À moda dos donos da América

Não sou exatamente um adepto do 3-6-1, por entender que, se os alas não sabem compor o meio, o time pode ficar ou muito defensivista (5-4-1) ou muito ofensivista (3-4-3). Claro que, se forem inteligentes, conseguirão dar ao time uma variação tática importante. É um esquema que anda em alta. A idéia de atacar com vários homens é certamente mais consistente que a de ter mais atacantes de ofício. Este é o verdadeiro lado ofensivo de qualquer tática de futebol. Por isso têm surgido esquemas como este e o 4-5-1, pois idealmente dão equilíbrio e povoamento ao meio-campo ao mesmo tempo que há mais jogadores que vêm de trás para encostarem no atacante principal. Mas não sou fã, pois não conheço times que venceram algo importante jogando assim. A LDU, ontem, foi o primeiro. A grande vantagem que vejo neste esquema em relação ao mais consagrado (e ainda muito usado) 3-5-2 é justamente ganhar mais um homem na articulação de jogadas, pois neste desenho é preciso ter um volante específico e um que combata e saia para ajudar o articulador. Só jogadores com esta característica podem realizar este diálogo. No Grêmio tem dado certo porque Rafael Carioca e Willian Magrão sabem fazer este vaivém. Para o jogo com o Botafogo, porém, Celso Roth deve efetuar uma troca de esquema que chegou a ser ventilada na semana do Gre-Nal. Colocará Rudnei no meio para auxiliar Roger e retirará Marcel. Talvez um reflexo do clássico, onde o camisa 10 foi bem marcado e pouco jogou. É uma alternativa. Talvez esteja abrindo o espaço para a entrada de Tcheco no time, daqui a um mês. Importante notar que mesmo sem Léo e talvez Pereira, o treinador gremista está mantendo a idéia dos três zagueiros. Não sou conceitualmente um admirador disso, mas se tem dado certo não há porque mudar. Entretanto, para não perder força na frente, a entrada de Felipe Mattioni na direita seria de bom grado. Funcionando como Guerrón na LDU, tem tudo para se destacar e virar uma das grandes armas deste time, já bem robusto com a trinca de área e dois volantes. O grande mérito de Celso Roth neste Campeonato Brasileiro é o de não fazer invencionices como naquela fatídica eliminação para o Juventude, na qual teve culpa integral. Descobriu uma forma de jogar com o 3-5-2, repetiu o time para dar-lhe conjunto e vem colhendo os frutos de um grupo que, cansei de defender, não era fraco como se pensava. Não imaginei que ele fosse capaz disso, e por isso, pelo medo de que ele tivesse novas "idéias geniais", defendi sua demissão. Fico feliz que tenha se recuperado, mas ainda bastante receoso quanto à sua biografia: a de um treinador que sabe montar equipes a partir de uma defesa sólida, mas se perde logo a seguir. Torço para queimar minha língua mais uma vez.

Comentários

Anônimo disse…
Por que o Roth já não pendura todos os jogadores embaixo das traves?
luís felipe disse…
3-5-2.

Guerrón = ponta direita.
Anônimo disse…
PSG acaba de liberar Souza.
Anônimo disse…
Agora eu li o texto. Concordo. Mas acho que o grande problema é ter um único atacante, que ainda por cima não é definidor nem marca posição. Perea já mostrou que não sabe jogar sozinho, e Roger não tem como característica se apresentar na área como elemento surpresa para definir a jogada. Temo que levemos o primeiro gol para aí sim sacar um homem de trás ou um do meio campo para botar o Marcel no time. Quanto ao Celso, também defendi a saída dele do time depois das eliminações. Mas como quero o bem para o Grêmio, e não ranço, apoiei o time no Brasileiro, inclusive ele, porque estava fazendo um bom trabalho. A melhora do time é mérito praticamente todo dele, pois só o Rever que é novidade. Tenho receio de fazer elogios definitivos ao Roth, porque ele costuma sempre se embananar no final. Acho que era hora de manter o time com dois atacantes, mas tomara que eu me engane.
Anônimo disse…
Eu concordo que a LDU não é esse time ruim que querem pintar, mas nem esse time bom que descobriram agora. A defesa é sofrível, o goleiro então é mais bizarro que o Harlei, e o resto do time é bonzinho. Se tem jogadores impetuosos e de habilidade do meio para frente, não tem um grande atacante.
Vicente Fonseca disse…
É Lourenço, essa do Perea ficar isolado na frente é outra grande questão. Um atacante que dialogue (também falo Titês) com ele sempre deu melhores resultados, até porque já cheguei à conclusão de que ele não sabe jogar de costas para o zagueiro, mas vindo de trás e pelos lados do campo.

A LDU é um bom time, que joga em velocidade e boa troca de passes, mas só é campeã devido à organização. Méritos de Edgardo Bauza.