Bastaram 15 minutos
O Internacional é campeão do turno, título simbólico e que fica relativizado pelo fato de estarmos em pleno returno. Mas isto importa muito menos do que a recuperação do time, que oscila tanto quanto os demais que estão na briga. Depois de 1 ponto conquistado diante de Corinthians, Palmeiras e Santos, o colorado aproveita para golear dois adversários diretos no Beira-Rio, colar no líder e retomar sua condição de candidato ao título brasileiro com possibilidades reais.Só não se enganem pelo placar. O 3 a 0 reflete a superioridade do segundo tempo, mas não as dificuldades imensas do primeiro. O Inter não ganhou quando quis; precisou mudar e se impor para reverter uma tendência ruim que indicava o primeiro tempo. Tite repetiu time e ideia tática do domingo, mas o Atlético-MG conseguiu anular por completo o 3-5-2 colorado. Marcava firme a saída de bola dos três zagueiros. Giuliano, Magrão e Kleber eram isolados dos defensores através desta forte pressão. Edu e Marquinhos igualmente, e eram ainda obrigados a buscar jogo para não se verem completamente fora do combate. Só quem tinha relativa liberdade eram Danilo Silva e Bolívar, pelo lado direito, ambos os jogadores mais limitados tecnicamente com a bola nos pés.
Em menos de 10 minutos, foram três chances criadas pelo time de Celso Roth. Corrêa, Renan Oliveira, Carlos Alberto e Thiago Feltri puxavam contra-ataques perigosos que serviam Rentería e Diego Tardelli, dupla relativamente afinada. O camisa 9 atleticano dava trabalho e ganhava a maioria das disputas contra Guiñazu e Fabiano Eller, este sem a liberdade para sair ao ataque como contra o Goiás.
Para o intervalo, era preciso mudar. A troca de Tite foi precisa: retirou o fraco Danilo Silva para investir em um D'Alessandro faminto por jogo. Em 15 minutos, o Inter, agora no 4-4-2, amassou o Galo. Primeiro, D'Ale lançou Kleber, que mais recuado ficou mais difícil de ser marcado. O lateral cruzou e Edu aproveitou de cabeça. Dois minutos depois, atônito, o Atlético-MG deixou o Inter trocar passes como quis e D'Alessandro aproveitou rebote de Kleber para ampliar. Aos 15, reprise do primeiro gol: Kleber foi ao fundo e cruzou na cabeça de Edu. Paradoxalmente, o lateral canhoto participou dos três gols do Inter mesmo jogando mais recuado que na etapa inicial.
Edu mostrou oportunismo em ambos os gols. Teve dificuldades no primeiro tempo, mas decidiu no segundo. Giuliano, mesmo sem o brilho de outras partidas, foi participativo. Kleber ficou escondido num canto do campo na etapa inicial, foi excelente no segundo. O Inter todo melhorou com a troca de esquema. Talvez Tite tenha achado no 3-5-2 uma alternativa, mas não a solução. O Atlético-MG deixou claro como foi fácil anular as peças coloradas no primeiro tempo.
E antes que já se peça, D'Alessandro ainda não é titular. Ou não deve ser. Precisa fazer mais para merecer voltar ao time. Hoje teve grande noite, mas precisa voltar a jogar bem com certa regularidade, o que conseguiu razoavelmente no primeiro semestre. De qualquer forma, Andrezinho parece estar perdendo lugar no time. Já o Galo vem em queda livre. Mostrou hoje bom poder de marcação nos 45 iniciais, envolveu o Inter, jogou melhor. Mas precisa pontuar antes que a Libertadores fique longe demais. Se é que já não está, do jeito que a coisa anda.
Campeonato Brasileiro 2009 - 17ª rodada - jogo atrasado
2/setembro/2009
INTERNACIONAL 3 x ATLÉTICO-MG 0
Local: Beira-Rio, Porto Alegre (RS)
Árbitro: Francisco Carlos do Nascimento (AL)
Público: 20.250
Renda: R$ 376.070,00
Gols: Edu 5, D'Alessandro 7 e Edu 15 do 2º
Cartão amarelo: Sorondo, Bolívar, Rentería, Felipe e Alex Bruno
INTERNACIONAL: Lauro (6), Bolívar (5,5), Sorondo (6,5) e Fabiano Eller (5,5); Danilo Silva (4,5) (D'Alessandro, intervalo - 7), Guiñazu (6,5), Magrão (5), Giuliano (6) e Kleber (7,5) (Marcelo Cordeiro, 43 do 2º - sem nota); Marquinhos (5) e Edu (7) (Léo, 34 do 2º - sem nota). Técnico: Tite (7)
ATLÉTICO-MG: Bruno (5,5), Felipe (4,5) (Paulinho, 14 do 2º - 5), Werley (4,5), Alex Bruno (5) e Thiago Feltri (5,5); Carlos Alberto (5), Renan (5), Corrêa (5) e Renan Oliveira (5) (Pedro Oldoni, 17 do 2º - 5,5); Rentería (5) (Thiago Cardoso, 27 do 2º - 5) e Diego Tardelli (6). Técnico: Celso Roth (5,5)
Foto: Giuliano se movimentou bastante, mas sofreu com a marcação atleticana (Jefferson Bernardes/Vipcomm)
Comentários
Acho que o mais importante é o Tite começar a tomar atitudes para ganhar as partidas. Tudo bem que as duas últimas foram em casa, e a do Goiás foi decidida meio rápido, mas acho que as coisas estão engrenando. Mantendo a ofensividade era a última coisa que faltava pro Inter buscar o título, visto que já vinha ensaiando trocas de esquema tático.
Se continuar assim, o campeonato vai terminar da forma mais emocionante, como todos achavam no início do ano, tamanha a irregularidade de TODOS os times que brigam pelo título.
Bah, Vine, nem me toquei. hahaha. Deixarei a nota ao homi agora mesmo.
Nos dois últimos jogos, e principalmente nesse, o Inter não correu riscos com bola cruzada para a área. Por cima, a defesa foi muito bem.
E o Edu parece que aprendeu na Europa que futebol se joga em pé. Dá gosto de ver um atacante que mesmo fora de forma, sabe proteger a bola sem ficar buscando motivos para cair e cavar faltas. O Taison podia aprender com ele.
Bah, bem ressaltado, Batata.
Como é bom um atacante que quer jogar.
disse que Roth ia cair no fim do turno, errei a data, mas acho que logo isso se confirma. Até acho que ele não mereça uma demissão, mas é assim que se faz futebol por aí...