de média estatura no seio da Europa. Tallvez Senderos, que farda pelo Arsenal (ING), seja o nome mais significativo de um plantel que não impõe maiores temores. Porém, a fragilidade da Suíça é notável, sendo provavelmente a mais fraca das seleções européias no momento, e não dá para esperar muito mais deles do que um empate sem gols contra Honduras ou qualquer coisa do tipo. No final das contas, acho que os nossos chapas devem manter sua escrita histórica e ficarem na primeira fase, mesmo – aproveitando a divertida viagem para fazer alguns contatos com relojoarias locais ou, quem sabe, carregar as malas com novas receitas a base de cacau. Futebol, de qualquer modo, devemos ver bem pouco...
CHILE
Para o meu gosto, os chilenos são favoritos para a segunda vaga no Grupo H. Como tivemos chance de ver nas transmissões da Globo e da Sportv, trata-se de uma equipe tinhosa e de grandes valores individuais, comandada com maestria por um matreiro Marcelo Bielsa. Um dos bons nomes do time, o meia Fierro, anda defendendo as cores do Flamengo inclusive. Destemida, La Roja leva seis atacantes para a África do Sul, dando um sinal claríssimo de que não vai ter medo de ir atrás dos resultados necessários. E com nomes tipo Suazo, Fernandez e Alexis Sánchez para fazer as tarefas ofensivas, não dá mesmo para ficar se mixando...
(nota: Beausejour será intencionalmente ignorado nessa análise. Obrigado.)
A campanha recente do Chile é digna de considerável respeito – não bastasse a classificação em segundo lugar na América do Sul, atrás apenas do favorito Brasil, os resultados pré-Copa andam bastante interessantes também. OK, perderam para o México no Azteca por 1 a 0, mas estão ganhando de todos os demais adversários e sem tomar gols há três jogos – e convenhamos, meter 3 a 0 em Israel chama um pouco mais a atenção do que fazer o mesmo contra o Zimbábue... Para ficarem de fora das oitavas, só se os chilenos tropeçarem desagradavelmente contra algum dos outros adversários – mesmo porque, sinceramente, eles são os únicos que eu consigo imaginar arrancando pontos da Espanha na primeira fase. Prevejo quatro ou cinco pontos para os chilenos, mais que suficiente para garantir a classificação – mas também, vai saber, não é?
HONDURAS
Na sua segunda participação em Copas, mais uma vez os hondurenhos terão a Espanha pelo caminho – história, aliás, já contada por esse vosso humilde escriba e que os mais curiosos podem ler aqui. Naquela época, o heroísmo resultou em um inacreditável empate contra a Fúria e por pouco não garantiu uma classificação histórica. Poderá ser assim esse ano? Olha, não que seja provável – afinal, Espanha e Chile são seleções inegavelmente superiores – mas descartar completamente Los Catrachos seria uma medida imprudente. Mesmo porque eles venceram o próprio Chile por 2 a 0, em amistoso disputado no começo do ano passado...
A grande maioria dos jogadores hondurenhos joga no pouco chamativo futebol local, mas algumas exceções merecem lembrança – casos de Victor Bernardez, que defende o Andrelecht (BEL), o atacante David Suazo, que mete buchas pelo Genoa (ITA) e especialmente Wilson Palacios, craque do time e nome sempre presente nos destinos do Tottenham Hotspur (ING). Além disso, a classificação dramática, conquistada na última partida em pleno período de golpe de Estado, soma muitos pontos para o CARÁTER da equipe (abraço, Cecconello).
Poderemos ver hoje mesmo, quando a equipe faz seu amistoso final contra a Romênia, até onde esses caras podem ir. Acredito num honroso terceiro lugar, vencendo a Suíça e talvez arrancando um empate contra algum dos outros times do grupo. Tegucigalpa ficaria tristonha, sem dúvida – mas considerando as dificuldades da história recente do país e a pouca potência internacional de seu futebol, convenhamos que não vai ser nada mal.
Fica até difícil dizer qualquer coisa de novo sobre eles, até porque a exposição que eles andam tendo ultimamente é daquelas que esgota qualquer assunto. Campeões da última Eurocopa, classificados nas Eliminatórias com uma campanha das mais sólidas, contando com vários dos maiores nomes do futebol mundial em seu plantel. No gol, a segurança do também capitão Casillas. Na defesa, a experiência de Puyol lado a lado à talentosa juventude de Piqué e Albiol. No meio, Xavi, Iniesta, Fábregas e Busquets dispensam maiores comentários. No ataque, David Villa é certeza de muitos gols. E na casamata, a competência inegável de Vicente Del Bosque, colecionador de títulos com o Real Madrid. Poucas vezes na história a Fúria pareceu tão furiosa a caminho de uma Copa do Mundo.
O problema, como bem sabemos, é que a Fúria Espanhola tem a estranha tendência de ficar mansinha como um poodle na hora do pega para capar. Dá para perder a conta de quantas vezes a seleção da Espanha chegou forte, prestigiada, e acabou tropeçando em adversários menos cotados ou, pior ainda, nas próprias pernas. Basta lembrarmos que, até hoje, a melhor posição espanhola em Copas foi um discretíssimo quarto lugar, no distante 1950 – e com direito a ouvir a torcida brasileira cantando “Touradas de Madri” em uma goleada das mais acachapantes. Em 2006, chegou badalada como nunca e se deu mal como sempre, morrendo ainda nas oitavas de final diante da vice-campeã França.
Será diferente desta vez? Difícil dizer. Plantel, inegavelmente a Espanha tem; a campanha recente da Fúria enche a seleção de credenciais. O simples fato de ter levado a Euro em 2008 já serve como referencial no sentido de quebrar um pouco esse feitiço de sempre chegar e nunca levar. Mas o grupo não é essa barbada toda, os emparceiramentos prometem dificuldades, então também não é caso de dar o touro como morto, para usarmos uma analogia grosseira. A Fúria tem tudo para sair líder do grupo sem maiores percalços – mas daí para frente, sinceramente, a bola de cristal fica turva e não me arrisco a mais nada...
SUÍÇA
Não que seja um timaço, uma equipe que chega na África para brigar pelo título ou qualquer coisa do tipo. Mas trata-se de uma seleção esforçada, que conseguiu uma classificação bem respeitável nas Eliminatórias, recuperando-se de um começo ruim e deixando Grécia e Letônia para trás. Ou seja, pelo menos nossos chapas merecem créditos pelo esforço. Mas, convenhamos: os suíços perderam em casa para Luxemburgo durante as Eliminatórias, e sofreram derrotas em TODOS os amistosos pré-Copa até aqui, com direito a apanhar em casa de sumidades como Noruega e Costa Rica, que nem na Copa estarão. Então tudo bem, a gente respeita, mas daí a apostar um tostão furado nos suíços vai uma boa distância...
A maioria dos atletas joga na Suíça mesmo, ou em clubes de média estatura no seio da Europa. Tallvez Senderos, que farda pelo Arsenal (ING), seja o nome mais significativo de um plantel que não impõe maiores temores. Porém, a fragilidade da Suíça é notável, sendo provavelmente a mais fraca das seleções européias no momento, e não dá para esperar muito mais deles do que um empate sem gols contra Honduras ou qualquer coisa do tipo. No final das contas, acho que os nossos chapas devem manter sua escrita histórica e ficarem na primeira fase, mesmo – aproveitando a divertida viagem para fazer alguns contatos com relojoarias locais ou, quem sabe, carregar as malas com novas receitas a base de cacau. Futebol, de qualquer modo, devemos ver bem pouco...
CHILE
Para o meu gosto, os chilenos são favoritos para a segunda vaga no Grupo H. Como tivemos chance de ver nas transmissões da Globo e da Sportv, trata-se de uma equipe tinhosa e de grandes valores individuais, comandada com maestria por um matreiro Marcelo Bielsa. Um dos bons nomes do time, o meia Fierro, anda defendendo as cores do Flamengo inclusive. Destemida, La Roja leva seis atacantes para a África do Sul, dando um sinal claríssimo de que não vai ter medo de ir atrás dos resultados necessários. E com nomes tipo Suazo, Fernandez e Alexis Sánchez para fazer as tarefas ofensivas, não dá mesmo para ficar se mixando...
(nota: Beausejour será intencionalmente ignorado nessa análise. Obrigado.)
A campanha recente do Chile é digna de considerável respeito – não bastasse a classificação em segundo lugar na América do Sul, atrás apenas do favorito Brasil, os resultados pré-Copa andam bastante interessantes também. OK, perderam para o México no Azteca por 1 a 0, mas estão ganhando de todos os demais adversários e sem tomar gols há três jogos – e convenhamos, meter 3 a 0 em Israel chama um pouco mais a atenção do que fazer o mesmo contra o Zimbábue... Para ficarem de fora das oitavas, só se os chilenos tropeçarem desagradavelmente contra algum dos outros adversários – mesmo porque, sinceramente, eles são os únicos que eu consigo imaginar arrancando pontos da Espanha na primeira fase. Prevejo quatro ou cinco pontos para os chilenos, mais que suficiente para garantir a classificação – mas também, vai saber, não é?
HONDURAS
Na sua segunda participação em Copas, mais uma vez os hondurenhos terão a Espanha pelo caminho – história, aliás, já contada por esse vosso humilde escriba e que os mais curiosos podem ler aqui. Naquela época, o heroísmo resultou em um inacreditável empate contra a Fúria e por pouco não garantiu uma classificação histórica. Poderá ser assim esse ano? Olha, não que seja provável – afinal, Espanha e Chile são seleções inegavelmente superiores – mas descartar completamente Los Catrachos seria uma medida imprudente. Mesmo porque eles venceram o próprio Chile por 2 a 0, em amistoso disputado no começo do ano passado...
A grande maioria dos jogadores hondurenhos joga no pouco chamativo futebol local, mas algumas exceções merecem lembrança – casos de Victor Bernardez, que defende o Andrelecht (BEL), o atacante David Suazo, que mete buchas pelo Genoa (ITA) e especialmente Wilson Palacios, craque do time e nome sempre presente nos destinos do Tottenham Hotspur (ING). Além disso, a classificação dramática, conquistada na última partida em pleno período de golpe de Estado, soma muitos pontos para o CARÁTER da equipe (abraço, Cecconello).
Poderemos ver hoje mesmo, quando a equipe faz seu amistoso final contra a Romênia, até onde esses caras podem ir. Acredito num honroso terceiro lugar, vencendo a Suíça e talvez arrancando um empate contra algum dos outros times do grupo. Tegucigalpa ficaria tristonha, sem dúvida – mas considerando as dificuldades da história recente do país e a pouca potência internacional de seu futebol, convenhamos que não vai ser nada mal.
Comentários
(mais ou menos, husuhhuadsahu)
Mas sério, tb acho que os hondurenhos podem dar trabalho.
E acho o time do Chile muito bom, mas o Bielsa é ofensivista demais. O Chile precisa encontrar o "equilíbrio" (TITE, 2009)
Uma seleção com esse apelido já está, no mínimo, nas quartas de final.