O porquê de muitas coisas
Se alguém deseja entender as razões do sucesso do São Paulo nos últimos tempos e da penúria do Náutico, pode tomar este jogo com um simples exemplo. Num jogo onde ambos precisavam vencer, levou a melhor aquele que teve mais competência, qualidade, frieza, gana e organização. Ao perdedor, sobrou torcida e entusiasmo, mas também incompetência, falta de foco, desespero e despreparo.Foi um dos melhores jogos do Campeonato Brasileiro, recheado de emoções do início ao fim, cheio de alternativas. Como de costume, o São Paulo começou tímido nos Aflitos. Mas aí começou a incompetência rubra: pênalti desperdiçado no comecinho do jogo por Bruno Mineiro, boa defesa de Bosco. O próprio atacante se encarregou de abrir o placar minutos depois. Sem encontrar saídas, o tricolor ainda viu Júnior César expulso. Cenário completamente adverso.
Ricardo Gomes recuou Marlos para a criação, abriu Jorge Wagner para o lado canhoto e manteve Hernanes com suas tarefas de criação, sem recuá-lo. Assim, o time não perdeu ofensividade, mantendo Borges sempre abastecido - mesmo que não estivesse em boa noite. Boa leitura do jogo.
No segundo tempo, com uniformes saudavelmente trocados, o São Paulo melhorou ainda mais, mantendo sua postura agressiva. Hernanes, melhor em campo, desfilou classe, categoria e marcou um gol de falta mais na sorte que no juízo, mas mereceu. Aí, Richarlyson foi expulso. São Paulo com dois a menos. Ali se viu a postura de quem busca um título. Em vez de retrancar seu time, Ricardo Gomes deu-lhe força defensiva com a entrada de Rodrigo, mas mandou a marcação seguir pressionando a saída de bola dos fracos zagueiros pernambucanos. O tricolor nunca deixou de jogar. Sabe que empate é primo irmão da derrota para quem briga por título no Brasileirão de pontos corridos.
Quando Hugo fez o gol da virada, tirambaço maravilhoso no ângulo, já eram 10 contra 9. A seguir, 9 contra 9. Mas isso é o que menos importa. O São Paulo mereceu a vitória por nunca desistir dela, mesmo diante de todas as dificuldades. Quando eram 11 contra 9, tivemos o melhor momento do jogo: o Náutico criava chances por ter mais jogadores em campo, e o São Paulo por ter atletas muito superiores tecnicamente. Foi um risco calculado que correu Ricardo Gomes, e deu muito certo. O técnico ainda viveu noite especialmente feliz, já que os jogadores que entraram foram todos bem, recompuseram o time e dois deles ainda participaram do gol da vitória. Rodrigo, ao entrar, robusteceu a defesa a ponto de o time não sofrer mais com o perigo alheio mesmo com um a menos. Nenhuma substituição foi em vão. Todas foram efetuadas com sentido, num jogo que exigia leitura rápida dos acontecimentos.
Ricardo Gomes confiou no taco de seu time e saiu de Recife com uma vitória importantíssima, que colocará definitivamente o São Paulo como o grande rival do Palmeiras na disputa pelo título brasileiro desta temporada.
Campeonato Brasileiro 2009 - 27ª rodada
30/setembro/2009
NÁUTICO 1 x SÃO PAULO 2
Local: Aflitos, Recife (PE)
Árbitro: Francisco Carlos Nascimento (AL)
Públco: 16.057
Renda: R$ 82.845,00
Gols: Bruno Mineiro 12 do 1º; Hernanes 14 e Hugo 43 do 2º
Cartão amarelo: Márcio, Vágner, Derley, Bruno Mineiro, Carlinhos Bala, Hugo, Renato Silva, Miranda e Jorge Wagner
Expulsão: Júnior César 32 do 1º; Richarlyson 29, Cláudio Luiz 40 e Michel 47 do 2º
NÁUTICO: Glédson (6), Márcio (4,5), Cláudio Luiz (4) e Vágner (4,5) (Élton, 16 do 2º - 5); Patrick (6) (Tuta, 36 do 2º - sem nota), Derley (4,5), Aílton (5,5), Mariano Torres (5,5) (Irênio, intervalo - 5) e Michel (4); Carlinhos Bala (5) e Bruno Mineiro (5,5). Técnico: Geninho (4)
SÃO PAULO: Bosco (7,5), Renato Silva (5,5) (Hugo, 15 do 2º - 7,5), André Dias (7) e Miranda (7); Jean (6), Richarlyson (4,5), Hernanes (7,5), Jorge Wagner (7) e Júnior César (3,5); Marlos (5,5) (Oscar, 30 do 2º - 6) e Borges (4,5) (Rodrigo, 32 do 2º - 6). Técnico: Ricardo Gomes (8,5)
Foto: Jogadores comemoram o gol de Hernanes, que empatou o jogo nos Aflitos (Agência/Estado).
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