Com "f" maiúsculo
A Bolívia já não foi um teste real para o Brasil. Imaginem se fosse. Tudo foi um grande Fiasco. E grafo com letra maiúscula, porque este é o Fiasco, o maior dos últimos anos, um dos maiores da história. Primeiro, o Engenhão vazio. Ingressos caros, público elitizado e impaciente ao extremo. E o borderô indica mais de 31 mil pessoas, apenas pelo número de ingressos distribuídos, entre torcedores e convidados. Não havia mais de 15 mil dentro do estádio.
Dentro de campo, outro Fiasco. O Brasil não criou chances de golo durante todo o jogo. Seu primeiro chute a golo veio aos 24 do segundo tempo. No começo, dava a impressão de que não tinha nenhuma pressa, pois os golos surgiriam naturalmente. Falar mal de Galvão Bueno é lugar-comum, mas quando ele referiu que o torcedor estava sendo paciente, no segundo tempo, não entendi mais nada. Eram 19 minutos de jogo e já ouvi as primeiras vaias. Subestimou muito a inteligência dos telespectadores.
No segundo tempo, nem a expulsão muito discutível de Garcia após dividida com Robinho, ocorrida logo a 7 minutos, melhorou as coisas para o Brasil. Pelo contrário. A seleção seguiu sem qualquer imaginação e organização coletiva. Nos minutos finais, Lúcio virou centroavante. Dunga tentou mudar as coisas com Júlio Baptista, Elano e Nilmar. Não deu em nada.
Aliás, "nada" é uma boa palavra para definir o Brasil hoje à noite. É um termo que engloba "deprimente", "terrível", "horroroso", "fiasquento" e "patético" em apenas quatro letras. Eu poderia comentar algumas atuações individuais, mas não o farei. Mesmo que alguns tenham se esforçado, nem estes merecem ser lembrados. Tudo hoje merece o esquecimento, menos o fato de que esta formação tática precisa de alterações, não muitas, mas precisa. Empatar com a lanterna em casa é algo sem explicações. Parece que o esquema da goleada em Santiago, o qual já dizíamos que não se sustentaria a longo prazo, não conseguiu se manter nem num curtíssimo prazo. Não foi capaz de furar o primeiro bloqueio que pegou. E da Bolívia. Em casa. Jogando com um homem a mais por 40 minutos. Se em Santiago tivemos a melhor atuação brasileira das Eliminatórias, hoje tive o desprazer de assistir a uma das piores da história centenária da esquadra nacional.
Eliminatórias da Copa do Mundo 2010 - América do Sul - 8ª rodada
10/setembro/2008
BRASIL 0 x BOLÍVIA 0
Local: Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Alfredo Intriago (EQU)
Público: 31.422
Renda: R$ 3.047.770
Cartão amarelo: Luisão, Juan, Josué, Diego, Hoyos e Jaime Moreno
Expulsão: Ignacio Garcia 7 do 2º
BRASIL: Júlio César (5,5), Maicon (4,5), Lúcio (5), Luisão (5) e Juan (5,5); Lucas (5) (Júlio Baptista, 16 do 2º - 5,5), Josué (4), Diego (4,5) (Elano, 31 do 2º - 4) e Ronaldinho (4) (Nilmar, 31 do 2º - 5,5); Robinho (4,5) e Luís Fabiano (4,5). Treinador: Dunga (3,5)
BOLÍVIA: Arias (6,5), Hoyos (5), Raldés (5,5), Ignacio Garcia (5) e Rivero (5,5); Flores (5,5), Robles (5), Vaca (5,5) (Cabrera, 44 do 2º - sem nota) e Ronald Garcia (6); Marcelo Moreno (5,5) (Escobar, 33 do 2º - 5) e Jaime Moreno (5) (Gutierrez, 12 do 2º - 5,5). Treinador: Erwin Sanchez (5,5)
Foto: Reuters
Comentários
só falta ser filho de pai uruguaio e mãe argentina...
Sinceramente, não consigo torcer para a seleção. E não é por causa do Dunga. Sei lá. Pra mim, poderiam acabar com as seleções.
Mas o jogo de ontem foi um PRIMOR DE HORROR.
Se foi tudo isso aí que estão escrevendo, então só devo dizer que a seleção de Dunga voltou ao normal.
Vamos pra Copa, mas sem o anão.
E PQP, que jogo horroroso! Me dá até coceira só de lembrar...
No mais, Lourenço genial lembrou Siboldi, Truco e Dudamel!
Dar nota para o Ronaldinho é uma das coisas mais difíceis. Se eu dou para menos, dizem que é perseguição; se dou para mais, dizem que caí numa enganação.
Ah, os jogos da seleção sempre levantando polêmicas. Pelo menos, todos concordamos (e seria impossível discordar) que foi um Fiasco.
PS: Truco, Borja, Sandy, Quinteros e Rimba; Cristaldo, Melgar, Sanchez e Etcheverry; Baldivieso e Ramallo. Decanto esta escalação de cor até hoje. Melhor time da história da Bolívia.
Siboldi > Lev Yashin