Grupo D: fingindo de morto!

Nem precisa pesquisar muito. Basta uma rápida voltinha pelo Google ou congêneres para perceber que a maioria dos analistas considera o Grupo D como um dos “grupos da morte” desta Copa. Apenas o Grupo G, onde os brasileiros já estão condenados à derrota diante da poderosa Coréia do Norte, estaria no mesmo grau de dificuldade desta chave. Pode até estar rolando algum exagero nesse caso - afinal, essa chave não tem o equilibro que se poderia esperar de um verdadeiro Grupo da Morte como, por ex, o de 2002, aquele que matou Argentina e Nigéria. Mas não há dúvida de que teremos grandes jogos, e que a briga pelas vagas tem tudo para ser das mais encarniçadas. Uma análise mais detida nos aponta dois grandes candidatos a serem protagonistas no grupo: Alemanha e Sérvia. Gana, apesar dos nomes sonoros e do grande contingente de atletas em solo europeu, anda meio manquitolante – e não é de agora, diga-se. E a Austrália pode dar alguns sustos, embora ainda esteja correndo por fora. Curiosamente, porém, nenhuma das seleções está nas listas de favoritos para a Copa, mesmo que o grupo em si seja tido como um dos mais tinhosos. A seguir, um pouco mais de cada uma das seleções desta chave. ALEMANHA Dizer que a seleção germânica vive um momento de renovação no plantel é o cúmulo da redundância – afinal, ouço essa historinha desde 1990 e pelo jeito a tal renovação nunca se conclui. É um dos clichês do futebol: esse ano a Alemanha está mal, enfraquecida, sem craques, sem potencial técnico. E sempre ela acaba indo lá e beliscando a taça, contra todos os prognósticos e esbanjando pragmatismo. Tanto que desta vez a gente fica até sem saber direito o que dizer – mesmo que sejam favoritos para classificação no Grupo D, quem aí fora anda dizendo que os teutônicos são candidatos a disputar o título? Pois é, amigo/a, é exatamente aí que mora o perigo. Esse time, tão esquecido em todos os palpites, é o atual vice-campeão da Eurocopa, tendo sido derrotado na final pela Espanha depois de superar Portugal e Turquia (em partida histórica) nas fases anteriores da competição. E, é claro, seguindo sempre seu método clássico: chega desacreditado nas fases decisivas (até perdeu para a Croácia na fase de grupos), vai avançando meio aos trancos e barrancos e quando menos se espera lá estão os alemães disputando novamente uma final. Nas eliminatórias, uma campanha tranquila e invicta, com a classificação antecipada e a liderança do grupo. O plantel alemão equilibra experiência com novos nomes, e parece estar de fato fazendo a tal renovação que é permanentemente exigida de seu futebol. É uma base construída desde muito antes da Euro, em um trabalho sério de Jürgen Klinsmann e administrado de forma competente pelo atual treinador Joachim Löw. Da lista de pré-convocados, apenas três jogadores estão na faixa dos 30 anos ou mais – o que, para um futebol sempre criticado pelo envelhecimento, é um dado no mínimo curioso.  Michael Ballack, que tinha tudo para ser o pilar técnico do time, está fora da Copa devido a uma lesão. De qualquer modo, nomes como Podolski, Schweinsteiger, Friedrich e Mertesacker garantem a experiência internacional – enquanto promessas como Tasci, Özil, Kroos e o brasileiro naturalizado alemão Cacau garantem o sangue novo necessário para voos mais altos. É uma equipe consistente e respeitável, a alemã. Ninguém dá nada por ela, mas tem tudo para ir longe – de novo.  AUSTRÁLIA O crescimento do futebol australiano passa, necessariamente, pela decisão de sair da OFC (confederação que controla o futebol da Oceania) e se juntar à AFC, Confederação Asiática de Futebol. Disputando as competições oceânicas, o país ficava longos períodos sem partidas oficiais e tinha sérias dificuldades em enfrentar equipes realmente competitivas. Para termos uma noção mais clara do problema, basta lembrarmos que o maior placar já registrado em confrontos internacionais foi justamente conquistado em 2001 pela Austrália, aplicando mimosos 31 a 0 na pobre Samoa Americana. Potencial para crescimento havia – puxem pela memória e lembrem, por ex, que a mesma Austrália foi 3º lugar na Copa das Confederações em 2001, vencendo o nosso próprio Brasil varonil por 1 a 0. Ou seja, a Oceania trancava a evolução do futebol australiano – e a vaga para a Copa da África é um sinal claro de como essa mudança foi positiva. É a segunda participação seguida dos australianos em Copas, seguindo-se à heróica campanha de 2006, e foi conquistada com grande autoridade. Os socceroos terminaram como líderes do Grupo A, cinco pontos à frente do Japão, e levam para a África do Sul um grupo maduro e de considerável qualidade técnica. No gol, a experiência de Schwarzer garante segurança. Na defesa, Chipperfield e Neill seguram a onda para o novato e talentoso Williams. O meio de campo de Bresciano e Cahill é tido como o mais talentoso da história australiana. E o matador Harry Kewell está pronto para guardar buchas na frente, se tiver a chance...  Os australianos pegaram um grupo difícil, e certamente correm por fora na luta pela vaga. Mas eu não descartaria uma surpresa dos Socceroos, não mesmo. A evolução do futebol da Austrália é notável, e quem sabe o que pode acontecer se os adversários de grupo derem uma bobeada?... GANA Diz-se por aí que essa seleção tem tudo para ser um dos grandes expoentes do futebol africano na Copa mais africana de todos os tempos. Elementos para essa afirmação não faltariam: é a atual vice-campeã da Copa das Nações Africanas, foi a única seleção da África a passar da primeira fase em 2006 (perdendo, coitados, para a mui tosca seleção brasileira daquele ano) e conta com craques como Adiyiah, Sarpei, Asamoah, Essien, Amoah e Muntari, todos jogando em equipes de ponta na Europa. No entanto, basta aprofundar um pouco o olhar para perceber que o quadro não é tão animador quanto parece. O vice-campeonato africano veio em uma campanha sem brilho. A classificação para a primeira fase foi facilitada pelo Togo, que sofreu um atentado em Cabinda e desistiu de disputar a competição. As vitórias seguintes vieram em jogos chochos, seguindo quase todos a mesma cartilha: gol cedo, futebol amorcegante e um 1 a 0 garantindo vaga para a fase seguinte. E a derrota na final aconteceu diante do Egito, seleção que nem irá para a Africa do Sul. Os últimos amistosos dos Estrelas Negras também não justificam maiores euforias. Entre outros resultados pouco animadores, um empate sem gols contra Malavi e uma derrota de 2 a1 para a Bósnia-Herzegovina, no que talvez tenha sido o mais forte teste que os africanos sofreram esse ano. A própria classificação de Gana para a Copa da África do Sul foi complicada – garantida na última rodada, com um suado empate de 2 a 2 contra o Mali, e por pouco não perdendo a vaga para Benin no saldo de gols. A tendência é que o time do sérvio Milovan Rajevac venha num 4-4-2 bastante ofensivo, com Muntari e Asamoah abrindo bastante nas pontas e constantes avanços dos laterais Vorsah e Pantsil. No ataque, Asamoah deve ser titular ao lado de Amoah, ainda que Gyan ande recebendo suas chances também. De qualquer modo, é uma equipe que tem potencial, mas que anda devendo, e que chega para a Copa sem a consistência necessária para ser tida como favorita. É um caso de extremos: ou se classificam com grande futebol, ou perigam levar consigo a lanterna do grupo... SÉRVIA Descendentes diretos da poderosa seleção da Iugoslávia, os sérvios andam fazendo mais que o suficiente para honrar essa tradição. Colocados em um grupo difícil nas eliminatórias, conquistaram nada menos que o primeiro lugar, superando com autoridade seleções tradicionais como França, Áustria e Romênia. Perderam apenas dois jogos, em partidas fora de casa contra França e Lituânia, e conquistaram alguns resultados históricos, como uma sonora goleada de 5 a 0 sobre a decepcionante seleção romena. Os Beli Orlovi (ou Águias Brancas para os países de língua latina) seguem com bons resultados, vencendo os últimos quatro amistosos de preparação sem sofrer um gol sequer. Jogando contra Coréia do Sul, Japão e Argélia (todos qualificados para a Copa da África do Sul), conquistaram sólidas vitórias em todos os confrontos, com destaque para o maiúsculo 2 a 0 aplicado nos japoneses em plena Osaka. Um cartão de visita dos mais chamativos, vamos combinar. O grupo de jogadores é forte, para dizer o mínimo. Jogadores como Dejan Stanković, Milan Jovanović e Branislav Ivanović atuam com destaque nos maiores clubes do futebol europeu, de modo que dispensam maiores considerações. O time de Radomir Antić deverá vir formatado em um 4-4-2, contando com uma sólida defesa e a eficiência dos atacantes Nikola Žigić e Marko Pantelić para garantir as vitórias necessárias. É um time forte, afirmado, com plenas condições de obter a classificação e até mesmo candidato à liderança do grupo. Porém, as ausências de Ivica Dragutinović e Boško Janković, causadas por lesões, podem contar negativamente no nível técnico da equipe e diminuir a superioridade sérvia diante de seus adversários.

Comentários

Prestes disse…
Não dá pra descartar nenhum time aí, principalmente pra segunda vaga.

Vale lembrar que Gana é atual campeã mundial sub-20, e vários jogadores devem aparecer. Esse Gian é um deles, vai ser interessante ver essas revelações.

Gana tinha um grupo muito forte em 2006, com Itália, EUA e Rep. Tcheca e conseguiu classificar.

Vou apostar nos africanos!
Prestes disse…
Minto, quem era desse time era o Adiyah, foi o artilheiro do mundial sub-20 ano passado.
Lourenço disse…
Também acho que é o grupo mais forte. Austrália e Gana foram para a segunda fase em 2006, a Sérvia fez uma excelente eliminatória. Difícil apostar. A Alemanha deve classificar, mas não pode bobear mesmo. Não tem jogo fácil.
Sancho disse…
Há 4 grupos aparentemente equilibrados: A, B, D e E. Pelo que me parece, o "A" é o mais parelho, mas o "D" é o mais forte.
Vicente Fonseca disse…
Alemanha é candidata ao título com certeza. Não gosto muito de rotular, mas para os que dizem que o Ballack é meio pé frio, pode até ajudar sua ausência. Não entendo porque o Frings não joga nesse time, pois até hoje é um grande jogador.

Sérvia é um bom time também.
Igor Natusch disse…
Como coloquei no texto, aposto em Alemanha e Sérvia. Analisei Gana com base nos últimos resultados obtidos, que pessoalmente achei pouco empolgantes - mas é de fato uma seleção bastante jovem e que pode conseguir grandes coisas. É como eu disse: ou joga muito e passa por cima, ou vai ficar para trás, porque o grupo não dá margem para bobeira. E a Austrália, para mim, tem potencial para incomodar muito - daqueles times que arrancam um empate ali, uma vitória suada ali, e quando a gente vê estão na segunda fase. A conferir =P