O velho Abelão
Abel Braga brinca com fogo. Fez um treinamento aberto escalando Alex, Fernandão, Iarley e Nilmar juntos, ao mesmo tempo, no time titular. Ao final do coletivo, disse que utilizará esta escalação no Centenário, domingo. Disse que queria dar um migué e enganar os repórteres, mas gostou demais do time e do desempenho "fantástico", mudando de idéia. Se isso é outro migué ou não, só se saberá às 15:58 de domingo.Acho que não se trata de uma tentativa de meta-enganação. Abelão parece estar tendo mais uma recaída ofensivista, escalando um time irresponsavelmente desequilibrado para atuar contra o Caxias. Talvez, num jogo que tem lá suas nuances, dê certo. Mas num prazo médio ou até mesmo curto, a tendência é de um fracasso que necessitará profundas revisões.
Para começar a série de medidas inoportunas, o esquema será mudado: passará a ser um 4-4-2 ortodoxo (ainda que disfarçado de 4-2-4). Até agora, em 2008, o Internacional tem se notabilizado por jogar num 3-5-2 que vira 4-4-2 em determinadas situações de jogo, fator que, inclusive, acabou contribuindo para o infame apelido de Carrossel. Digo agora o que critiquei em Celso Roth domingo: mudar esquema de uma hora para outra, só em caso de necessidade extrema ou carências inequívocas.
O meio-campo é o ponto mais trágico. Sem Edinho e Wellington Monteiro, recuará Magrão para a primeira função, lugar que não é e nem nunca foi o seu de origem. Como Guiñazu atuará a seu lado e é um jogador extremamente dinâmico, pode amenizar quaisquer efeitos maléficos que essa improvisação possa resultar. Mas a questão crucial não é exatamente essa. É mais uma edição, a milésima-centésima-quadragésima-sétima do "quadrado-mágico". E nem quero entrar na batidíssima discussão de que quatro bons jogadores de ataque não podem atuar ao mesmo tempo juntos, e tudo mais.
O fato é que Alex e Fernandão jogarão atrás de Iarley e Nilmar, dupla de frente. Alex tem sido quase um atacante. Um meia-atacante, que cria muito e muito bem, mas também chega muito e muito bem para concluir. Afirmou-se como titular inconstestável, finalmente, após quatro anos, como quarto-homem de meio-campo. Como Fernandão deve ser utilizado nesta faixa do campo - na qual é sabido que não rende tanto como pode - Alex deverá ser recuado, e perderá suas melhores características. Serão dois erros de colocação de jogadores, semelhante ao que Roth fez no caso dos volantes gremistas após a lesão de Willian Magrão.
Toda essa gororoba por quê? Porque Nilmar voltará ao time. A volta deste excelente atacante, em vez de ser uma solução, virou um problema. A troca é simples: sai Iarley, que não vem em bom momento, entra Nilmar. Ou, se preferisse Abel, sai Fernandão. Mudar toda a formatação ofensiva é insanidade. O caso da improvisação de Magrão é até mais aceitável, pois os dois titulares do lugar estão machucados, e apelar para Maycon seria também temerário.
Não sei se o Internacional sustentará o Caxias com esta meleca que Abel está propondo (ou tentando me enganar maravilhosamente). O que sei, com alguma dose de certeza, é que o Inter não sustentará qualquer exigência maior que o Gauchão com esta escalação sem fundamentos.
Em tempo:
- A saída de Paulo Pelaipe apaga um incêndio, mas é injusto julgar seu trabalho de 40 meses pela visão embaçada e contaminada desta última semana.
- Comentarei mais a situação do Grêmio quando houver definições. Enquanto forem só boatos, abstenho-me.
Foto: Marcelo Campos/VIPCOMM
Comentários
E eu simplesmente não agüento mais esse chove-não-molha do Grêmio. Uma hora o Tite é aceito, outra hora não é. Uma hora citam Macuglia, outra hora ele não é boa opção. Uma hora o Celso Roth vai ficar, outra hora ele vai embora. Uma hora vem Ney Franco... Porra! E ironicamente, recebi justo ontem meu DOC de pagamento da mensalidade. Tá tudo perdido mesmo.
No mais, a frase do Professor Fonseca resume perfeitamente o Caso Pelaipe. Apenas acrescento que quem quer que tenha colocado o telefone pessoal do dirigente no Orkut, e sejam quais forem as pessoas que usaram de tal expediente para ameaçá-lo, são BANDIDOS e merecem ser responsabilizados judicialmente pelos seus atos. Isso é coisa de marginal, sinceramente. Vergonha!
Há grande probabilidade de que o time fique vulnerável com este esquema e, pior, que o rendimento do Alex caia muito. Contudo, comparações com o fracassado esquema de Parreira não são muito pertinentes. Isso por que Alex (mais) e Fernandão (menos) marcam, combatem no meio-campo, coisa que Kaká e Ronaldinho não fazem (Kaká até marca um pouquinho, mas bem pouco mesmo). Outro fator que diferencia o esquema colorado do amarelão é o fato de que os dois atacantes, Nilmar e Iarley, possuem uma capacidade de se movimentar, de trocar de posição, que os dois postes gordos do Brasil não possuíam. Acrescente-se a esta mobilidade a possibilidade de Fernandão aparecer na grande área vindo de trás para fazer as vezes de atacante e a possibilidade de a intensa movimentação clarear as coisas para os arremates de Alex e aí pode pintar um esquema interessante (mais até para pontos corridos que para mata-mata).