Pela volta do Gauchão

Ser o único representante da região sul do Estado (e de Pelotas, claro) na primeira divisão do Gauchão não deve ser motivo de orgulho para o Brasil. Deve ser alvo de preocupação, não só dos seus dirigentes, mas também de todos nós, gaúchos.

Sou da época em que o Estado inteiro estava representado no seu maior campeonato de futebol. Da região Sul, tínhamos Brasil, Pelotas e São Paulo de Rio Grande; na fronteira-oeste, estavam lá o Dínamo, de Santa Rosa e o São Luiz, de Ijuí; na região norte/noroeste tínhamos o Passo Fundo, o Ypiranga e o Guarany de Cruz Alta; os campos de cima da Serra eram representados pelo Glória, de Vacaria; na região central, o Inter de Santa Maria, o Guarani de Venâncio Aires e o Santa Cruz, três que ainda felizmente estão na Primeira, eram certos; da campanha o Grêmio Santanense; mais os da Serra, e da Região Metropolitana, claro.

Hoje, o Gauchão virou um combinado Serra/Capital e cercanias. Os poucos times fora deste eixo não conseguem chegar longe. Alguns, esporadicamente, se superam, como o Inter/SM de 2008. De resto, os outros sete classificados de momento seriam três da Capital (Grêmio, Inter e São José), três da Serra (Dupla Ca-Ju e Esportivo) e dois da Grande Porto Alegre (Ulbra e Novo Hamburgo). Fora deste eixo, só o São Luiz ainda está vivo. E o Guarany de Bagé sucumbiu, caindo para a Segundona. Hoje, o Brasil levou 2 a 1 do São José no Passo d'Areia e também perdeu suas chances de seguir adiante. O Grêmio, este ano, chegou ao cúmulo de ter sua mais longa viagem nesta primeira a Santa Cruz do Sul, que fica a 150 quilômetros.

As questões para esta nova geografia do futebol gaúcho têm a ver diretamente com a concentração de riquezas do pólo Serra-Capital. A relação é simples e assustadoramente direta. Leiam isto e comprovem.

Durante a crise existencial dos campeonatos estaduais, que estiveram prestes a desparecer perante as copas regionais, eu defendia que eles continuassem existindo, mas de uma forma mais curta e que não prejudicasse o calendário das grandes competições. Pensei numa fórmula simples: Grêmio, Inter e Juventude estariam previamente classificados e os outros times disputariam, entre maio e dezembro, jogos dentro de suas regiões, com clássicos que movimentariam os estádios o ano inteiro. Os melhores se classificavam então para a Divisão Especial do ano seguinte, num campeonato entre 12 e 16 times, de janeiro a abril. A readequação dos calendários a partir dos pontos-corridos foi uma boa solução que fez os estaduais ganharem força, dando mais espaços para as competições mais importantes - as nacionais.

Vendo o Gauchão do que jeito que ele está, tão desigual, dá vontade de repensar se esta minha fórmula antiga não serviria para os tempos atuais. Ou, quem sabe, a implantação de cotas regionais no nosso estadual, já que é um assunto que está tão na moda. Não é pena dos mais pobres, não me entendam mal. É apenas um exercício para tentarmos colocar em nosso campeonato estadual todas as facetas desta mui amada querência chamada Rio Grande do Sul.

Foto: Jefferson Botega/RBS

Comentários

Anônimo disse…
Fui lendo o texto com a curiosidade para saber qual seria a sugestão que tu darias para mudar tal realidade. Concordo que é um problema, mas discordo da solução. O único critério tem que ser o técnico, senão o nível dos jogos fica ainda pior. Não adianta colocar time para ser saco de pancada dos outros. Quem sabe uma Copa com os times do interior, mediante vagas por regiões e tal. Tudo bem que os times da serra seriam hegemônicos, e a desigualdade continuaria, mas vá lá. Agora, no Campeonato Gaúcho não! Como dito, é um problema econômico que só será resolvido pela economia mesmo.
Anônimo disse…
Queria sugerir uma coluna diária ou semi-diária. "O futuro da dupla", trazendo um post sobre cada promessa (jogadores novos no principal - Willian Magrão, Sidinei, Léo, Guto), com as características, previsões, coisas assim.
Vicente Fonseca disse…
Pensarei a respeito da coluna sobre as promessas, um assunto bem interessante.

Sobre o Gauchão, também não acho uma alternativa perfeita, esta foi apenas a que me ocorreu. Mudar a economia é algo que foge ao meu controle, pelo menos enquanto o Carta na Manga não me render os bilhões que eu ainda espero. (dskflsadkl)
Saudades do Guarani de Garibaldi, do Avenida de Santa Cruz, do Ypiranga de Erechim, do Grêmio Santanense, do Aimoré, do Guarani de Cruz Alta, do São Paulo de Rio Grande, do Lajeadense...

Podem me xingar e me chamarem de louco, mas quero de volta a fórmula de 94! JÁ!
E também do Pelotas!
VOLTA ESTÁDIO COM NOME DE COFRE!
E já que estou completamente em chamas, digo o seguinte:
Minha vontade é que o Inter jogue contra o Sapucaiense nas quartas e, no combinado, o Sapuca ganhe de 1x0, gol marcado por um zagueiro que atende pelo nome de Cirilo! Aí sim, esse Gauchão terá valido a pena!

Se não acontecer, quero que caia pro Juventude nas semifinais, com o Mendes provocando no final da partida no Beira-Rio: "Se eles são Carrossel, nós somos Carrosserra"!

E se não der certo tudo isso, deixa que o Grêmio resolve então...
Vicente Fonseca disse…
Lajeadense era um bom time no início dos anos 90. Faz falta, realmente.

Sobre a fórmula, a de 1994 era terrível. Mas uma ao estilo Brasileirão pré-pontos corridos, que já foi feita em 1991 e 1992, era uma boa. Ou a do Cariocão, meu sonho de consumo.

CARROSERRA.

Termino tudo por aqui mesmo.
Vicente Fonseca disse…
Ah, ESTÁDIO COM NOME DE COFRE.

Eu ia terminar com o CARROSERRA, mas resolvi reconsiderar.

dsajldkjsalkdjklsad
Anônimo disse…
A fórmula do Carioca é boa para o Rio. Grenal antes de abril é sacanagem.