Duas décadas de copeirismo no Brasil

Há 20 anos exatos, o Grêmio conquistava pela primeira vez a Copa do Brasil, justo em sua edição inaugural. Os relatos dão conta da célebre conversa do técnico Cláudio Duarte com os jogadores no vestiário, indicando que, neste então novo torneio, havia um atalho considerável para a disputa da Taça Libertadores da América. Não seria mais preciso o vice-campeonato brasileiro para chegar lá. Bastaria eliminar cinco adversários, entre campeões de todos os estaduais nacionais e vices dos principais, para ter uma taça em nível nacional no armário e a habilitação para representar o Brasil no maior torneio continental do ano seguinte.

A caminhada começou contra o modesto Ibiraçu, do Espírito Santo. Vitória apertada de 1 a 0 fora de casa na ida, gol de Alfinete. Na volta, 6 a 0 no Olímpico. A seguir, veio o Mixto. O 5 a 0 na partida de ida praticamente garantia a vaga antecipada. Temendo um fiasco maior e gastos desnecessários, o time do Mato Grosso alegou falta de voos a Porto Alegre e não compareceu à segunda partida, vencida pelo tricolor de WO, por 1 a 0.

Nas quartas-de-final, o Bahia campeão brasileiro se defrontaria com o tricolor gaúcho. Em Salvador, Cuca e Kita garantiram um belo 2 a 0 que encaminhava a passagem de fase com tranquilidade. No Olímpico, cerca de 33 mil pessoas viram a vitória de 1 a 0, belo gol de falta do capitão Edinho.

A seguir, a célebre disputa contra o Flamengo. No Rio de Janeiro, eram 15 minutos e o placar marcava 2 a 0 para os cariocas, que tinham grandes nomes como o jovem Júnior Baiano, Júnior, Leonardo (tetra em 1994), Renato Portaluppi, Zico, Marcelinho Carioca e Zinho. Mas o Grêmio mostrou sua face copeira e descontou ainda no primeiro tempo com Paulo Egídio. No segundo, aos 9 minutos, o zagueiro Luís Eduardo deixou tudo igual. O 2 a 2 era uma bela vantagem, já que o saldo qualificado permitia ao tricolor empatar por até 1 a 1 que a vaga à final estaria garantida.

Mas no Olímpico o que o Grêmio menos fez foi se defender. Diante de 46 mil torcedores, amassou o Flamengo. Cuca abriu vantagem logo aos 23. No segundo tempo, um massacre: históricos 6 a 1, comandados por Cuca, Assis e Paulo Egídio. Tudo levava a crer que as dificuldades maiores em direção ao título já tinham passado.

Mas o fato é que o Sport impôs, na final, muito mais dificuldades que o renomado Flamengo na fase anterior. Jogando cautelosamente, o tricolor segurou um 0 a 0 vantajoso na Ilha do Retiro. Na volta, aos 9 minutos, Assis abriu o placar e enlouqueceu os 62 mil gremistas presentes ao Olímpico. Aos 31, Mazaropi tentou cortar escanteio e meteu contra. O 1 a 1 dava o título aos pernambucanos. Até que Cuca, aos 6 do segundo tempo, aproveitou falha da zaga e de Lino e emendou para as redes. 2 a 1, Grêmio campeão, e a comemoração do gol título foi com Mazaropi, claro. O goleiro mais vitorioso da história do clube não merecia um capítulo tão tenebroso no fim de sua passagem pelo Estádio Olímpico.

A campanha invicta do segundo título nacional gremista e a ficha da grande final estão abaixo. Mais informações, recomendo este trabalho do André Kruse, que é o material mais completo a respeito da Copa do Brasil de 1989 que conheço.

Parabéns a nós, gremistas, por esta data tão especial.

Campanha
Ibiraçu 0 x Grêmio 1 (Alfinete)
Grêmio 6 x Ibiraçu 0 (Alfinete, Paulo Egídio-2, Cuca, Adílson Heleno e Kita)

Mixto 0 x Grêmio 5 (Nando-2, Cuca, Alfinete e Assis)
Grêmio 1 x Mixto 0 (WO)

Bahia 0 x Grêmio 2 (Cuca e Kita)
Grêmio 1 x Bahia 0 (Edinho)

Flamengo 2 x Grêmio 2 (Paulo Egídio e Luís Eduardo)
Grêmio 6 x Flamengo 1 (Cuca-2, Paulo Egídio-2, Almir e Assis)

Sport 0 x Grêmio 0

Final - Jogo de volta
2/setembro/1989
GRÊMIO 2 x SPORT 1
Local: Olímpico Monumental, Porto Alegre (RS)
Árbitro: José de Assis Aragão (SP)
Público: 62.807
Renda: NCz$ 548.096,00
Gols: Assis 9 e Mazaropi (contra) 31 do 1º; Cuca 6 do 2º
Cartão amarelo: Aírton
Expulsão: Betão 45 do 1º
GRÊMIO: Mazaropi, Alfinete (Trasante, 30 do 1º), Luís Eduardo, Edinho e Hélcio; Jandir, Lino, Cuca e Assis; Paulo Egídio e Nando (Almir, 27 do 2º). Técnico: Cláudio Duarte
SPORT: Rafael, Betão, Márcio Alcântara, Aílton e Aírton; Rogério (André, intervalo), Lopes (Edinho, intervalo) e Joécio; Marcus Vinícius, Barbosa e Edson. Técnico: Nereu Pinheiro

Foto: Grêmio campeão da primeira Copa do Brasil, em 1989. Em pé: Mazaropi, Edinho, Alfinete, Luís Eduardo, Jandir e Hélcio. Sentados: Assis, Cuca, Nando, Lino e Paulo Egídio (copadobrasil1989.blogspot.com).

Em tempo:
- É uma pena que em um post comemorativo tenhamos que lamentar uma perda. O Carta na Manga se consterna profundamente diante da perda de Paulo Ramos, 24 anos, que jogou no Grêmio entre 2005 e 2006, vítima de problemas cardíacos em uma pelada. Ele estava afastado do futebol profissional desde março por causa da moléstia.

Comentários

Prestes disse…
Bela campanha do Grêmio! (não sem sofrimento, como sempre!).
Lourenço disse…
Pois é, tragédia isso do Paulo Ramos. Pesar.
André Kruse disse…
Valeu pela referência.

Muito triste esta história do Paulo Ramos.