O alto preço do medo

Chance melhor não haverá. Jogando em casa e com um homem a mais desde os 26 minutos do primeiro tempo, o Caxias temeu o Internacional, em vez de respeitá-lo. Teve receio de atacar e acabou atado pelo time de Porto Alegre, que jogou sem brilhantismo, mas com muita raça. E recebeu o prêmio quase no fim dos acréscimos.

O duelo começou bastante equilibrado, com o time da Serra se empenhando em oferecer perigo aos colorados. Não chegava com mais força porque faltou qualidade mesmo. O Inter também chegava raramente. Com Alex e Fernandão demasiadamente recuados por força do esquema tático. Com chuva forte e gramado pesado, tínhamos um jogo típico de Gauchão dos velhos tempos, onde as defesas obtinham supremacia absoluta sobre os ataques.

A expulsão de Marcão por duplo amarelo não alterou o panorama do jogo. Abel Braga recompôs a defesa no intervalo colocando Titi no lugar de Iarley. Magrão e Guiñazu se doaram demais, especialmente no segundo tempo. Ainda mais consistente que no primeiro tempo, o Inter voltou controlando o jogo, diante de um Caxias pouquíssimo criativo. As únicas chances grenás eram através de cruzamentos de bola parada, todos desperdiçados.

As substituições de Gílson Kleina não primaram pela ousadia. Mesmo com Fernandão (lesionado) e Nilmar saindo para as entradas dos insuficientes Adriano e Roger, o Caxias não fez menção de ir para cima, até porque não conseguiria. O Inter jogou pouco, mas marcou muito. Até Bustos mostrou eficiência neste quesito.

No final, a diferença. Enquanto Waldir perdeu chance de dar a vitória aos serranos aos 43, rematando para fora uma sobra de escanteio na pequena área, Alex, aos 47, apareceu na área para concluir jogada de Adriano. Mais solto, decidiu a partida.

O Caxias pagou um preço alto pelo temor. O Internacional, por outro lado, deu toda a pinta de campeão hoje. Mostrou, no mínimo, que merece chegar à final.

Campeonato Gaúcho 2008 - Semifinais - Jogo de ida
13/abril/2008
CAXIAS 0 x INTERNACIONAL 1
Local: Centenário, Caxias do Sul (RS)
Árbitro: Leandro Vuaden
Público e renda: não divulgados
Golo: Alex 47 do 2º
Cartão amarelo: Cuca, Marília, Gustavo, Thiago, Marcão, Magrão, Guiñazu e Alex
Expulsão: Marcão 26 do 1º
CAXIAS: Juninho (6), Cuca (5), Marília (6) e Cris (5,5) (Neilor, 25 do 2º - 5); Gustavo (5) (David, 8 do 2º - 5,5), Júlio César (6), Thiago (4,5), Terrão (4,5) e Aélson (5); Rodrigo (4,5) (Waldir, 19 do 2º - 4,5) e Kempes (5). Treinador: Gílson Kleina (4,5)
INTERNACIONAL: Clemer (6), Bustos (5,5), Índio (5,5), Orozco (5,5) e Marcão (3); Guiñazu (7), Magrão (6), Alex (6) e Fernandão (5) (Adriano, 6 do 2º - 6); Iarley (5,5) (Titi, intervalo - 5) e Nilmar (5,5) (Roger, 16 do 2º - 4,5). Treinador: Abel Braga (6)

Foto: Internacional

Comentários

Anônimo disse…
O juiz quase comprometeu. Inventou um amarelo pro Marcão por seqüência de faltas, sendo que havia sido a primeira falta dele. Depois, com outro amarelo, acabou sendo expulso. Destaque para Guiñazu, o melhor em campo, e Bustos (quem disse que ele não sabe marcar?). Alex e Adriano não jogaram bem, mas são jogadores perigosos e acabaram decidindo a partida. Já Roger, já venho dizendo há mais de ano que deve ser dispensado. Valeu não só pelo resultado mas pelo grande empenho e comprometimento demonstrado pelo time.
Anônimo disse…
Abelão pregou uma peça, a escalação parecia ofensiva, mas o time entrou a fim de explorar os contra-ataques. Estratégia interessante, por que o Caxias demonstrou não ter nada mais que velocidade ao atacar, sendo facilmente neutralizado. O Inter saía só na boa e criou algumas chances, uma delas resultou no gol. Adriano pede passagem, não dá mais pro Iarley. Magrão, Bustos e Guiñazu marcaram demais.
luís felipe disse…
Eu saí da frente da TV imaginando ter visto uma das maiores atuações do Alex na minha vida. Ele correu o campo todo, foi bem na lateral, na zaga, no meio e no ataque, além de ter decidido a partida. No compacto e nos melhores momentos, eu tive a impressão de um Alex não mais que regular. Fiquei em dúvida quanto ao jogo que eu realmente vi.

Foi daquelas atuações que dão a fibra necessária para vencer um campeonato - como o São Gabriel em 2002, o primeiro grenal de 2003, o Glória em 2004.