A volta dos pontos de interrogação

A maior prova de que o esquema 3-5-2 do Grêmio deveria ter sido mantido para o jogo de hoje no Engenhão foi a atuação dos três zagueiros do time. Não foram nada demais, mas foi o setor que melhor funcionou. Se Jean, Réver e Thiego estivessem perdidos como o resto do time, o 2 a 0 sofrido seria maior. Foi o único setor em que a formatação tática permaneceu a mesma.

Queria ter sido desmentido pelos fatos, mas não foi o que ocorreu. De fato, o 3-6-1 mais que engessou a meia-cancha, acabou por encurralar o Grêmio em seu campo de defesa. O medíocre time do Botafogo ficou gigantesco. O primeiro golo foi puro azar, dois desvios que enganaram Victor, mas representava bem o que era o jogo.

Celso Roth chegou a ameaçar colocar Marcel no lugar de Rudnei e retomar o esquema habitual. Mas não: teimosamente, morreu abraçado à sua (falta de) convicção e esperou o intervalo para efetuar a mudança. Jogou fora o primeiro tempo. A atuação do time foi horrorosa. Errando passes em demasia, o tricolor nunca ameaçou a meta de Castillo. Rodrigo Mendes e Perea não tinham com quem jogar. Uma imensa gororoba.

Marcel entrou no intervalo, e o Grêmio viveu seus melhores 10 minutos na partida, chegando a ameaçar os cariocas. Mas o segundo golo carioca foi quase definitivo. Celso Roth tratou de jogar a pá de cal: tirou Rodrigo Mendes, talvez esgotado, e mais Jean. Colocou Makelele, reabilitando o terceiro volante, e desenterrou Maylson, que nem concentrando ultimamente estava. Era o fim de qualquer chance de reação.

Vai se falar muito nos desfalques de Léo, Eduardo Costa e Pereira. Vai se falar na saída de Roger. Tudo isso colabora, mas o principal problema tricolor hoje foi seu treinador, que subitamente abandonou as convicções que vinham dando tão certo no Campeonato Brasileiro para escalar um time acovardado. Uma má atuação no Gre-Nal serviu para apagar todo o resto do trabalho. Tivesse mantido o sistema - o qual, diga-se, ele próprio teve o mérito de descobrir e repetir - que deixou o time no excelente segundo lugar na tabela, certamente esta patética atuação não teria acontecido. Cria-se um desgaste psicológico desnecessário para o jogo de quarta-feira, e várias dúvidas pairam no ar. Estará Roth se perdendo de novo? Se ele tem o maior mérito nesta boa campanha por justamente fazer o óbvio, porque mudou tudo novamente? Os gremistas esperam que hoje tenha havido apenas uma infeliz recaída. Cada vez que Roth demonstrou acreditar numa idéia de time este ano, teve bons resultados. Cada vez que as abandonou, foi muito mal e perdeu.

Quanto ao Botafogo, foi um time com pouca imaginação, mas se aproveitou da péssima partida gremista para somar três pontos. Lúcio Flávio, Jorge Henrique e Wellington Paulista jogaram pouco. Talvez a vitória dê mais tranqüilidade para o alvinegro praticar um futebol melhor daqui para frente. Mas é uma equipe abaixo dos últimos anos, mesmo que não seja de todo fraca.

Campeonato Brasileiro 2008 - 9ª rodada
6/julho/2008
BOTAFOGO 2 x GRÊMIO 0
Local: Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Cláudio Mercante Júnior (PE)
Público: 7.436
Renda: R$ 68.722,50
Golos: Túlio 15 do 1º; Zé Carlos 8 do 2º
Cartão amarelo: Wellington Paulista, Túlio, Réver, Jean e Paulo Sérgio
BOTAFOGO: Castillo (5,5), Renato Silva (5,5), Edson (5,5) e Leandro Guerreiro (5,5); Alessandro (6), Túlio (6,5), Diguinho (5,5), Lúcio Flávio (5,5) (Thiaguinho, 47 do 2º - sem nota) e Zé Carlos (6,5); Jorge Henrique (5,5) e Wellington Paulista (5). Treinador: Geninho (5,5)
GRÊMIO: Victor (4,5), Réver (5), Jean (5) (Maylson, 15 do 2º - 5) e Thiego (5); Paulo Sérgio (3,5), Rafael Carioca (4), Willian Magrão (4), Rudnei (3) (Marcel, intervalo - 4,5), Rodrigo Mendes (5) (Makelele, 15 do 2º - 4,5) e Hélder (4); Perea (5). Treinador: Celso Roth (2,5)

Foto: Agência Lance

Comentários

Lique disse…
não sei se alguém leu na placar uma página escrita pelo sérgio xavier filho sobre o celso roth, ainda antes de ele ser desclassificado da copa do brasil, acho. falando sobre como o sexy sempre começa bem e depois acaba se AUTOSABOTANDO inexplicavelmente. é um bom texto, espero que o celso tenha lido.
Anônimo disse…
será coincidência que sempre que o CS inventa, o time perde e dá vexame???

e digo mais, E DIGO MAAAAAAIS, ia perder com roger em campo igual... por quê? porque sim. é a sina do celso roth...

agora é se preparar pra perder pro pior santos da década e vencer a lusa com as calças na mão, no domingo.
Anônimo disse…
Pra mim o Celso Roth foi o que mais se abalou com a saída do Roger. Tanto que inventou de forma devastadora...
Se tivesse ficado tranqüilo e mantido o mesmo esquema com o Rodrigo Mendes teria ganho...
Vicente Fonseca disse…
Este 3-6-1 já estava sendo treinado quinta-feira. Talvez com Roger desse mais certo, mas é difícil saber. A idéia era colocar o Rudnei para Roger ter alguém próximo, já que no Gre-Nal foi anulado. Mesmo discordando, entendia a opção de Roth. O problema foi que Roger saiu sexta, mas o esquema foi mantido mesmo que o meia fosse o Rodrigo Mendes, de características bem mais ofensivas do que de armador. O ideal aí seria mais um atacante para Rodrigo jogar com Perea, que acabou isolado. O meio ficou muito lento e o ataque inoperante.
Eu li esse texto da Placar, do Sérgio Xavier. Tive que concordar, é realmente a mesma coisa sempre. Só espero que isso não esteja se repetindo com a gente. Ontem tivemos a sorte de o São Paulo empatar com o Ipatinga e o Palmeiras empatar com o Atlético-MG.

Acho que o 3-5-2 está fadado a cair tanto quanto o 3-6-1, mas ele é mais eficaz por ter dois homens na frente, um driblador e um centroavante. Perea sozinho na frente se perde, Willian Magrão tá muito mal, Hélder tá jogando mal e Rudnei... Putz, nem falo nada.

O jeito é segurar o 3-5-2 como podemos e torcer pra que chegue Agosto logo.
Felipe disse…
Acho que agora não resta nenhuma dúvida sobre o significado dos gestos de Roger à torcida gremista.
Anônimo disse…
Acho que, no fim das contas, acabaremos retornando ao bom e velho 4-4-2. Ontem foi triste, o Grêmio era uma maçaroca, um prato de 'soborô' feito em frigideira suja com óleo saturado. Magrão foi péssimo, Hélder apagadíssimo, e o Paulo Sérgio está se esforçando para perder seu único defensor no RS inteiro - qual seja, eu. Para não dizer que foi só tragédia, Makelele entrou bem no jogo, embora não desse para sozinho salvar a pátria. Até achei tua nota para ele meio severa demais, Fonseca - acho que um 5 ou 5,5 o menino podia levar. De qualquer modo, o 3-6-1 tirou zero na redação, e só nos resta esperar que abandone o festival de vez.

E podem me apedrejar, mas essa foi A PRIMEIRA partida flagrantemente ruim do Rudnei O ANO TODO. No geral ele não costuma ser brilhante, mas tampouco faz jornadas estrepitosamente horrorosas a todo momento. Não que eu seja fã do cara, bem entendido - só acho que tem gente que joga beeeem pior e não tem a pecha de ruim de bola que o cara recebeu.
Anônimo disse…
olha, o NUNES tá pedindo passagem nesse time;....

szlkfhglsjkhf;v.sljfvg
Vicente Fonseca disse…
Natusch: eu era o outro defensor do Paulo Sérgio no RS. Agora só resta tu (e ele próprio).

E concordo sobre o Rudnei. O problema dele não foram suas atuações este ano, e sim retirar um atacante para colocá-lo, matando qualquer chance de manter os zagueiros adversários preocupados. Acho até que ele vem jogando melhor que em 2006, aí sim, ele ia mal.

O Makelele até se esforçou, mas armando o jogo não dá. Mas não é um jogador desprezível.

Por onde anda o Nunes?
Nunes eu tô com uma pena desgraçada. Tà dispensado, procurando clube até agora, que eu saiba.

Caceta, ninguém quer o Nunes =/