O africano da vez

Nunca é jogo jogado, mas a chance do Internacional cair para o Mazembe beira, com otimismo, o 1%. Somente uma jornada displicente do Colorado, aliada ao heroísmo do time africano e algumas situações inusitadas podem impedir mais uma final de Mundial para o time de Celso Roth.

Não parece ser o caso de desmerecimento. O Inter está focado, aprendeu com o Al-Ahly em 2006. Promete marcar a saída de bola do Mazembe e forçar o erro do adversário. É uma boa estratégia quase sempre, ainda mais hoje. Os congoleses têm uma defesa fraca, que erra muito. Não será difícil construir situações com marcação adiantada. Ademais, uma pressão de início pode assustar a equipe africana, bem mais inexperiente.

Mas não se deve tratar o jogo como um treino para a final. Roth colocará Rafael Sobis como meia pela esquerda, provavelmente. Já discordei disso várias vezes, e não é agora que mudarei de opinião. Ele rende mais como atacante, porque é jogador de finalização, e não de velocidade, como era Taison. Não é porque a Internazionale tem um time caro e cheio de grandes jogadores que o Internacional deve entrar com ele recuado no sábado. Isso só prejudica o time ofensivamente, em vez de ajudá-lo defensivamente.

De todo modo, inicia-se uma situação diversa da de 2006. O Inter que entra em campo hoje é multicampeão em torneios internacionais e tem um time não muito distante do representante europeu em qualidade técnica. Só lembremos, todos nós, do Campeonato Brasileiro que fez o Colorado antes de encher a boca para falar que o time italiano não é mais o mesmo. Eles devem pensar parecido.

Retrocampeões
A medida de dar aos campeões da Taça Brasil e do Robertão o status de campeões brasileiros é puramente demagógica. Nenhum dos dois torneios era Campeonato Brasileiro. Não se está dizendo que não eram torneios de caráter nacional, mas tampouco eram o Brasileirão atual. Este só surgiu mesmo em 1971, com este nome e propósito.

É uma péssima mania que os clubes resolveram praticar, desde que o Vasco obteve reconhecimento do título de 1948, como se fosse uma Libertadores – também não é. O Palmeiras, por exemplo, ganhou um torneio internacional nos anos 50 e pediu à FIFA reconhecimento como se fosse um Mundial Interclubes. Melhor fariam estes clubes se se concentrassem em ganhar títulos daqui para a frente, e não tentar no grito um reconhecimento artificial só porque tem o escudo da CBF oficializando. Reconhecimento vem com tradição, com importância adquirida ao longo dos anos, e não no canetaço. A Copa Toyota é muito mais Mundial que a Taça Brasil é Brasileirão, por exemplo. Invocar a homologação das entidades é um argumento no mínimo tacanha.

Só espero que não haja foguetórios e festinhas por conta disso. Seria o cúmulo da vergonha alheia.

Comentários

Sancho disse…
Concordo que o reconhecimento é bobagem, mas por outro motivo. Por que se reconhecr algo que já era oficial?! Mania brasileira de se exigir carimbo e autenticação...

Para não me alongar, o que entendo deveria ser reconhecido encontra-se em:


http://campeoesbrasileiros.blogspot.com


Sem tirar nem por. Concordo 100%...
Vicente Fonseca disse…
Bem interessante esse site, Sancho.