Nilmaravilha, nós gostamos de você!
Um Chile disposto a vencer si o si, contra um Brasil que oscilava entre o clima de festa e a seriedade por vezes até exagerada. Jogo duríssimo, que só terminou com vitória por 4 a 2 por que a bola procurou Nilmar em Salvador. O atacante foi quem melhor aproveitou a chance de começar jogando, praticamente carimbou o passaporte para a África do Sul e já dá um bafo na nuca de Robinho.
Os chilenos entraram em campo pressionando a seleção brasileira e com um quarteto de pouquíssimo poder de marcação e muito mais vocação ofensiva: Beuasejour, Fernandez, Sanchez e Suazo. O Brasil passava algum apuro, mas mostrava boa capacidade de se defender. Alguns movimentos já estão perfeitamente mecanizados pelo time brasileiro. Quando André Santos era driblado por Sanchez, por exemplo, obrigando um zagueiro a sair da área, invariavelmente Maicon fechava para o meio e cortava o cruzamento.
Aos poucos a estratégia chilena foi se mostrando vulnerável porque o Brasil tinha jogadores de muita velocidade, como Nilmar, Daniel Alves e Maicon. O time de Dunga foi se soltando na partida e os dois primeiros gols saíram naturalmente porque, com espaços e maior qualidade técnica, o ataque canarinho batia facilmente a defesa chilena.
Não critico de todo Bielsa. Seu grupo tem muito mais qualidade no ataque que na defesa, é natural – e legal para quem assiste - que tente sufocar o adversário. Entretanto, contra um oponente muito superior talvez tenha que saber propor estratégias alternativas, como uma boa retranca e um contra-ataque matreiro. Até a Bolívia teve melhor sorte dessa maneira.
Após o dois a zero, a seleção brasileira perdeu o foco, e passou a abusar das jogadas de efeito. Felipe Melo quase entregou um gol para Suazo com um toque de letra fora de hora. Depois deste lance, fez o pênalti que originou o primeiro gol chileno e, abalado, cavou a própria expulsão num lance absurdo.
É preciso cuidados com a instabilidade emocional deste jogador. É reincidente. Em uma partida recente da Juventus chorou após entregar um gol para o Roma, se redimiu fazendo outro e aí se pelou de emoção no fim do jogo. Atribuiu o choro à morte da avó. O Imperador nunca mais foi o mesmo depois da morte do pai. Dunga e Jorginho têm de cuidar da cabeça de seu volante de confiança preventivamente, antes que seja necessário “recuperá-lo”.
Com a expulsão do jogador, no segundo tempo, Dunga mostrou mais uma vez que já evoluiu muito como treinador desde que assumiu a seleção brasileira. As entradas de Sandro e Elano, com o deslocamento de Daniel Alves para o lugar de André Santos (de má atuação), deram a consistência necessária para suprir a desvantagem numérica. Diego Tardelli deu muito mais mobilidade para os contra-ataques.
Aquele Dunga passivo, que pensava demais antes de substituir, e nunca encontrava alternativas corretas, não existe mais. Hoje, é um treinador que sabe ler a partida e que já encontrou no grupo de jogadores várias opções para mudar a equipe quando necessário.
O treinador e a estrela de Nilmar foram os principais responsáveis pela vitória brasileira. Dunga só precisa ser menos rancoroso. Após um dos gols, xingou até torcedores que o corneteavam atrás do banco. O ex-integrante dos sete anões precisa entender que o sentimento do torcedor é o bem maior do futebol, está muito acima do conforto pessoal do técnico. Dunga tampouco consegue ter a dignidade de reconhecer que ele pode ter aprendido muito nestes três anos como técnico e que, não necessariamente, a imprensa sempre esteve errada e ele certo.
Eliminatórias da Copa do Mundo 2010 – América do Sul – 16ª rodada
09/09/2009
BRASIL 4 x CHILE 2
Local: Estádio de Pituaçu, Salvador (BA)
Árbitro: Jorge Larrionda (URU)
Público: 30.370 pagantes
Renda: R$ 4.350.425,00
Gols: Nilmar 31, Júlio Baptista 40 e Suazo 44 do 1º; Suazo 7, Nilmar 28 e 30 do 2º
Cartão Amarelo: Jará e Sanchez
Expulsão: Felipe Melo 3 e Sanchez 32 do 2º
BRASIL: Júlio César (6,5), Maicon (7), Miranda (6), Luisão (6,5) e André Santos (5) (Elano, 25 do 2º – 7); Gilberto Silva (6), Felipe Melo (3), Daniel Alves (7,5) e Júlio Baptista (6) (Sandro, 23 do 2º – 6,5); Nilmar (9) e Adriano (5) (Diego Tardelli, 23 do 2º – 6) Técnico: Dunga (8)
CHILE: Bravo (5), Medel (5), Jara (5), Ponce (4) e Vidal (4) (Cereceda, intervalo – 5); Millar (4,5) (Isla, 23 do 2º - 5,5), Carmona (5,5), Matias Fernandes (5,5) e Beausejour (6,5); Sanchez (5,5) e Suazo (7,5) (Valdivia, 23 do 2º - 5,5) Técnico: Marcelo Bielsa (5,5).
Os chilenos entraram em campo pressionando a seleção brasileira e com um quarteto de pouquíssimo poder de marcação e muito mais vocação ofensiva: Beuasejour, Fernandez, Sanchez e Suazo. O Brasil passava algum apuro, mas mostrava boa capacidade de se defender. Alguns movimentos já estão perfeitamente mecanizados pelo time brasileiro. Quando André Santos era driblado por Sanchez, por exemplo, obrigando um zagueiro a sair da área, invariavelmente Maicon fechava para o meio e cortava o cruzamento.
Aos poucos a estratégia chilena foi se mostrando vulnerável porque o Brasil tinha jogadores de muita velocidade, como Nilmar, Daniel Alves e Maicon. O time de Dunga foi se soltando na partida e os dois primeiros gols saíram naturalmente porque, com espaços e maior qualidade técnica, o ataque canarinho batia facilmente a defesa chilena.
Não critico de todo Bielsa. Seu grupo tem muito mais qualidade no ataque que na defesa, é natural – e legal para quem assiste - que tente sufocar o adversário. Entretanto, contra um oponente muito superior talvez tenha que saber propor estratégias alternativas, como uma boa retranca e um contra-ataque matreiro. Até a Bolívia teve melhor sorte dessa maneira.
Após o dois a zero, a seleção brasileira perdeu o foco, e passou a abusar das jogadas de efeito. Felipe Melo quase entregou um gol para Suazo com um toque de letra fora de hora. Depois deste lance, fez o pênalti que originou o primeiro gol chileno e, abalado, cavou a própria expulsão num lance absurdo.
É preciso cuidados com a instabilidade emocional deste jogador. É reincidente. Em uma partida recente da Juventus chorou após entregar um gol para o Roma, se redimiu fazendo outro e aí se pelou de emoção no fim do jogo. Atribuiu o choro à morte da avó. O Imperador nunca mais foi o mesmo depois da morte do pai. Dunga e Jorginho têm de cuidar da cabeça de seu volante de confiança preventivamente, antes que seja necessário “recuperá-lo”.
Com a expulsão do jogador, no segundo tempo, Dunga mostrou mais uma vez que já evoluiu muito como treinador desde que assumiu a seleção brasileira. As entradas de Sandro e Elano, com o deslocamento de Daniel Alves para o lugar de André Santos (de má atuação), deram a consistência necessária para suprir a desvantagem numérica. Diego Tardelli deu muito mais mobilidade para os contra-ataques.
Aquele Dunga passivo, que pensava demais antes de substituir, e nunca encontrava alternativas corretas, não existe mais. Hoje, é um treinador que sabe ler a partida e que já encontrou no grupo de jogadores várias opções para mudar a equipe quando necessário.
O treinador e a estrela de Nilmar foram os principais responsáveis pela vitória brasileira. Dunga só precisa ser menos rancoroso. Após um dos gols, xingou até torcedores que o corneteavam atrás do banco. O ex-integrante dos sete anões precisa entender que o sentimento do torcedor é o bem maior do futebol, está muito acima do conforto pessoal do técnico. Dunga tampouco consegue ter a dignidade de reconhecer que ele pode ter aprendido muito nestes três anos como técnico e que, não necessariamente, a imprensa sempre esteve errada e ele certo.
Eliminatórias da Copa do Mundo 2010 – América do Sul – 16ª rodada
09/09/2009
BRASIL 4 x CHILE 2
Local: Estádio de Pituaçu, Salvador (BA)
Árbitro: Jorge Larrionda (URU)
Público: 30.370 pagantes
Renda: R$ 4.350.425,00
Gols: Nilmar 31, Júlio Baptista 40 e Suazo 44 do 1º; Suazo 7, Nilmar 28 e 30 do 2º
Cartão Amarelo: Jará e Sanchez
Expulsão: Felipe Melo 3 e Sanchez 32 do 2º
BRASIL: Júlio César (6,5), Maicon (7), Miranda (6), Luisão (6,5) e André Santos (5) (Elano, 25 do 2º – 7); Gilberto Silva (6), Felipe Melo (3), Daniel Alves (7,5) e Júlio Baptista (6) (Sandro, 23 do 2º – 6,5); Nilmar (9) e Adriano (5) (Diego Tardelli, 23 do 2º – 6) Técnico: Dunga (8)
CHILE: Bravo (5), Medel (5), Jara (5), Ponce (4) e Vidal (4) (Cereceda, intervalo – 5); Millar (4,5) (Isla, 23 do 2º - 5,5), Carmona (5,5), Matias Fernandes (5,5) e Beausejour (6,5); Sanchez (5,5) e Suazo (7,5) (Valdivia, 23 do 2º - 5,5) Técnico: Marcelo Bielsa (5,5).
Comentários
Dunga de fato evoluiu muito, e fez a correta leitura dos fatos. Acho que ele demorou um pouco a agir no segundo tempo de Rosario, só. Mas deu sorte. Acho que ele se mantém carrancudo com a imprensa também para que não se instale aquele clima de oba-oba pré-2006. Única explicação para um conflito tão aberto assim como uma mídia que até já o reconhece pelo trabalho.
E nisso só posso entender. Não se faz isso com um ser humano, atribuir um fracasso coletivo nos ombros de alguém.
Entrevistei o Bráulio há uns anos atrás e vejo que até hoje ele tem mágoa da imprensa gaúcha, por aquela guerra contra ele. Acho que o Dunga tb tem este ressentimento desde lá.
Aliás, excelente análise, Prestes.
Eis, Ponsito.
Eu gosto do jeito que o Dunga trata a imprensa. Poderia ser um pouco mais polido, cortez, educado, mas ele é justo e correto.
E pra mim, falta um reserva para o Kaká. Diego é um bom nome, mas na Seleção nunca conseguiu jogar o que sabe. Eu gosto do futebol do Julio Baptista, mas não o considero o substituto direto do Kaká.
Atacantes não faltam, e o Diego Tardelli esteve bem nos minutos que jogou. O Adriano ainda precisa perder uns quilinhos, para se garantir. Com sorte, o Robinho vai pra reserva do Nilmar, reclama publicamente, e nem é convocado mais. :)
Já a lateral esquerda segue em aberto. Fabio Aurélio e Marcelo terão chance de mostrarem o que jogam ?
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Em tempo: abro a capa do Terra, e descubro que a Leila Lopes acaba de descobrir que é alérgica a lactose...
Putz. Praticamente terminou a carreira dela como atriz pornô.
Acho que o André Santos vai à Copa, mas não tá garantido como titular. O Kléber, se mantiver o ritmo atual, renova suas chances, ainda mais que o Dunga presta mais atenção aqui no futebol gaúcho.
O Felipe Melo só precisa mostrar ao Dunga que não vai deixar o time na mão em um jogo decisivo. Por desempenho e esquema de jogo já tá firmado ali.
e discordo da nota do alexis sanchez. talvez eu esteja influenciado pela idolatria que os chilenos (principalmente as chilenas) têm por ele, mas o cara jogou muito bem ontem, deitou no andré santos e cavou um pênalti em boa jogada individual.