Em princípio, sem graça
A Euro começou feia, truncada e sem graça. Não se poderia esperar muito mais de um Suíça x República Tcheca, onde os donos da casa se apequenaram e os visitantes jogaram bastante desfalcados. Apesar da cara de 0 a 0 desde o início, a partida terminou numa vitória mínima, magra e fundamental dos tchecos, que venceram o país-sede num grupo equilibradíssimo.A República Tcheca começou respeitando a Suíça. Esperava uma pressão inicial, tradicional tática de times que jogam em casa. Mas, aos poucos, ficava claro que a estratégia dos suíços era ficar atrás e só sair na boa para um contra-ataque. Os tchecos começaram a ter o controle do jogo a partir de metade do primeiro tempo, mas a falta de criatividade da equipe sem Rosicky (nem falarei de Nedved) é atroz. Jarolim, segundo volante, é quem tentava abastecer, sem sucesso, o gigantesco Koller.
Resguardada atrás, a Suíça não jogava e impedia a República Tcheca de jogar. Os dois meias abertos, Sionko e Plasil, eram bem anulados pelos laterais suíços, que na prática eram zagueiros no 4-4-2 com duas linhas paralelas de quatro proposto por Jakob Kuhn. Com isso, sem qualquer jogada trabalhada, o jogo ficava um perde-ganha insuportável e sonolento.
Mas melhorou um pouco no segundo tempo, quando Kuhn mudou a postura da equipe após a lesão do centroavante Frei. A Suíça veio para cima, ganhando em criação no meio com a entrada de Yakin. Cech passou a trabalhar, Ujfalusi e Rozehnal tinham bem mais trabalho. O outro velhinho, Karel Brückner, tirou então Koller para colocar o estreante Sverkos em busca de mais mobilidade no ataque.
Justamente quando os tchecos eram mais dominados, brilhou a estrela do seu treinador. Sverkos recebeu passe em condição legal e colocou com consciência no cantinho de Benaglio. Eram 25 minutos. A Suíça levou mais uns 10 para se recompor. Sentiu muito o golo e passou a sofrer com o contra-ataque adversário, que só não foi mais bem sucedido pela falta de qualidade e entrosamento dos homens de frente da República Tcheca.
Na pressão final, um pênalti não marcado de Ujfalusi, que o italiano Rosetti interpretou como bola na mão. Cech ainda salvou com mais duas belas defesas no final, confirmando que sua capacidade técnica aliada à proteção de cabeça o torna um verdadeiro mito debaixo das traves.
Eurocopa 2008 - 1ª Fase - Grupo A - 1ª rodada
7/junho/2008
SUÍÇA 0 x REPÚBLICA TCHECA 1
Local: Saint-Jakob Park, Basiléia (SUI)
Árbitro: Roberto Rosetti (ITA)
Público: 41.000
Golo: Sverkos 25 do 2º
Cartão amarelo: Magnin e Vonlanthen
SUÍÇA: Benaglio (5), Lichtsteiner (4,5) (Vonlanthen, 29 do 2º - 4,5), Müller (5), Senderos (5,5) e Magnin (4,5); Inler (5), Fernandes (5,5), Behrami (5,5) (Derdiyok, 38 do 2º - sem nota) e Barnetta (4,5); Streller (4) e Frei (5,5) (Yakin, intervalo - 5). Treinador: Jakob Kuhn (4,5)
REPÚBLICA TCHECA: Cech (6,5), Grygera (5,5), Ujfalusi (5,5), Rozehnal (5,5) e Jankulovski (5); Galasek (5,5), Jarolim (5,5) (Kovac, 41 do 2º - sem nota), Polak (5), Sionko (4,5) (Vlcek, 37 do 2º - sem nota) e Plasil (5); Koller (4,5) (Sverkos, 11 do 2º - 6,5). Treinador: Karel Brückner (5,5)
Foto: AFP
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