A decisão se aproxima

Tudo o que está precedendo este duelo de sábado à noite vem transbordando em rivalidade. Não importa que muitos que estejam em campo de lados opostos sejam até companheiros de time na Europa, ou amigos. Argentina x Brasil farão o clássico mais quente dos últimos tempos, até mais que a própria final da Copa América de 2007.

A Argentina não pode falar noutra coisa que não a vitória, mas tentar amendrontar o Brasil pelo discurso não é exatamente uma estratégia interessante. A seleção de Dunga é muito experiente, joga junto há tempo, é um time na acepção da palavra. Pode sim inflamar a torcida de Rosario, que já comprou todas as entradas disponíveis para o clássico.

Aliás, a escolha da cidade do Central e do Newell's não poderia ser mais simbólica. Lá ocorreu a Copa de 1978, aquele empate sangrento sem gols entre as duas equipes, e depois o vexatório caso envolvendo os peruanos. Foi lá que a seleção platina conquistou, daquela forma, seu primeiro título mundial. Não é tentativa de rememorar o passado: simplesmente, exercer pressão sobre a equipe brasileira, já que o Monumental de Nuñez tem sido de reclamações pela campanha vacilante da seleção nas Eliminatórias. A necessidade de vencer a qualquer custo, sob pena de terminar numa repescagem ou, num desastre maior, até fora do Mundial, é que traz o jogo para o interior do país. Até missa Maradona mandou rezar, não pela Igreja Maradoniana, mas em uma capela de Ezeiza, próxima à concentração da equipe albiceleste.

Dentro de campo, muita coisa pode mudar ainda. As escalações que se anunciam mostram um Brasil melhor em quase todos os aspectos: mais bem estruturado, equilibrado, criativo e individualmente melhor equipado. Tudo pode ser superado pelos argentinos em sua gana que há tempos não vê na seleção, pela necessidade absoluta de vitória, ou por uma jornada inspirada de Verón e/ou Messi. Ninguém duvida que eles possam desequilibrar, bem como Kaká e Luís Fabiano do outro lado.

Ao Brasil, vale a classificação antecipada, mas nem que perca o time fica ameaçado de não ir à África do Sul. Mesmo que mantenha os atuais 27 pontos, a seleção deve ir à Copa. Se não tratar o jogo como um "amistoso de luxo", como fez em 2005, em mais uma daquelas desastradas declarações que culminaram no fracasso diante de Zidane, pode conseguir os 3 pontos. Ainda mais se puser na cabeça que, vencendo a partida, poderá estar se livrando de uma das principais ameaças ao hexa já nas Eliminatórias. O trabalho de Dunga e Jorginho, que tem primado pela organização, deverá passar por aí também.

De amistoso de luxo a decisão: este é o desafio brasileiro ao encarar a nova edição da Batalha de Rosario. Se ocorrer, significará maturidade: pensar a longo prazo, já na Copa do Mundo, como se ela já tivesse de fato começado. Veremos neste sábado se esta seleção brasileira é mesmo um time que sabe o que quer, que está pronto para ganhar o sexto título mundial. Mesmo se perder, mas encarando o duelo com a importância que ele pode ter no futuro, dará uma prova de que estará. Se entrar frouxa, como naquele baile de Nuñez de 2005, ainda estará léguas longe.

Comentários

Prestes disse…
Concordo sobre as declarações dos argentinos. Só demonstram que são eles que estão cagados.

Geralmente, o fator local costuma prevalecer em Brasil e Argentina, mas com essa zaga argentina que vai pra campo vai ser difícil segurar o Brasil.

"vencendo a partida, poderá estar se livrando de uma das principais ameaças ao hexa já nas Eliminatórias."

Perfeito. Eu como admirador não quero ver a Argentina fora da Copa, mas o pensamento da Seleção Brasileira tem que ser esse mesmo. Se der pra eliminar uma candidata agora que o façam!
Vicente Fonseca disse…
Também não quero ver a Argentina fora da Copa. Torço sempre para que os grandes joguem, para que tenhamos partidas mais atraentes.
Lourenço disse…
É, eu nem estou querendo ouvir o "Argentina joga a classificação para a Copa" contra o Brasil, para não acabar torcendo pelos hermanos.
E eu teria medo de estar em campo com uma camisa amarela. Provavelmente veremos uma carnificina dentro e fora de campo.

Hoje o Brasil é mto mais time que a Argentina, e pela bola, ganharia esse jogo. Agora, é claro, esse jogo vale mto mais pra Argentina do que para o Brasil. Aliás, vale mais para o Maradona do que para qquer outro envolvido. Uma derrota e acho que já era pra ele.

E concordo, eles estão com medo sim. Vale lembrar a capa do Olé, logo após o título do Brasil na Copa das Confederações. Os jogadores brasileiros reunidos no centro do campo, rezando, e a manchete "Oremos". Genial, e vindo do Olé, surpreendente.