Vantagem do copeiríssimo
O Liverpool alcançou seu objetivo: não perdeu em Londres. Melhor que ter saído com o empate foi ter marcado um golzito na casa do adversário. E o Arsenal, mesmo tendo jogado bem melhor durante os 90 minutos, sai com um gosto amargo na língua.Desde o início, quem mandou no duelo foi o time de Londres. Com Van Persie de volta depois de um bom tempo parado, o Arsenal era envolvente. Mesmo que Hleb tenha estado um tanto apagado, o holandês e Adebayor davam muito trabalho aos defensores dos reds. Foi num escanteio combinado que Van Persie cruzou e o togolês subiu livre para abrir o placar, aos 22. Detalhe: enquanto Adebayor subiu sozinho, dois jogadores do Liverpool marcaram a cobrança de corner, sem qualquer sucesso.
Foi na dificuldade de sair perdendo relativamente que cresceu Steven Gerrard - e com ele o Liverpool. Numa jogada pessoal, driblou alguns marcadores e penetrou na área, cruzando baixo para o guerreiro oportunista Kuyt empatar, três minutos depois do golo dos gunners. O golo esfriou o Arsenal e o jogo ficou controlado pelos visitantes. Fabregas aparecia pouco, mas sempre bem, diga-se. Pelo time de Rafa Benitez, Babel, mais uma vez, não disse a que veio.
No intervalo, a entrada do velocista Walcott no lugar de um descontado Van Persie deu novo fôlego aos donos da casa. Só deu Arsenal. Fabregas e Flamini entraram no jogo, bem como o lateral Clichy. Atrás, Senderos e Gallas (melhor homem em campo) davam a quase certeza de que qualquer tentativa de ataque do Liverpool seria neutralizada.
Uma forte pressão para cima dos vice-campeões europeus se seguiu, mas a defesa segue sendo uma das virtudes da equipe de Benitez. O excelente zagueiro Carragher, apesar de estar sofrendo o crime de jogar improvisado como lateral, era uma barreira pela direita; Fábio Aurélio (que está jogando bem mais que Richarlyson e Gilberto), pela esquerda; no meio, Hyypia e Skrtel espanavam tudo. Mascherano foi novamente sólido. E quando a defesa falhava, o próprio time de Wenger se encarregava de salvar. Foi assim aos 25, quando Adebayor cruzou após grande jogada, Reina falhou, Fabregas concluiu e o atacante Bendtner, do Arsenal, "salvou" em cima da linha, como zagueiro.
O time da casa ainda pode reclamar de um pênalti não marcado de Kuyt sobre Hleb. Mas o principal lamento é de que o Arsenal merecia uma melhor sorte. O azar de pegar o copeiríssimo Liverpool pela frente falou mais alto hoje.
Em tempo:
- Nenhum cartão amarelo em um clássico decisivo é algo raríssimo.
- Grande virada do Fenerbahçe sobre o Chelsea, 2 a 1. Deivid, que marcou um golo contra no princípio, fez o golo da vitória numa paulada de alta técnica de longe, uma pintura. O placar, porém, é passível de reversão. Nada decidido.
Liga dos Campeões da UEFA 2007/08 - Quartas de final - Jogo de ida
2/abril/2008
ARSENAL 1 x LIVERPOOL 1
Local: Emirates Stadium, Londres (ING)
Árbitro: Peter Vink (HOL)
Público: 60.041
Golos: Adebayor 22 e Kuyt 25 do 1º
ARSENAL: Almunia (6), Touré (5), Gallas (7), Senderos (5,5) e Clichy (6); Eboué (5,5) (Bendtner, 21 do 2º - 4,5), Flamini (5,5), Fabregas (5,5) e Hleb (5); Van Persie (5,5) (Walcott, intervalo - 5,5) e Adebayor (7). Treinador: Arsène Wenger (6,5)
LIVERPOOL: Reina (4,5), Carragher (5,5), Skrtel (6), Hyypia (5,5) e Fábio Aurélio (5,5); Mascherano (6), Alonso (5,5) (Lucas, 31 do 2º - 5), Babel (4,5) (Benayoun, 12 do 2º - 5,5) e Gerrard (6); Kuyt (7) e Torres (5,5) (Voronin, 40 do 2º - sem nota). Treinador: Rafa Benitez (6)
Foto: AFP
Comentários
A escalação do Manchester United foi confusa mesmo contra a Roma, mas creio que, quando falastes no Babel (outro titular inexplicável), te referias ao Liverpool, certo?
Abraço.