Desequilíbrio
Maxi López já havia falado do time, assim como fez Tcheco. Souza falou de ambos, e Tcheco falou de Maxi. As três principais lideranças técnicas do Grêmio andam às turras ou, se não andam, passam esta impressão. Divulgar o que se pensa ao microfone tem de ser algo muito bem pensado. Talvez a direção devesse proibir os atletas de conceder entrevistas após as partidas, quando a cabeça está no auge da temperatura fervilhante. Pelo menos agora, para amenizar um pouco e externamente este clima ruim que se instalou no vestiário do Olímpico.
Reclamar da falta de pegada do time é complicado porque mexe com a vontade de cada um de estar ali, defendendo as cores do clube. Pega mal. Por isso, Tcheco deveria cobrar o grupo internamente, e não como fez. Capitão algum pode agir da maneira como ele, tanto neste episódio de agora quanto naquele com Maxi López. E se Souza "fala pelo grupo", há algo de errado. Quem tem falar pelo grupo é o capitão. Fácil concluir que tanto como outro estão equivocados na postura.
O que Tcheco acerta é na sua avaliação. O Grêmio tem desarmado pouco, é um dos que menos rouba a bola do adversário. O time não precisa ser faltoso para isso. Roubada de bola se consegue sem falta. Quando ela é marcada, a posse continua com o adversário. Paulo Autuori alterou o esquema do time justamente para tapar buracos visíveis que havia na meia-cancha do 3-5-2. O problema é que, fora de casa, os adversários ainda transitam com facilidade pelo meio-campo do Grêmio.
Autuori ainda não encontrou este equilíbrio, e a campanha irregular no Campeonato Brasileiro é reflexo disso. Ele pode ser cobrado pelos resultados, pois já tem 20 jogos, o que já é tempo de mostrar serviço, até pela sua reconhecida capacidade. Mas é justamente por ela que precisa de tempo para trabalhar. Não é por desinteresse em marcar ou por um suposto ofensivismo do time que os resultados longe do Olímpico não vêm, é pelo contrário. Duas das piores partidas fora de casa foram contra o São Paulo e parte contra o Palmeiras, onde o time foi acuado pelo adversário e não teve soluções ofensivas. Mas técnico algum manda o time não marcar. O Grêmio irá combater melhor seus inimigos quando estiver maduro taticamente. A diferença é que Autuori prefere que o time tente jogar nesta fase de consolidação de ideias em vez de só combater os adversários através de uma tática mais retraída. Ademais, a defesa está longe de ser frouxa: é a quinta melhor do campeonato, 21 gols sofridos, média semelhante aos time de Mano Menezes, em 2006 e 2007. O ataque fora é que consititui um problema, com apenas 5 gols marcados em 9 jogos. Falta postura longe de Porto Alegre, mais do que "pegada".
Autuori tem de achar equilíbrio dentro do campo e acertar o descompasso do discurso de seus principais líderes de time fora dele. Pode e deve ser cobrado, mas precisa e merece tempo. O Grêmio tem um dos melhores treinadores do País, e não seria interessante desperdiçá-lo prematuramente por argumentos que incluem seu local de nascimento. Há quatro meses, tínhamos um gaúcho aqui.
Em tempo:
- Ao menos a estatística está ao lado do tricolor, que segue como melhor time brasileiro e 9º melhor do mundo no momento, segundo ranking da IFFHS. Os líderes são Barcelona e Manchester United. O melhor sul-americano é o Estudiantes, em 3º lugar. O segundo melhor brasileiro é o Cruzeiro (10º). O Internacional é 16º.
Reclamar da falta de pegada do time é complicado porque mexe com a vontade de cada um de estar ali, defendendo as cores do clube. Pega mal. Por isso, Tcheco deveria cobrar o grupo internamente, e não como fez. Capitão algum pode agir da maneira como ele, tanto neste episódio de agora quanto naquele com Maxi López. E se Souza "fala pelo grupo", há algo de errado. Quem tem falar pelo grupo é o capitão. Fácil concluir que tanto como outro estão equivocados na postura.
O que Tcheco acerta é na sua avaliação. O Grêmio tem desarmado pouco, é um dos que menos rouba a bola do adversário. O time não precisa ser faltoso para isso. Roubada de bola se consegue sem falta. Quando ela é marcada, a posse continua com o adversário. Paulo Autuori alterou o esquema do time justamente para tapar buracos visíveis que havia na meia-cancha do 3-5-2. O problema é que, fora de casa, os adversários ainda transitam com facilidade pelo meio-campo do Grêmio.
Autuori ainda não encontrou este equilíbrio, e a campanha irregular no Campeonato Brasileiro é reflexo disso. Ele pode ser cobrado pelos resultados, pois já tem 20 jogos, o que já é tempo de mostrar serviço, até pela sua reconhecida capacidade. Mas é justamente por ela que precisa de tempo para trabalhar. Não é por desinteresse em marcar ou por um suposto ofensivismo do time que os resultados longe do Olímpico não vêm, é pelo contrário. Duas das piores partidas fora de casa foram contra o São Paulo e parte contra o Palmeiras, onde o time foi acuado pelo adversário e não teve soluções ofensivas. Mas técnico algum manda o time não marcar. O Grêmio irá combater melhor seus inimigos quando estiver maduro taticamente. A diferença é que Autuori prefere que o time tente jogar nesta fase de consolidação de ideias em vez de só combater os adversários através de uma tática mais retraída. Ademais, a defesa está longe de ser frouxa: é a quinta melhor do campeonato, 21 gols sofridos, média semelhante aos time de Mano Menezes, em 2006 e 2007. O ataque fora é que consititui um problema, com apenas 5 gols marcados em 9 jogos. Falta postura longe de Porto Alegre, mais do que "pegada".
Autuori tem de achar equilíbrio dentro do campo e acertar o descompasso do discurso de seus principais líderes de time fora dele. Pode e deve ser cobrado, mas precisa e merece tempo. O Grêmio tem um dos melhores treinadores do País, e não seria interessante desperdiçá-lo prematuramente por argumentos que incluem seu local de nascimento. Há quatro meses, tínhamos um gaúcho aqui.
Em tempo:
- Ao menos a estatística está ao lado do tricolor, que segue como melhor time brasileiro e 9º melhor do mundo no momento, segundo ranking da IFFHS. Os líderes são Barcelona e Manchester United. O melhor sul-americano é o Estudiantes, em 3º lugar. O segundo melhor brasileiro é o Cruzeiro (10º). O Internacional é 16º.
Comentários
Tcheco é capitão, quem ouviu as declarações sabe que estava no papel dele. Não pode, após uma derrota, não querer falar, como fez Guiñazu mais de uma vez. Acho que o único que poderia se sentir afrontado era o Paulo Autuori, pois claramente a mudança de postura, boa ou ruim, é orientação dele.