Direitos e obrigações

É óbvio que dá para entender Nilmar. Uma transferência de 15 milhões de euros já daria a ele alguns desses milhões. Jogar na Itália, mesmo que num clube mediano como o Palermo, é atraente. Fora o fato de Orlando Hora tê-lo pressionado a aceitar o negócio, que não só pode como deve ter ocorrido.

Mas e o Internacional?

Pergunto porque o time gaúcho é dono de boa parte dos direitos de Nilmar. Tinha a opção de adquirir mais uma porcentagem deste valor caso surgisse uma proposta de fora do país. Assim, num esforço extraordinário, a direção colorada desembolsa 6 milhões de euros, valor fora da realidade brasileira, para manter seu principal jogador nesse campeonato, seu goleador, um dos poucos que tem se salvado com louvor desta crise técnica que vive o time, o único jogador da equipe que está sendo convocado no momento para a seleção brasileira.

Infelizmente o futebol de hoje não dá margem para laços profundos entre jogador e clube, elas viraram exceção. Mas esta questão pode ser pensada pelo lado profissional, então. Nilmar deve ter consciência de que o Internacional, seu clube formador, não pode prescindir dele neste momento difícil. Ele não precisa agir com sentimentalismo ou um bom amadorismo: basta olhar seu contracheque, ver quem lhe paga os salários. Ele tem contrato com o Inter, é para o Inter que deve trabalhar. Seu contrato, assinado por ele em 2007, previa o direito ao clube gaúcho de comprar mais 40% de seus direitos caso queira cobrir uma proposta milionária. Se ficou descontente agora, porque o assinou, então?

Talvez porque não imaginou que o Internacional daria esta gigantesca demonstração de grandeza em adquirir a cota necessária para mantê-lo. Pensou que sairia, tal qual Fernandão, Iarley, Renan, Adriano Gabiru, Michel e outros. Não, foi o contrário. Desfazendo-se destes é que o Inter pôde segurá-lo. Ninguém é obrigado a vender um jogador quando recebe uma proposta de fora. As chances de segurá-lo são pequenas - no caso de atletas do nível de Nilmar próximas de zero. Mas o clube conseguiu. O mínimo que o jogador deve fazer é retribuir este esforço hercúleo de Piffero, Carvalho e Luigi com as grandes atuações que têm desempenhado neste Campeonato Brasileiro. Não quero crer que a atuação apática de Recife tenha sido um migué que balizará seu desempenho daqui em diante.

O Internacional está de parabéns. Agora, vem a segunda parte, que é manter o atleta motivado no restante do campeonato. Se Nilmar não for arrogante ao extremo e Orlando da Hora sossegar o facho, tudo dará certo.

Comentários

Marcelo disse…
Será que o inter consegue manter esse time que está montando agora até o fim de 2009, ou ele se desmancha no meio do ano que vem, depois da conquista de outro gauchão e mais um fracasso na copa do brasil? 3 milhões em folha de pagamento pra ganhar gauchão não é um pouco fora de propósito?
Vicente Fonseca disse…
Concordo que a política de futebol do Inter não tem sido a ideal de 2007 para cá, mas manter o Nilmar, nem que seja até o fim do ano, era importantíssimo. Sem ele, as chances de o time degringolar de vez seriam bem razoáveis. E imaginem se Piffero tivesse vendido ele ao Palermo, o que não falariam?
Anônimo disse…
Acho que vai acontecer a mesmíssima coisa. O Inter tá formando times de agosto a agosto. Em parte isso se deve ao calendário, mas há também uma boa dose de incompetência colorada. Às vezes é preciso apostar nos que já estão no clube, mesmo que não tenham total confiança, apostar na seqüência, em dar confiança aos jogadores. O Inter fritou vários jogadores, que vinham bem, após a eliminação na CB, como o Bustos, o Danny e o Titi. E logo depois ficou testando loucamente jogadores em algumas posições ao invés de buscar a seqüência.
Anônimo disse…
Mesmo gremista e querendo o mal do Inter (não tenho o coração do Tite, admito), fico de certa forma feliz com a notícia. O Inter está de parabéns, e foste feliz com a tônica do post. E também foste feliz em citar Píffero e Luigi. Por mais que os dois me dêem segurança de que o Inter não vai para lugar nenhum, é absurda a maneira como o Inter vem sendo cobrido desde que Carvalho voltou. Se a notícia é boa, o Carvalho que fez. Se é ruim, o Píffero e o Luigi que são cobrados.
Vicente Fonseca disse…
Obrigado pelos elogios. A César o que é de César, já dizia o dito popular.