As viradas tricolores

Grande partida entre Fluminense e Vitória hoje à tardinha no Maracanã. Tudo o que se previa em termos de emoção e qualidade se verificou. Foi uma virada com outras viradas internas, que cheira à recuperação na tabela - a maior das viradas que o momento do Flu exige.

O time de Vagner Mancini é rápido, leve, joga e deixa jogar. Não marca de cima, mas se recompõe rapidamente na defesa e ataca com volúpia e com grande quantidade de jogadores. Ramon dá o tom da meia-cancha, pára a bola, diminui o ritmo quando necessário. E faz seus companheiros jogarem.

Com contra-ataques velozes, o jogo parecia à feição para os baianos. O Fluminense não chegou a jogar mal no primeiro tempo. Foi um duelo franco e equilibrado, mas a péssima atuação de Washington dificultou muito as coisas para o time da casa. Os cariocas tiveram a chance de marcar aos 11, mas Dodô bateu para fora um pênalti cometido por Marco Aurélio, que tapeou a bola. Isso causou uma instabilidade no Flu, e o Vitória se aproveitou e teve um momento de superioridade, mas o balanço geral foi mesmo de equilíbrio.

O segundo tempo começou de forma parecida, mas faltava objetividade ao Fluminense. Muitos erros de passe ocorriam, e o contra-ataque do Vitória ficava cada vez mais perigoso. Mancini vencia o duelo tático com Portaluppi, através de uma marcação mais cerrada aos volantes cariocas, forçando os erros na armação de jogadas. Num dos contra-golpes, aos 12, Ramon deixou Marquinhos na cara de Ricardo Berna para abrir o placar.

Foi aí que Renato iniciou a virada na briga tática, que resultou na virada do placar. Agiu com ousadia: tirou o volante Fabinho para colocar o enjoado Tartá; e sacou Washington por Somália, esta uma troca óbvia e imperiosa naquele momento. Conca recuou para iniciar as jogadas de armação, dando mais qualidade à saída do Flu ao ataque. Thiago Neves, que já jogava bem, passou a ser o maestro do time. Todas as jogadas passavam por seus pés, todas com grande qualidade e perigo aos baianos. Na frente, Tartá fazia o salseiro e servia a Dodô e Somália. Uma pressão teve início, o tricolor já jogava melhor. Mas sobrava nervosismo, e faltava o golo.

Ele veio aos 26, pela inteligência de Thiago Neves, que serviu Thiago Silva em cobrança de falta. O zagueiro limpou e chutou, a bola sobrou para Rafael empatar. O Maracanã enlouqueceu, e muita pressão se seguiu. Mancini demorou muito a mexer, seu time ficou tonto de tanto se defender. Só trocou aos 34. Dois minutos depois, Dodô fez a sua virada particular. Recebeu de Conca e concluiu com categoria na saída de Viáfara, se redimindo do seu erro no pênalti do primeiro tempo e decretando a vitória carioca por 2 a 1.

Foi uma demonstração de força do Fluminense, que ainda está na zona de rebaixamento, mas deixa a lanterna. Segunda vitória seguida, contra um adversário muito organizado, que vem em grande campanha e exigiu grande esforço em vários sentidos do time de Portaluppi. Certamente os 15 mil torcedores que foram ao Maracanã saíram satisfeitos, com o resultado e com a bela partida que puderam acompanhar.

Campeonato Brasileiro 2008 - 11ª rodada
12/julho/2008
FLUMINENSE 2 x VITÓRIA 1
Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Leonardo Gaciba (RS)
Público: 14.881
Renda: R$ 173.779,00
Golos: Marquinhos 12, Rafael 26 e Dodô 36 do 2º
Cartão amarelo: Washington, Arouca, Vanderson e Marco Aurélio
FLUMINENSE: Ricardo Berna (5,5), Rafael (6), Thiago Silva (6,5), Luiz Alberto (5,5) e Júnior César (5,5); Fabinho (5) (Tartá, 16 do 2º - 6), Arouca (5,5), Conca (6,5) e Thiago Neves (7) (Maurício, 38 do 2º - sem nota); Dodô (6) e Washington (3,5) (Somália, 16 do 2º - 5,5). Treinador: Renato Portaluppi (7)
VITÓRIA: Viáfara (5,5), Marco Aurélio (5), Anderson Martins (5,5), Thiago Gomes (5,5) e Marcelo Cordeiro (5,5); Vanderson (5,5), Renan (5) (Marco Antônio, 34 do 2º - sem nota), Ramon (6,5) (Ricardinho, 34 do 2º - sem nota) e Williams (5); Marquinhos (6) e Dinei (5,5) (Rodrigão, 40 do 2º - sem nota). Treinador: Vagner Mancini (5,5)

Foto: Ricardo Ayres/Photocamera

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