Comoção em São Januário
Foi uma noite que começou com festa e terminou melancólica em São Januário. Os vascaínos festejavam os 10 anos de seu maior título, a Libertadores de 1998. Em campo, a chance de comprovar que a derrota para o Grêmio foi um tropeço normal de um time que vinha crescendo nas mãos de Tita. Mas deu tudo muito, muito errado.O jogo foi catastrófico desde o princípio. Primeiro, falta e expulsão de Jonílson, aos 26. Na cobrança, mão de Edu dentro da área e pênalti, convertido. Em 1 minuto, desvantagem numérica e no placar, subitamente. Um baque que o time demorou a se recompor, ainda mais quando Ramires, em uma de suas típicas arrancadas como elemento surpresa, fez o segundo.
Não vi o jogo e não tenho como dizer qual foi o segundo tempo, mas o Vasco descontou aos 25 e naturalmente deve ter crescido no jogo. Liguei de novo no jogo quando saiu o segundo pênalti para o Cruzeiro, e o comentário era de que ele vinha justamente no melhor momento vascaíno. Expulsão do goleiro, Edmundo assumiu a camisa 1, levou o terceiro, mas ainda fez umas duas defesas, mesmo sem ter qualquer noção de como jogar embaixo das traves.
Ao final, o Animal sai chorando, dizendo ser "muito humilhante treinar a semana toda e ser roubado assim". Compreensível. Talvez não pelos lances de golo adversários em si. As duas expulsões foram justas, os dois pênaltis foram bem marcados. Mas Rodrigo Cintra é um péssimo árbitro, talvez o pior do quadro nacional. Inclusive pior que Mendonça e Beltrami. Pode ter invertido faltas, sonegado pênaltis ao Vasco, enfim, prejudicado o time de outras formas. Não por má-fé, apenas por ruindade. Mas alguém que viu este jogo pode quem sabe nos explicar melhor a revolta de Edmundo. Talvez seja só com a situação do clube, mesmo.
Fato é que o Vasco segue flertando perigosamente a zona de rebaixamento, com 26 pontos, ainda que não possa cair no valão da Segundona nesta rodada. Talvez Tita extraia deste episódio um componente motivacional importante, inclusive com o apoio da torcida, para iniciar de vez a recuperação do clube na tabela. Ou então, será o fato que marcará o afundamento de vez da equipe. O Cruzeiro, por outro lado, reassume a segunda colocação, a qual deixou escapar por seu mau começo de returno, mas já retoma, com 43. O jogo contra o Palmeiras, semana que vem, é absolutamente decisivo para ambos. Quem vencer, perseguirá o Grêmio. Quem perder, deixa momentaneamente (tudo é momentâneo no Campeonato Brasileiro) a disputa pelo caneco. Se empatarem, colocam mais um dedo gremista na taça e embolam de vez a disputa pelo vice-campeonato.
Em tempo:
- Muitos vão se deliciar, mas o fato é que a agressão a Émerson Leão é uma das cenas mais lamentáveis e patéticas do futebol brasileiro em 2008. Sem falar na covardia. Reúnem-se vários, com a ajuda de seguranças e armados com um barra, para pegar um. Muita "macheza". Ficassem no mano a mano com o ex-técnico santista, seriam certamente cordeirinhos acuados. Aliás, é tudo o que o Santos não precisava neste momento de convalescência. Santa burrice.
Foto: Agência Lance
Comentários
Quanto ao Edmundo, creio que ele se sentiu humilhado pela paradinha do atacante do Cruzeiro. Não sou contra a dita-cuja, já que a penalidade tem o objetivo de ser um "quase-gol". Mas (e vou me contradizer aqui) o guri do Cruzeiro poderia ter tido um pouco de respeito com um jogador de linha.
Era sabido publicamente que Leão tinha salários atrasados a receber? Foi noticiado, mesmo que entre alguns seres, que ele iria lá? Havia simplesmente um grupo de "torcedores" simplesmente vagabundeando lá e de repente, vendo o treinador, decidiram baixar uma sova?
A história beira (ou talvez já transborde) o absurdo.