Fiasco
Seja qual for a escalação que vai pra campo, o Internacional mostra os mesmos defeitos. Falta treinamento e foco. Isso fica escancarado pelos erros constantes de posicionamento na defesa e por erros de passe bobos com a bola.A escalação de Maicon e Glaydson ao mesmo tempo só agravou este fato no primeiro tempo. Enquanto a Universidad mostrava entrosamento, o Internacional não conseguia dar seqüência em nenhuma jogada. A equipe chilena não chegava a criar boas chances, mas era constrangedora a facilidade com que mantinham a posse de bola.
Não bastassem os erros de passe com a pelota, sem ela o time gaúcho não conseguia se compactar. Esse fato já vem acontecendo há algumas partidas. Parece que os meio-campistas do Internacional sempre estão correndo desesperadamente atrás dos jogadores adversários. E, de fato, estão, porque a equipe não consegue fechar os espaços.
O gol chileno saiu de bola parada, mais um que os colorados tomam dessa forma. Nas entrevistas, os jogadores justificaram a derrota, alegando terem tomado um gol de bola parada. Demonstra bem a importância que Tite deve dar a estas jogadas nos treinamentos. Ora, a bola parada é o lance mais fácil de marcar, pois invariavelmente a defesa está recomposta. Como isso poderia ser justificativa para uma derrota?
Assim, as faltas de foco e treinamento vão crucificando um jogador por partida. Contra o Vitória foi Sandro; no Chile, foi Sorondo quem assistiu Olivera cabecear para o gol. E é claro que não se pode culpar só o treinador por falta de concentração. Mas é só ele que pode resolver este problema crônico.
Tite, no entanto, não consegue transmitir vontade de vencer a seus comandados. Suas alterações são sempre sintomáticas. A covardia do técnico é flagrante. Falta ousadia. Ontem, por exemplo, trocou Marquinhos por Taison e Marcelo Cordeiro por Kleber. Nenhuma imaginação. O mesmo vale para a entrada de Guiñazu no lugar de Glaydson.
Entretanto, esta última alteração melhorou a equipe, simplesmente por que Guiñazu é dois oceanos melhor que Glaydson. Também por que La U recuou ao natural para garantir o placar. Foi nos últimos vinte minutos de partida que finalmente o Internacional conseguiu manter a posse de bola e jogar no campo do adversário. Nada mais que isso, porém.
Pela opção de não utilizar força máxima na quarta-feira, a vitória contra o Coritiba no final de semana passa a ser obrigação. O empate seria bom resultado. Não é mais. E o Internacional se consolidou como o time sul-americano mais incapaz de defender seus títulos.
Copa Sul-Americana 2009 – Oitavas-de-Final – Jogo de Volta
30/setembro/2009
UNIVERSIDAD DE CHILE 1 x INTERNACIONAL 0
Local: Estádio Santa Laura, Santiago (CHI)
Árbitro: Carlos Amarilla (PAR)
Público: não divulgado
Gol: Olivera 37 do 1º
Cartão amarelo: Arias, Iturra, Diaz, Sandro, Bolívar
UNIVERSIDAD DE CHILE: Pinto (6), Gonzalez (5,5), Victorino (6,5), Olarra (6) e Arias (6) (Estrada, 31 do 2º - 5); Iturra (6) (Diaz, 24 do 2º - 5,5), Seymour (6,5), Rojas (5,5) e Contreras (6,5); Montillo (6,5) (Puch, 28 do 2º - 5) e Olivera (6,5). Técnico: José Basualdo (7)
INTERNACIONAL : Lauro (5,5); Bolívar (5), Índio (5,5), Sorondo (5) e Marcelo Cordeiro (4) (Kleber, intervalo – 5,5) Maycon (5), Glaydson (3) (Guiñazú, 19 do 2º - 6), Sandro (6) e Andrezinho (5); Marquinhos (4) (Taison, intervalo – 5,5) e Alecsandro (4,5). Técnico: Tite (4)
Foto: Alecsandro quase não viu a bola (Agência/EFE)
Comentários
Verdadíssima. Há alguns jogos tenho notado isso. O posicionamento do Guiñazu em campo, por exemplo, tem deixado de ser dinâmico para ser meio que enlouquecido, na tentativa de tapar buracos.
Acho que o Tite pensou que simplesmente botando alguns titulares venceria a partida no segundo tempo. Não sei, opinião de quem não viu o jogo, só viu as trocas efetuadas, todas seis por meia dúzia.
Diante do resultado do São Paulo e da vantagem que abriu o Palmeiras, só vitória domingo mantém o Inter vivo. Pode até jogar fora do G-4 até a hora do jogo, o que aumentará a pressão. Porém, não apostaria minhas fichas num triunfo deste jeito que o time vem jogando.
E é a piada pronta essa de cair de logo cara na tentativa defender o título, assim como as avaliações de La U quando jogava a Libertadores deste ano.
Continua assim, tanto que mesmo dominando a partida só teve uma chance clara de gol. Tb teve algumas melhorias de lá pra cá, a volta do Montillo deu mais qualidade ofensiva, e o Basualdo é menos retranqueiro que o Markarian.
queria um post do Lourenço.
Agora, igualmente, é impressionante como eles não criam chances de gol. Desse ali um lance fortuito pro Inter teriam entregue uma classificação q tava nas mãos.
Mas quem mudou, realmente, foi o grupo. Já era superestimado antes (ganhava, goleava, e o Tite não tava bom ainda), mas era realmente muito bom. Hoje, o Inter tem plantel, no máximo, para disputar o G4. Vamos ver se ele consegue fazer isso, será uma vitória.
Não entendi, mas será um prazer escrever para o amigo.
No Carta na Mesa, tu cedeste e concordaste comigo. Mudaste de opinião de novo? Eu continuo achando que o Inter tem tido resultados compatíveis com seu plantel. Era muito bom no começo do ano, jogava muito bem e ganhava muito. Ainda assim, tinha gente insatisfeita com o Tite, por dois fatores: perseguição pessoal e superestimação do plantel. Hoje, o Inter já não tem mais um timaço, e os resultados, claro, caíram também. A perseguição e a superavaliação do plantel (esse time de hoje tem qualidade para ser campeão brasileiro?) continuam.
Ninguém tem compromisso com erro, é salutar rever posicionamentos constantemente, mas é necessário ter coerência para ter credibilidade na hora de criticar.
O que temos de pior é justamente a casamata, Lourenço.
Tite tomou nó do Mano, do Adilson, do Bausaldo, e de vários outros. É um treinador que até consegue, com seqüência de trabalho, dar uma boa resposta. Mas quando enfrenta adversidades dentro de uma partida, por exemplo, nunca consegue reverter.
"perseguição pessoal e superestimação do plantel" Muito bem colocado
em que posição esse time da U ficaria no Gauchão?
Até por que os fracassos recentes não foram partidas contra o São Paulo.
Na final contra o Estudiantes, Tite teve coragem. Fez o que tinha q fazer e saiu campeão. Hoje, parece ter medo de mexer na equipe.
Me parece que ele sabe ler as coisas, só que ele tenta agradar os jogadores, a imprensa, os dirigentes, a torcida ao mesmo tempo. Cede a qualquer clamor. É complicado.
Pois bem, o futebol que levou o guri à seleção foi demonstrado jogando na primeira função. Agora, ele não vem jogando nada adiantado. Aí o Inter perde o jogo e o cara diz que "com este time o Inter nunca ia se classificar". E põe a culpa, entre outros, no LAURO.
Aí é pra largar.
Eu até esperava mais dele, mas sigo achando que ele não é o principal culpado de tudo.
Brincadeiras à parte, é chocante perceber que o Inter - que tem sim, e sem dúvida, plantel para estar nas cabeças de qualquer competição - simplesmente não ter mais um padrão tático. La U é um time tecnicamente muito inferior, mas visivelmente tem uma disciplina tática, os jogadores trocam passes com um propósito, fulano avança e beltrano cobre o espaço vazio etc etc. O beabá do futebol, enfim. E o Inter conta demais com a habilidade dos seus jogadores, fica ensebando a bola na espera de uma brecha na qual o individual possa brilhar - não tem uma força coletiva, um padrão de jogo capaz de empurrar a equipe para a frente quando alguns jogadores não podem jogar ou estão apagados em campo. As substituições escancararam esse raciocínio: Taison, por ex, não entrou com um objetivo tático definido, era algo do tipo "vai para dentro deles, guri". E isso não é apenas culpa do Tite, mas sim de todo um raciocínio do clube - e sim, Carvalho tem muita responsabilidade nisso também.
"E o Inter conta demais com a habilidade dos seus jogadores, fica ensebando a bola na espera de uma brecha na qual o individual possa brilhar - não tem uma força coletiva, um padrão de jogo capaz de empurrar a equipe para a frente quando alguns jogadores não podem jogar ou estão apagados em campo. As substituições escancararam esse raciocínio: Taison, por ex, não entrou com um objetivo tático definido, era algo do tipo "vai para dentro deles, guri"."