Pouco futebol na Arena
A postura do Grêmio foi correta em Curitiba. Desde o início, assumiu o papel de protagonista. Impôs-se sobre o Atlético-PR, jogou em seu campo, como se fosse o mandante. Mas faltou justamente aquilo que não tem sido problema do tricolor no campeonato: poder de fogo. Sem objetividade na criação, foram raras as chances de gol e as possibilidades para a dupla de ataque.É preciso ressaltar que a defesa esteve segura. A entrada de Túlio como um verdadeiro cabeça-de-área no lugar de Adílson foi importante para o crescimento de Fábio Rochemback, mais solto. A marcação esteve mais organizada e bem estruturada. Tcheco jogou na mesma linha de Rochemback, especialmente no segundo tempo, vindo buscar bola junto aos defensores para tentar iniciar os ataques. Tudo visando corrigir o corredor pelo qual transitaram Goiás e Sport nos últimos dois domingos.
O curioso foi que o Atlético-PR postou-se como visitante: preocupou-se apenas em se defender praticamente o tempo inteiro. Não lembro de um jogo fora de casa onde o Grêmio não tenha sofrido um único ataque a seu gol nos 45 iniciais desde o duelo com o Aurora, pela Libertadores. Mas Tcheco não rendeu na frente o mesmo que atrás, Souza esteve dispersivo. Jonas, longe do gol, mal consegue dominar a bola. Maxi lutou bastante, mas esteve rodeado pelos três zagueiros atleticanos o jogo todo.
A rigor, o primeiro tempo foi de um controle territorial gremista, mas não houve chances de gol para lado algum. O tricolor perdeu duas chances no começo do segundo, e Alex Mineiro quase fez o do Atlético-PR em boa girada sobre o inseguro Léo. E nada mais que isso. Jogo muito disputado, muito feio, de poucas emoções. Um dos piores do Campeonato Brasileiro.
Mesmo sem jogar bem, o Grêmio esteve muito mais perto da vitória. Não a conseguiu pela pouca força ofensiva demonstrada, mas dominou o adversário e reteve bem todas as suas poucas tentativas de ataque com uma consistência defensiva que precisa ser repetida. A entrada de Túlio foi importante neste sentido: as virtudes de Rochemback enfim apareceram, o time já não sofreu gols, e por isso já não perdeu. Já o Atlético-PR não jogou absolutamente nada e pouco fez jus aos bons resultados que vêm obtendo com Antônio Lopes. Como no jogo do Olímpico, pelo turno, mostrou sérias fragilidades técnicas. Desta vez, com maior aplicação tática, obteve 1 pontinho diante dos gaúchos. Contentar-se com isso, dentro de casa, é muito pouco.
Campeonato Brasileiro 2009 - 28ª rodada
7/outubro/2009
ATLÉTICO-PR 0 x GRÊMIO 0
Local: Arena da Baixada, Curitiba (PR)
Árbitro: Sálvio Spinola Fagundes Filho (SP)
Público: 20.576
Renda: R$ 394.050,00
Cartão amarelo: Ronaldo, Tcheco, Lúcio, Fábio Rochemback, Mário Fernandes e Souza
ATLÉTICO-PR: Galatto (5,5), Ronaldo (5,5) (Héverton, 38 do 2º - sem nota), Fransérgio (5) e Chico (5); Wesley (4,5), Rafael Miranda (5), Valencia (5,5), Paulo Baier (5) e Márcio Azevedo (5) (Alex Sandro, 23 do 2º - 4,5); Wallyson (4,5) e Marcinho (4,5) (Alex Mineiro, intervalo - 5,5). Técnico: Antônio Lopes (4,5)
GRÊMIO: Marcelo Grohe (6), Mário Fernandes (6), Léo (5), Réver (6) e Lúcio (5); Túlio (5,5), Fábio Rochemback (6), Tcheco (5,5) e Souza (4,5); Jonas (4) (Perea, 27 do 2º - 4,5) e Maxi López (5). Técnico: Paulo Autuori (5,5)
Foto: Maxi López fez oito faltas: símbolo de um jogo disputadíssimo, mas de poucas emoções em Curitiba (Felipe Gabriel/Lancepress).
Comentários
Cada vez fica mais claro que o Grêmio passa por um problema físico, o time cai muito no segundo tempo.
No mais, sem Souza e Mário Fernandes contra o Corinthians. Entra Adilson e o time vai vencer. Aposto uma coca-cola! Tcheco mais solto, com dois meias que chegam fácil a frente. Acho que é uma boa forma de jogar fora de casa.
E seria engraçado o Grêmio vencer em São Paulo com três volantes e o Tcheco à frente deles, com o Souza pegando banco nas partidas seguintes. Um reserva de dois milhões de euros.
O Inter sofre desse mal. Várias partidas fora de casa estavam à feição, só que em vez de subir o time todo e se compactar no campo adversário, sobem só os meias, um lateral e fica aquele buraco no meio do campo. O time fica dando estocadas com dois, três em vez de se posicionar todo mais à frente.
Ao menos é isso que acontece com o Inter, com o Grêmio já não posso afirmar.
P.S.: para os amigos solteiros entre os leitores, quem de vocês me dá uma carona até o HUNDDEVU essa noite?... (VdeP imperdível wins) =P